A Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória defende que o modelo de transporte de mercadorias nos Açores tem, acima de tudo, que garantir fiabilidade e previsibilidade para as empresas e os consumidores.
De acordo com o comunicado de imprensa publicado, intervindo no seminário sobre transportes marítimos, promovido pela Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, que decorreu na Sexta-feira, dia 30, no Auditório da Escola Profissional da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, sublinhou que cada “empresa ou consumidor tem de ter a certeza da data da chegada da sua mercadoria”.
“Não podemos estar à mercê do risco constante de rupturas no abastecimento ou dos prejuízos decorrentes de atrasos na exportação de bens. A nossa visão é clara: os Açores precisam de um modelo de transporte marítimo de mercadorias que garanta previsibilidade e fiabilidade. Entendemos ser este o foco central da discussão”, argumenta a autarca Praiense.
“A economia local e regional só se desenvolverá nos moldes que defendemos se tiver, na sua base, uma rede de transportes que garanta a adequada circulação de mercadorias. É uma evidência clara. Mas que, por vezes, parece esbatida por outros interesses. É o sentimento que temos pelas queixas que vamos recebendo. Sendo um sentimento, pode não ser justo, é certo. Mas a dimensão das queixas, leva-nos a pensar assim”, considera Vânia Ferreira.
“Será necessário o reforço das rotas? Será necessário introduzir novos mecanismos de compensação pelos custos decorrentes da nossa realidade arquipelágica? Será necessário ampliar o número de operadores, beneficiando da concorrência saudável? Entendemos também que para essa solução pode contribuir, eventualmente, a dinamização da cabotagem interna, assim como um modelo que possibilite a convivência entre a contentorização e a paletização. Ou seja, um modelo que nem sempre exija que cheguem contentores a todo o lado, com os custos que tal acarreta. Mas terão que ser os especialistas no assunto a avaliar e testar essas hipóteses. Ao poder político cabe colher contributos e decidir. Mas, volto a frisar, essa decisão – no nosso entendimento – tem de ter por base um objetivo cimeiro: a fiabilidade do sistema. Insisto neste ponto, porque acredito que tem sido esse o calcanhar de Aquiles do modelo de transporte marítimo de mercadorias”, argumenta a Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória.
Sublinhando a notícia da ampliação do cais do Porto da Praia da Vitória, conferindo-lhe valências multiusos, a autarca advoga que essa empreitada suscite a decisão da alteração do modelo de transportes marítimos.
“No caso da Praia da Vitória, que conta com uma infraestrutura onde é evidente o subaproveitamento, parece-nos indubitável que o seu uso como plataforma giratória de cargas no grupo central pode ser uma oportunidade ou uma possível solução”, propõe.
No caso do transporte marítimo de passageiros, Vânia Ferreira defendeu o reforço equilibrado das ligações e voltou a reivindicar o aumento das escalas de navios de cruzeiros na Praia da Vitória.
“Entendemos que faz todo o sentido que os Açores se provam no mercado de cruzeiros como espaço com duas áreas de acesso a navios de cruzeiro. Defendemos, portanto, que toda a promoção regional espelhe essa realidade. Não aceitamos visões centralizadoras de fluxos. Não as aceitamos para o tráfego de mercadorias. Nem as aceitamos para o tráfego de passageiros, nomeadamente ao nível de cruzeiros. É uma reivindicação ao Governo dos Açores e à Portos dos Açores que renovamos. E fá-lo-emos sempre que for oportuno”, concluiu.
