O programa oficial do primeiro trimestre de Ponta Delgada enquanto Capital Portuguesa da Cultura foi ontem apresentado no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ponta Delgada, numa conferência de imprensa conjunta do Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral e da Comissária Kátia Guerreiro. Na ocasião foram também foram apresentados alguns membros dos vários projectos que integram o PDL26.
Durante a sessão foram apresentados os valores, os vários projectos que fazem parte da iniciativa, alguns eventos que acontecerão durante o ano, a programação complementar e o alargamento territorial.
Kátia Guerreiro começou por afirmar que “a partir do momento em que nós pusemos mãos à obra foi para começar a desenhar, em primeira instância, uma visão que correspondesse àquilo que deve ser o desígnio de uma Capital Portuguesa da Cultura”. A responsável define o primeiro trimestre de programas como um “bocadinho menos rico que os restantes, mas já dá uma boa imagem daquilo que nós estamos a planear para o resto do ano”.
Em declarações à Antena 1, a responsável afirma a programação é “dinâmica e que vai sofrer reforços ao longo do ano, nós estamos a trabalhar muito com o olhar no lugar do amanhã, que é o tema desta capital. Isto significa que a Capital Portuguesa da Cultura não será uma programação que começa em Janeiro e termina em Dezembro de 2026”.
A encarregada do PDL26 afirma ainda que o importante é deixar um legado e continuar a trabalhar projectos que se estendam para lá do presente ano, ao mesmo tempo que se apoia artistas locais, associações culturais locais e entidades “que produzam cultura no território, mas também importa trazer uma programação diferenciadora”. Destaca ainda que o facto de Ponta Delgada ter este destaque é uma “oportunidade para oferecer no território programas culturais que normalmente não conseguem chegar cá” e que será fundamental “trazermos projectos de uma grande envergadura que de outra forma não chegariam”.
“O mais importante para nós é o trabalho invisível na programação desta capital que é trabalhar as novas gerações e as camadas mais jovens desde creches e jardins de infância com crianças de todas idades até aos jovens e também os idosos, de uma forma que haja cada vez mais interesse pela produção cultural que é feita”, reforça Kátia Guerreiro à Antena 1.
Um orçamento de 4.300.000,00€
Quanto ao orçamento, Kátia Guerreiro afirmou que estão a fazer tudo de forma responsável de modo a evitar deixar algum tipo de obstáculo ao município de Ponta Delgada, sempre acompanhando o orçamento destinado à Capital Portuguesa da Cultura.
A comissária revelou ainda que a organização está a trabalhar com uma verba de 4.300.000,00€, sendo que 500.000,00€ do Ministério da Cultura e 500.000,00 € anunciados do Ministério do Turismo. O município de Ponta Delgada garantiu 3.000.000,00€
“Nós vamos trabalhando com aquilo que temos, ninguém nos prometeu mais do que 5.000.000,00€ e já conseguimos alcançar os 5.300.000€. Queremos ter a garantia de 1.000.000,00€ do Governo Regional que ainda está sujeito a candidatura”, afirmou a comissária, contudo, garante que pretendem ainda assegurar mais financiamento através da colaboração com entidades privadas.
A organização conta ainda com 305.000,00€ garantidos pelos financiadores e por patrocinadores: “Agora, se virmos a verba do Governo Regional aprovada, podemos trabalhar muito mais e reforçar muito mais a programação da Capital Portuguesa da Cultura, que queremos que seja efectivamente um grande sucesso”, sublinha a responsável.
“Trabalhamos no sentido de promover um serviço educativo”
“A Capital Portuguesa da Cultura está a trabalhar muito no sentido de promover um serviço educativo que seja efectivamente eficaze e que chegue às crianças e aos jovens”, destaca a comissária, reforçando que a educação tem um sentido lato.
A organização pretende trabalhar não só com crianças e jovens, mas também com comunidades mais marginais e mais idosas, de forma a dar uma oportunidade de contacto e de acesso à cultura e à criação artística a estes grupos.
“Qualquer um de nós pode em qualquer altura da sua vida descobrir qualquer talento, porque nunca tivemos coragem de explorar. Portanto, estamos aqui muito empenhados, e acho que se percebeu pela apresentação do programa do primeiro trimestre, em ter uma boa parte da programação que sai do serviço educativo”.
A responsável informou que pretendia que todos os projectos que chegassem, tivessem uma vertente de educação associadas e assim aconteceu: “Efectivamente, a maior parte dos projectos que nós acolhemos nas convocatórias têm um projecto educativo associado”. Contundo, revelou que nem sempre foi possível, mas fez questão que as ideias que não estivessem associadas educativamente não fossem postas de lado.
