O romance “O Chamamento”, com prefácio de Rita Ferro, já está disponível em todas as livrarias. Foi lançado em Ponta Delgada, na Livraria Letras Lavadas, a 16 do corrente mês de Janeiro, e, mais recentemente, a 23, na Livraria Lar Doce Livro, em Angra do Heroísmo.
João Gago da Câmara, de 69 anos de idade, é escritor, tendo exercido a actividade jornalística na imprensa escrita e a de comunicador na RTP. O primeiro jornal onde trabalhou foi precisamente o Correio dos Açores, na altura em que o diário açoriano era dirigido por Jorge do Nascimento Cabral.
Mais tarde, funda o seu próprio jornal, o Correio do Norte, um semanário primeiramente percorrendo toda a costa norte da ilha de São Miguel, mas que se estendeu depois a toda a ilha. O jornal era grátis para o público leitor, a publicidade financiava-o.
Posteriormente, Gago da Câmara passou a escrever para toda a imprensa escrita regional e da diáspora, intercalando essa atividade com crónicas semanais para todas as rádios. Foi posteriormente colunista da mais conceituada revista do país, a Visão, para onde ainda colabora. Acima de toda esta actividade, João Gago da Câmara foi comunicador profissional na RTP – Rádio e Televisão de Portugal, por um extenso período de 34 anos.
Dos Vulcões ao Desterro
Gago da Câmara publicou dois livros: “Dos Vulcões ao Desterro” e “Fragmentos entre dois Continentes”. O primeiro, um livro sobre a emigração açoriana para a ilha de Santa Catarina, no Sul do Brasil, acontecida em 1748, tempos do reinado de D. João V. Na altura, os Açores eram atingidos por catástrofes naturais, que dada a sua violência, impossibilitavam a vida em algumas ilhas, principalmente as do grupo central do arquipélago. O rei acedeu em autorizar a emigração açoriana, que aconteceu para esses locais remotos do sul do país irmão. A obra é hoje de consulta nas bibliotecas nacionais.
Fragmentos entre dois Continentes “leva-nos a conhecer histórias de açorianos, mas também de continentais, de emigrados, uns desventurados, outros afortunados. Faz-nos entrar no mundo ilhéu, convida-nos para as festas do Espírito Santo, para as romarias, para a caça ao coelho bravo ou para os cozidos nas caldeiras do vulcão”.
Surge agora “O Chamamento”, romance inspirado em acontecimentos reais, considerado já pela crítica “a melhor obra de 2025”
Entretanto, desafiando-se a si próprio, porque nunca havia entrado pelo romance, João Gago da Câmara tropeça na história de um emigrante açoriano, da Terceira e surge “O Chamamento”, livro já considerado a melhor obra de 2025, pelo ilustre historiador e homem de letras açoriano, também insigne jurista, Dr. Carlos Melo Bento, na sua página literária no jornal Açoriano Oriental.
“O Chamamento”, segundo o escritor João Gago da Câmara, “é uma obra inspirada em acontecimentos reais que retrata a vida de uma família açoriana marcada pela emigração e pelo desejo de um futuro melhor. A história desenrola-se na ilha Terceira, mais precisamente na freguesia do Raminho, onde o jovem António Cota se vê dividido entre o apego às suas raízes e o fascínio pelo desconhecido.
Desde cedo, António sente-se inquieto com a monotonia da sua terra e com a rotina dos campos, onde trabalha no sustento da família. O peso da tradição e da obrigação moral de cuidar dos pais idosos contrastam com o chamamento da América, onde vivem os seus irmãos. A decisão de António torna-se inevitável: o chamamento da América é mais forte do que o medo de deixar a ilha. No entanto, fica a dúvida: será possível partir sem perder uma parte de si mesmo? É uma história emocionante sobre coragem, destino e a eterna luta entre o que deixamos para trás e o que encontraremos pela frente”.
O romance “O Chamamento” remete-nos ainda para uma altura em que António Cota enfrenta o mar durante perigosos três meses, a caminho de Nova Iorque, de onde prossegue de comboio para o Wyoming, coração do faroeste, ainda de contendas entre índios, cowboys e cavalaria militar. A sua audácia só lhe permitia viver no fio da navalha.
Casa dos Açores e FNAC
O romance “O Chamamento”, com prefácio de Rita Ferro, já está disponível em todas as livrarias. Foi lançado em Ponta Delgada, na Livraria Letras Lavadas, a 16 do corrente mês de janeiro, e, mais recentemente, a 23, na Livraria Lar Doce Livro, em Angra do Heroísmo.
Em Fevereiro, a obra será lançada na Casa dos Açores, em Lisboa, na FNAC e, muito possivelmente, nos Estados Unidos da América.
Santos Narciso escreve: “João Gago
da Câmara agiganta-se”
Ainda sobre O Chamamento, o distinto jornalista Santos Narciso escreve um texto em Filamentos (artes e letras), da diáspora, de que aqui transcrevemos este pequeno excerto:
Neste romance “João Gago da Câmara agiganta-se, sem deixar de ser ele mesmo, irreverente quanto baste, dotado de um espírito aventureiro só próprio de quem sabe manter sempre uma mente jovem e aberta, alguém que se impõe pela sua maneira de ser muito própria e independente, que o leva a ser um apaixonado pelas coisas de que gosta e por aquilo que faz, desde o jornalismo e da rádio, até aos aviões e desporto”.
Escritor já trabalha noutro romance
Entretanto, sem querer adiantar muito, João Gago da Câmara já escreve outro romance, também inspirado em factos verídicos.
Para além dos seus afazeres, o nosso interlocutor é um apaixonado pela aviação. Tirou o curso de piloto e adquiriu a sua própria aeronave, voando o país de norte e sul. Dispõe também de uma autocaravana que o leva frequentemente a toda a Europa e inclusivamente à Ásia mais a sua cara metade e um cãozinho, o Migas. “O Migas vai connosco para todo o lado, acrescentou, jocoso, o escritor.
O Chamamento, romance que honra a literatura açoriana, é a grande obra do momento, nos Açores e em todo o país.
Marco Sousa
