Feliz e louvável iniciativa do senhor Santos Narciso em fazer memória, nesta data, da morte do seu grande amigo, Monsenhor Weber Machado. Não podia deixar de aceitar e agradecer o convite para lhe prestar o meu testemunho, a minha singela homenagem, na qualidade de seu admirador e amigo.
Sempre conheci e admirava o Padre Weber desde os tempos da “outra senhora”, nas suas lutas pelos mais desfavorecidos e injustiçados da sociedade. Percorria as periferias, oferecendo a mão a quem precisava, era conhecido pelo “Padre Comunista”, pelo “Padre dos Pobres” ou, simplesmente, por Monsenhor Weber ou Padre Weber!
Motivado pelo seu testemunho de vida, seguia-o com uma enorme admiração pela sua pessoa e maneira de ser, um exemplo de cidadão e de Sacerdote para todos os Cristãos.
Acabei por me cruzar com Monsenhor Weber em circunstâncias de desentendimento e de grande atrevimento meu, motivado pela sua ação, que manifestei publicamente neste jornal em 7 de outubro de 2012, a sua presença, em mesa de honra, numa campanha política em 2012.
No dia seguinte Monsenhor Weber bateu-me à porta e diz-me “Ó rapaz, venho cá para falarmos da minha participação naquele comício”. As minhas pernas tremiam com a sua presença na minha casa. Com a humildade e o gosto pelo diálogo que lhe eram reconhecidos, tivemos uma longa conversa que terminou com um cálice do “nosso” vinho abafado e um biscoito caseiro. Quando se foi embora fiquei, honrosamente, com mais um amigo para a vida! Um conselheiro para a vida!
São inúmeras as obras de Monsenhor Weber, destaco o seu projeto para a “Casa Amarela” na rua Pintor Domingos Rebelo em Ponta Delgada, onde reuniu todas as condições para lá juntar um grupo de 25 pessoas que viviam na rua. Quando foi avisar a vizinhança deste projeto, ficaram duvidosos do seu êxito e segurança no local!
Passados alguns meses, reconheciam-lhe que a vida quotidiana estava como era antes, era o grupo aceite como vizinhos! O êxito deste projeto só se deveu ao amor, aos afetos, à entrega total de Monsenhor Weber a estes seus irmãos/concidadãos, pedindo-lhes responsabilidade pelos seus atos no cumprimento das regras da Casa, oferecendo-lhes, em troca, a liberdade. Tinham, com muito orgulho, a “chave da casa”, eram autónomos, limpavam a casa, cultivavam o quintal, praticavam jogos, acima de tudo aprenderam a conviver em equipa, em respeito um pelo outro!
A alegria que, modestamente, demonstrava pelo êxito desta Casa, não era pelo seu brioso trabalho, era por aqueles irmãos terem regressado a casa como o filho pródigo! O sucesso desta “Casa” devia de ser exemplo para os dias de hoje, que falham na ajuda a estes nossos concidadãos por muita falta de amor nos objetivos do projeto!
Monsenhor Weber deixou um exemplar e riquíssimo legado como sacerdote, ao serviço de Deus, da igreja Católica e da sociedade. Andou pelas periferias sozinho, sem medo, à procura dos mais necessitados, protegeu-os e não os abandonou. Como sacerdote foi exemplar a sua conduta, um exemplo para o Clero de hoje.
O seu livro, editado em novembro de 2018, por insistência em boa hora, do seu bom amigo senhor Santos Narciso, intitulado “DENUNCIAR, FORMAR, AMAR”, demonstra bem o suporte triangular do seu êxito de vida, se um dos lados cair o resto desaba.
Neste livro sou contemplado com uma dedicatória que demonstra a humildade de um Homem proporcional à sua conduta de vida, à sua grandeza intelectual e espiritual: “(…) Recordo as circunstâncias que deram início à nossa amizade que se não fosse o espírito conciliatório dos dois não teria começado. Desfeitos os equívocos nasceu entre nós uma amizade que muito prezo e me honra”.
Obrigado, Monsenhor Weber, pela tua exemplar vida dedicada a Deus e ao teu irmão! Não tenho dúvidas que Deus te compensou no seu reino eterno!
Um abraço para o céu!
Por: Carlos A. César