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“Palavras da Palavra” torna-se gesto de apoio aos Gaiatos

O livro do Padre Norberto Brum, “Palavras da Palavra”, numa edição do próprio autor, em mil exemplares, apresentada Domingo, em Ponta Delgada, reverte, na sua venda, a favor da Obra do Gaiato nos Açores e pode ser adquirido na Livraria do Santuário do Senhor Santo Cristo, que se disponibilizou para concretizar esta campanha.
“Palavras da Palavra” é um livro que reúne as notas editoriais das páginas centrais do jornal “Diário dos Açores”, todos os Domingos, entre 2017 e 2023, acrescidas de outras notas inéditas sobre outras datas litúrgicas do ano.
Como refere o Padre Norberto Brum, Pároco de Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada, em cujo moderno templo, com vasta, interessada e atenta assembleia, decorreu a apresentação da obra, “Palavras da Palavra” não apresenta uma reflexão exegética, teológica ou bíblica, mas tão só quer ser um contributo e uma oportunidade de meditação da Palavra de Deus em cada Domingo, solenidade ou festa, daí que é um livro de tempo e com tempo: levaremos 3 anos a lê-lo, atendendo aos três ciclos litúrgicos: Ano A, B e C”.
E isto mesmo é corroborado pelo Cardeal D. Américo Aguiar, prefaciador da obra, quando escreve que “não posso deixar de sublinhar o quanto me revejo neste tipo de escrita, clara e simples, que nos consegue colocar perante a verdade e a força da palavra. Uma escrita que parte da vida comum, com palavras de todos os dias, mas que nos consegue elevar, chegar ao pico do coração e ao amor de Deus”.
Na sessão de apresentação, com diversos momentos musicais de grande nível, esteve também presente o Padre Fernando Teixeira que, na juventude dos seus noventa Janeiros, se referiu aos laços que o unem ao Padre Norberto Brum e ao livro onde escreve as palavras de apresentação em que salienta que “é uma obra que nos convida a reflectir sobre a nossa vida, sobre a nossa fé, sobre a nossa função no mundo”.
Jorge Santos, antigo técnico de som e realizador da RDP/Açores, encerrou a sessão, com a leitura de excertos do livro adequados à liturgia do dia.
A apresentação de “Palavras da Palavra” foi feita pelo director-Adjunto do Correio dos Açores, Santos Narciso, que começou por referir a importância da coincidência da data de 25 de Janeiro e do Domingo em questão para lançamento do livro: “Domingo da Palavra, com a sabedoria de Francisco; encerramento do oitavário para a unidade dos cristãos, uma unidade que se fundamente no amor e centralidade da palavra evangélica, sem unicidade, mas com respeito pelos diferentes caminhos de fé e de culto que levam ao cerne que é o amor; Dia da Conversão de São Paulo, derrubado pela palavra “porque me persegues?” e tornado o arauto por excelência da Palavra para todas as gentes; e ainda dia bem próximo de nós, na nossa história recente ao recordarmos hoje o dia 25 de Janeiro de 1959, em que o Papa Bom, João XXIII, há 67 anos, numa visita surpresa à Basílica de São Paulo Extra-Muros, anunciava a convocação do Concílio que viria a chamar-se Vaticano II, para “sacudir o pó da cadeira de São Pedro e abrir as janelas para deixar o Espírito voar livremente”.
Santos Narciso percorreu o sentido bíblico de Logos, Verbo, Humanização de Deus e a divinização através da Palavra e dos sinais da História.
Referindo-se às palavras de Hélder Almeida, membro do Serviço Diocesano da Pastoral Juvenil e coordenador da secção “Afectos” do Diário dos Açores, para quem “se a Palavra de Deus é eternidade, as palavras que sobre ela escreve o Padre Norberto “são para vida inteira”, Santos Narciso acrescentou a importância de se perpetuar em livro o que de bom hoje se diz e escreve, num tempo em que mediatismo e imediatismo levam a que rapidamente se esqueça o que ouvimos ou vemos nos modernos meios de comunicação, quando é certo que “scriptum manet” (o escrito permanece). E deu como exemplo: “. Ai de nós se o nosso grande, único e imortal Padre António Vieira não tivesse escrito os seus sermões. Não teríamos tido a dita de lembrar e celebrar em 2024 os 370 anos do sermão de Santa Teresa, das coisas mais belas da nossa literatura de oratória, proferido em 1654, na velha Igreja de Todos os Santos, Colégio dos Jesuítas de Ponta Delgada, na estada do orador nestas ilhas após naufrágio entre o Brasil e a então Metrópole imperial portuguesa”.
Para o Padre Norberto Brum ficou o apelo a novo livro, porque, concluiu Santos Narciso, “contigo termos o gosto de aprender, bebendo e saboreando a tua linguagem que ferve como vinho novo, mas nos entra como fruto maduro de verdade e esperança”.
C. A.

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