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Investigadores estudam Colecção de Esqueletos Identificados na Terceira

Cerca de duas dezenas de investigadores já se deslocaram à Terceira para estudar a Colecção de Esqueletos Identificados dos Açores, actualmente sob tutela legal do Município da Praia da Vitória, revelou ao Diário Insular (DI) o curador da colecção Félix Rodrigues, investigador da Universidade de Coimbra e especialista em Antropologia Biológica.
“O espectro dos estudos desenvolvidos tem sido bastante amplo. Entre os exemplos mais relevantes contam-se o desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial para a estimativa do sexo biológico através de aplicações móveis, a avaliação do potencial identificativo de dispositivos médicos associados ao esqueleto em contextos forenses, a análise e comparação de variantes anatómicas entre as populações açoriana e continental e a avaliação do impacto ambiental da Base das Lajes na biologia da população local”, adiantou Félix Rodrigues.
A colecção tem também recebido estágios curriculares de alunos de diversas instituições, inclusive do EuropeanForensicInstitute, de Malta.
Félix Rodrigues acredita que a colecção venha a atrair mais investigadores “de forma consistente no futuro, à semelhança do que acontece no território continental”.
“Portugal ocupa actualmente uma posição de liderança internacional nesta área de investigação, e a criação de uma colecção insular contribui para consolidar essa posição. De facto, já se encontram planeadas visitas de novos investigadores para um futuro próximo”, revelou.
O curador referiu que “estes investigadores e estudantes deslocam-se à ilha Terceira a expensas próprias e, maioritariamente, em época turística baixa”, vincando que o contributo da colecção “não é apenas científico, mas também, ainda que de forma modesta, económico”.
A Colecção de Esqueletos Identificados dos Açores surgiu em 2023 para dar resposta à necessidade de atribuir um destino ético às ossadas não reclamadas nos cemitérios municipais da ilha Terceira, que permitisse, em simultâneo, a sua preservação e o seu estudo científico.
Actualmente, conta com 166 esqueletos, mas as limitações de espaço levaram a uma interrupção temporária do processo de exumação de ossadas não reclamadas.

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