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Milhares de pessoas marcharam na Gronelândia para se oporem ao interesse de Trump em apoderar-se da ilha árctica

Milhares de gronelandeses marcharam na capital Nuuk, no Sábado, para se oporem ao interesse declarado do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em apoderar-se da ilha árctica.
De acordo com a “Euronews”, os manifestantes empunharam cartazes de protesto, agitaram a bandeira nacional e gritaram “A Gronelândia não está à venda”, apoiando a sua autonomia diante das ameaças crescentes de uma tomada de controlo pelos EUA.
No momento em que terminavam a sua caminhada do pequeno centro da cidade de Nuuk, capital da Gronelândia, até ao Consulado dos Estados Unidos, surgiu a notícia de que Trump tinha anunciado que iria aplicar uma taxa de 10% sobre os produtos de oito países europeus devido à sua oposição ao controlo da Gronelândia pelos Estados Unidos.
Segundo a “Euronews”, Trump disse que todos os produtos provenientes da Dinamarca, Suécia, Noruega, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido estariam sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, que poderia ser aumentada para 25% até Junho, a ser paga até que “seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Gronelândia”.
“Pensei que este dia não podia piorar, mas acabou por piorar”, disse Malik Dollerup-Scheibel. “Isso só mostra que ele não tem remorso por nenhum tipo de ser humano agora.”
Trump disse há muito tempo que acha que Washington deveria possuir a ilha estrategicamente localizada e rica em minerais, um território autónomo da Dinamarca. Trump intensificou os seus apelos um dia depois da operação militar para depor o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro no início deste mês.
Dollerup-Scheibel, uma gronelandesa de 21 anos, e o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, estiveram entre os que outros descreveram como o maior protesto da ilha, atraindo quase um quarto da população de Nuuk.
Outros organizaram comícios e marchas de solidariedade em todo o reino dinamarquês, incluindo em Copenhaga, bem como na capital do território inuit de Nunavut, no extremo norte do Canadá.
“Isto é importante para o mundo inteiro”, disse Elise Riechie, uma manifestante dinamarquesa que segurava bandeiras da Dinamarca e da Gronelândia em Copenhaga. “Há muitos países pequenos. Nenhum deles está à venda”.
A “Euronews” relata que em Nuuk, os gronelandeses de todas as idades ouviram canções tradicionais enquanto marchavam para o consulado.
Marie Pedersen, uma gronelandesa de 47 anos, disse que era importante trazer os filhos à manifestação “para lhes mostrar que podem falar”.
“Queremos manter o nosso país, a nossa cultura e a nossa família em segurança”, afirmou.
A sua filha de 9 anos, Alaska, criou o seu próprio cartaz “A Gronelândia não está à venda”. A menina disse que os seus professores abordaram a controvérsia e ensinaram-lhe o que é a NATO na escola.
“Dizem-nos como nos devemos defender se estivermos a ser intimidados por outro país ou algo do género”, disse.
Entretanto, Tom Olsen, um agente da polícia de Nuuk, disse que o protesto de Sábado foi o maior que alguma vez viu na cidade.
“Espero que isto possa mostrar-lhe que estamos juntos na Europa”, disse. “Não vamos cair sem lutar”.
Tillie Martinussen, ex-membro do parlamento da Gronelândia, disse que espera que a administração Trump “abandone esta ideia louca”.
“Começaram por se apresentar como nossos amigos e aliados, que queriam tornar a Gronelândia melhor para nós do que os dinamarqueses”, disse enquanto outros cantavam ao fundo. “E agora estão simplesmente a ameaçar-nos”.
Trump manifestou pela primeira vez interesse em tomar posse do território no seu primeiro mandato como presidente. Esses apelos foram amplificados após o seu regresso à Sala Oval, em Janeiro do ano passado.
Ganharam um peso significativo após a intervenção militar dos EUA na Venezuela, a 3 de Janeiro, que derrubou e capturou o presidente Nicolás Maduro, numa acção que muitos países consideraram uma violação do direito internacional.
A “Euronews” refere que Trump manteve-se firme na sua posição, apesar da pressão europeia para abandonar a ambição. O Presidente dos EUA afirmou que a aquisição é essencial para fins de segurança nacional, sublinhando que a aquisição irá acontecer, quer a Europa “goste ou não”.

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