A parte educativa das iniciativas podem ser variadas, desde artistas de música que dão masterclasses ou um projecto de oficina de escrita. O objectivo é “lançar sementes para o lugar de amanhã. Queremos que não só as crianças e os jovens tenham esta oportunidade e acesso à cultura, como também pretendemos que a comunidade seja uma educação de públicos”, destacou a comissária.
O intuito, segundo a própria, é sensibilizar as pessoas para serem públicas informados, interessados e procurarem uma cultura ou até acolherem uma outra.
“Há um curador muito querido nosso, o Dr. João Paulo Constância, que diz que não devemos obrigar as pessoas a ver ou a fazer. Devemos, pois se elas não quiserem, fazem as suas escolhas. Portanto, se nós colocarmos uma criança, um jovem ou um idoso a assistir a qualquer coisa que nunca tenham tido a oportunidade de assistir, a seguir, pode ser que queiram ver mais”, afirmou a responsável, dando o exemplo, do espectáculo de abertura da Capital Portuguesa da Cultura, onde a comunidade que nunca esteve em cima do palco, é a que vai subir dizendo: “Eu estou aqui e eu faço parte, porque toda a gente faz parte da Capital Portuguesa da Cultura”.
Capital desenvolveu
projectos próprios
“Explicámos muito bem os projectos comunitários, pelo menos alguns grandes projectos comunitários que estão a ser desenvolvidos pela Capital. Desde logo o Raiz, que é um projecto que vai envolver filarmónicas, ranchos folclóricos e associações culturais de toda a ordem, procurando abraçar o artesanato, as cerâmicas e todas as formas de tradições que existem no território”, reforça a comissária.
Para Kátia Guerreiro a meta é capacitar de uma forma directa a candidatura a apoios e fundos, mas também a conseguirem obter formação nas suas áreas, através do convite de pessoas e especialistas. Segundo a própria, isto faz com que as “crianças que estão muito afastadas deste tipo de tradições e de realidades culturais” sintam algo que passa a ser atraente.
O intuito é dar uma volta à forma como os costumes são apresentados aos mais novos de modo a combater o envelhecimento das filarmónicas, dos ranchos folclóricos e para “preservar, acarinhar e manter” estas tradições vivas, uma vez que o evento permite atrair “mais jovens a quererem dar continuidade a isto e a tornar tudo mais sexy”.
Programas com maior
destaque no plano geral
A comissária revelou ainda alguns programas que estão previstos para acontecer durante todo este ano, como a peça “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas” de Tiago Rodrigues no dia 30 de Maio, a ópera “Um Baile de Máscaras”, de Giuseppe Verdi a 28 de Novembro e o espectáculo “Os Maias”, da Companhia Nacional de Bailado a 26 de Setembro.
A responsável também revelou o festival organizado pelo TREMOR de seu nome “Festivalzim!”, um evento robusto dedicado à infância que começa desde da manhã e se prolonga até à noite. Kátia Guerreiro define esta iniciativa como algo “para crianças e para as famílias, com um estímulo à criação artística e à participação nos projectos artísticos que vão fazer parte e que vai acontecer por todo o Conselho de Ponta Delgada”.
Destaque também para o Mica, um projecto de “grande envergadura” da Capital Portuguesa da Cultura que sai da curadoria do Serviço Educativo e do Teatro e que vai oferecer ao território, em três momentos distintos do ano, oficinas e espectáculos dança e de teatro.
“O Mica vai ser efectivamente um festival para a infância, mas não é um festival nem espectáculo infantil, são para a infância e para fazer sentir, pensar, reflectir e querer ver mais”, afirmou Kátia Guerreiro.
A programação conta ainda com o Victor Pontes e a Companhia Maior, que é um espectáculo que vai trazer o grupo, que é uma companhia que trabalha com idades mais avançadas e respeitadas que participam neste espectáculo. Victor Pontes é quem vai coreografar este evento que é promete ser “intergeracional e de uma beleza incrível”.
“A Câmara Municipal de Ponta Delgada não vai deixar-se ficar apenas naquilo que é a programação da Capital Portuguesa da Cultura, porque este é o ano mais cultural que Ponta Delgada alguma vez conheceu. Vamos continuar a fazer o nosso investimento naquilo que é a actividade cultural do próprio município, continuando a estar ao lado dos nossos agentes culturais, apoiando iniciativas, eventos e promovendo as nossas festas religiosas, noites de Verão e passagem de ano, precisamente porque nós queremos que a cidade tenha um ano cheio de cultura. Em todas as manifestações culturais, Ponta Delgada veste-se com orgulho e assume este projecto de sermos capital portuguesa da cultura em 2026”, concluiu Pedro Nascimento Cabral, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Diogo Simões Pires
