Monsenhor Weber Machado Pereira, ou como era popularmente conhecido, o Padre Weber, foi durante a sua longa vida o padre das obras de misericórdia, que são fundamentais para a vida cristã, e refletem a compaixão e o amor ao próximo.
O aniversário da sua morte não deve ser só luto, mas memória da sua vida.
O Padre Weber passou das palavras às verdadeiras obras.
Deu de comer a quem tinha fome e de beber a quem tinha sede. Vestiu os nus e acolheu os peregrinos. Visitou os doentes e os presos e enterrou os mortos.
Instruiu os ignorantes e aconselhou os indecisos. Consolou os aflitos e perdoou as ofensas. Sofreu com paciência as fraquezas do próximo.
Atingiu um patamar de excelência de cristão. E por isso é uma referência para todos nós, e de modo especial para os que conviveram mais de perto com ele, que têm a obrigação de dar testemunho da sua vida.
O Padre Weber demonstrou que é possível pôr em prática a Palavra deixada por Cristo. E que não é vã a Palavra que ouvimos nas missas domingo a domingo, ano a ano. Esta Palavra é um Código de Felicidade que temos à nossa inteira disposição. O Padre Weber aparentava e manifestava felicidade em tudo o que fazia.
Conheci o Padre Weber no final da década de 60. Foi então meu professor de matemática no Seminário Colégio do Santo Cristo. Um professor competente e respeitável. Um homem resolvido, corajoso e compassivo, onde a força da Fé e a prática da Palavra eram notórias. Já nessa altura denunciava com arrojo a pobreza e a desigualdade social em que o país mergulhara, em plena ditadura marcelista. Acompanhei a vida dele deste então.
Uns anos antes da sua morte teve conhecimento da necessidade de uma importante e urgente obra social na Ilha do Príncipe, do país africano S. Tomé e Príncipe: um Lar para idosos. Tratava-se de um projeto de acolhimento de idosos carenciados, muitos abandonados pelas próprias famílias. Gente da periferia e a viver em condições deploráveis à margem das populações.
O Padre Weber depois de conhecer o projeto e os seus destinatários rapidamente disse que tinha de ajudar aquela gente, decidindo contribuir com generosos donativos, para um projeto a mais de 5.000 quilómetros dos Açores. Com o seu apoio, e de centenas de pessoas e entidades diversas, o sonho realizou-se. E a 8 de dezembro de 2022 o Lar S. Francisco de Assis foi inaugurado, com todas as condições para dar dignidade àqueles idosos no crepúsculo das suas vidas. E com o lema peculiar “Dos Pobres para os Pobres”.
Como memória pelo contributo do Padre Weber os idosos e a direção do Lar resolveram dar o seu nome a um dos quartos residenciais, perpetuando o seu gesto com uma placa simples, mas de enorme significado.
O Padre Weber era um cristão de ação, com elevado sentido de solidariedade para com os pobres e os marginalizados. E não ficava pela mera denúncia, formava e amava, três palavras que constaram do título do seu livro lançado em 2018.
Foi uma enorme graça ter cruzado o caminho com o Padre Weber. Recordá-lo é aceitar o desafio de continuar a lutar por uma sociedade mais justa.
Ponta Delgada, 5 fevereiro de 2026
Por: Luis Anselmo