A mobilidade é um fator diferenciador para o desenvolvimento de um território e para a condição dos cidadãos. Por exemplo, os acessos à habitação, ao emprego, à educação e à cultura estão diretamente relacionados com a mobilidade.
Não pode, por isso, a mobilidade ser tratada como algo menor.
No dia 9 de outubro de 2025, no debate eleitoral em Ponta Delgada, transmitido pela RTP-Açores, e noutras datas em vários jornais, foi garantido aos cidadãos pelo então candidato e atual Presidente de Câmara, Pedro Nascimento Cabral, que, a partir do concurso em vigor, término em março de 2026, haveria um novo concurso, com novas linhas até ao aeroporto, Arrifes, Fajã de Cima, Fajã de Baixo e linhas sazonais até às praias de São Roque e do Livramento, tendo sido ainda afirmado que já se encontravam a trabalhar no novo concurso há cerca de um ano.
No mês de setembro de 2025, o executivo camarário solicitou à Autoridade de Mobilidade e Transportes (AMT) parecer para um concurso público com a duração de seis meses, prorrogáveis por mais seis meses, mantendo as rotas atuais do concurso de 2021. A 30 de setembro, a AMT já tinha emitido o primeiro de três, até à data, pedidos de esclarecimento. À data de 4 de fevereiro não existia parecer favorável da AMT, pelo que, foi proposta a prorrogação do atual concurso por mais quatro meses. Ou seja, nos próximos 10 a 16 meses, manter-se-ão as mesmas linhas de minibus.
Não há forma branda de escrever a única e óbvia conclusão. Na noite do debate eleitoral, olhando para a câmara — o mesmo é dizer, para os cidadãos —, Pedro Nascimento Cabral omitiu a situação e mentiu aos cidadãos, sabendo que, após a conclusão do atual modelo em março de 2026, não teria condições para arrancar com o novo modelo de minibus.
Além da omissão e da mentira, está tudo ao contrário. Infelizmente nenhum órgão de comunicação social o referenciou.
Apresenta-se um novo modelo, com novas linhas de atuação, promete-se um parque de estacionamento na Avenida Infante D. Henrique e propõe-se a instalação de uma central intermodal no espaço da SINAGA — tudo isto em pleno contexto de campanha eleitoral — sem que esteja concluído e aprovado o Plano de Mobilidade Sustentável (PMS), anunciado a 22 de outubro de 2022.
Para bem de Ponta Delgada, importa recordar que a proposta orientadora para a intervenção e requalificação da Fábrica do Açúcar, desenvolvida e apresentada pela Comissão de Trabalho criada pela Ordem dos Arquitetos, Secção dos Açores, não considerou a instalação de uma Central Intermodal como uma opção viável, tendo-lhe sido atribuída uma pontuação mínima quando comparada com as restantes propostas analisadas.
Na reunião camarária de 26 de novembro e de 10 de dezembro de 2025 questionei-o sobre o concurso com as novas rotas, a resposta foi: “A sra. Vereadora será informada.” Faltou dizer que decorriam conversações com a AMT para manter as linhas de 2021 a partir de março de 2026. Sobre o PMS, a resposta foi a de que se prevê a sua conclusão no primeiro trimestre de 2026. Coloca-se, então, a pergunta óbvia: não deveria o PMS estar aprovado antes da apresentação de propostas de novas linhas de minibus, da localização de parques de estacionamento e da sugestão de localização da Central Intermodal?
Mobilidade deve rimar com verdade e sustentabilidade
Os cidadãos necessitam de informação clara, consistente e contínua ao longo de todo o mandato. É esta nova forma de fazer política — transparente, responsável e próxima das pessoas — que o Movimento Ponta Delgada para Todos (PDLPT) defende.
Por: Sónia Nicolau