A hipocrisia, a mentira e as falsas noticias, aparecem sempre associadas aos populistas.
Então porque encontram cada vez mais apoiantes, em países, onde menos se esperaria, noutros nem tanto?
Porque países da União Europeia, como França, Itália, Áustria, Hungria, Polónia, Grécia, Alemanha, só para referir alguns, os sociais – democratas e os democratas – cristãos, obreiros dum Estado Social próspero, democrático e livre, puseram-se a jeito, deixando a Politica submeter-se aos ditames da economia e da finança.
Os todos poderosos “mercados”, começaram a pautar a vida do quotidiano do comum dos cidadãos.
Quais as principais “testas de pontes” dos populismos?
Para os militares, as “testas de pontes”, são posições avançadas que se conquistam ao inimigo, para que, posteriormente, venham a servir de pontos de apoio para ataques de maior envergadura.
Os populistas ou os candidatos a tal, disfarçados de democratas iliberais, utilizam a palavra liberdade como chavão, todos têm algo em comum, não são de esquerda, nem de direita, nunca foram políticos, a quem atribuem todos os males da sociedade.
A palavra política foi riscada do seu vocabulário.
O “vazio” cultural de que dão mostras é preenchido por uma ignorância que chega a ser chocante.
Nunca ouviram o Papa Francisco que, quando questionado por um Padre Jesuíta: o que fazer perante tantas dificuldades, a resposta não se fez esperar, dedica-te à Política, foi o que lhe disse Francisco.
Todos os candidatos a ditadores, para além de inimigos da Democracia, têm sempre esta matriz, detestam as ideologias.
Palavras como, xenofobia, racismo, violência, agressividade, fazem parte do respectivo léxico.
Para problemas complicados têm soluções simples quase vazias de qualquer sentido.
Afirmam o que o povo quer ouvir, pelo que a demagogia lhes assenta como uma luva.
São os maiores amigos do povo, com foco primordial nas classes médias e baixas, entretanto arrastadas para o desemprego e pobreza, por via da globalização e das novas tecnologias.
Utilizam o medo e o pavor ao “outro”, que não o nacional, fazendo a apologia da raça e da superioridade identitária.
“Nós primeiro”. O caos é um terreno fértil para progredirem.
Atacam as elites afortunadas, o sistema, os mercados, “ o politicamente correcto”, quando a maioria deles, foram um seu “produto”, vivendo décadas à sombra do sistema e até contribuíram para alimentar o “estado a que se chegou”, da falência do Estado Social, do alastramento das desigualdades e da pobreza, usando e abusando das redes sociais, até para ganhar eleições.
Os talentos da revolução 4.0, do “digital” e da inteligência artificial deram-lhes imenso jeito.
Os populistas, aproveitam todas as brechas que os democratas deixam abertas.
A questão da equidade fiscal no mercado único, bloqueada durante anos, só agora se tornou um tema premente, não só para a União Europeia, como para toda a comunidade internacional.
Seria avisado incluir no ressurgimento do fenómeno do populismo, tal como a história nos ensina, certos grandes grupos transnacionais, económicos e da alta finança, que se alimentam das democracias, enquanto estas servem os seus interesses, mas que mudam para o campo populista, quando estes alcançam o poder.
Os exemplos são mais que muitos.
O mais recente foi o Brasil do Bolsonaro, para já não falar na Venezuela do Maduro, que tem a apoiá-lo, para além de países como China do Xi Jinping e da Rússia do Putin, o todo poderoso grupo financeiro mundial Goldman Sachs.
Seria injusto não tecer algumas palavras em relação a Mr. Trump, cujo perfil se encaixa no tipo do populista atrás referido.
O Presidente – Empresário, da maior Nação do Mundo, cujo cognome advém da sua “veia” de oportunidade para o “negócio”, que depois de numa semana ameaçar o comunista Jong da Coreia do Norte de o “reduzir a pó”, estar na outra a convidá-lo para um chá em Singapura, onde fizeram “juras de amor eterno”.
Depois dumas tacadas de golfe na Flórida com o amigo Xi da China, embora a preferência deste fosse para o ping- pong, lhe ter confidenciado que invejava o regime chinês, porque em Washinghton, o “raio” duns democratas, não lhe deixam sequer construir um simples muro.
Merecem louvor do “tamanho do mundo”, os jornalistas, que na linha da frente, têm combatido com enorme coragem os populistas inimigos da Democracia, que organizados no seu seio, em autênticas “testas de pontes”, têm procurado aniquilar os valores da liberdade, muito em particular a da expressão.
Não se podia terminar e a propósito da crise dos refugiados e o ressurgimento de tendências nacionalistas e populistas, lembrar esta frase dum profeta dos nossos dias, S. S. o Papa Francisco:
“Não acredito em soluções parciais para uma questão universal. É preciso uma resposta concertada de todos os países”.
Por: António Benjamim