O Santa Clara B venceu a Taça de Honra que há 10 anos homenageia o jornalista João de Brito Zeferino, falecido em Abril de 2019.
A vitória desta época foi a terceira seguida. Todas com a equipa B ligada à SAD. Mas são quatro no total. Na primeira, em 2011/12, também derrotando o FC Vale Formoso, mas na Ribeira Grande, a filiação pertencia ao clube que apresentou o projecto de uma equipa B com a duração de um ano.
O campo mestre José Leste, em Água de Pau registou uma assistência própria de uma final. A última decisão da prova naquele recinto foi há sete anos.
A claque do FC Vale Formoso, mais numerosa, de um lado e a do Santa Clara do outro. Ambas com apoio incessante às equipas de forma correcta. Abrilhantaram a festa.
O Santa Clara ganhou por 2-0. Os golos apenas surgiram no tempo adicional da segunda parte. Aos 90+1m Rodrigo Costa cruzou da direita, rasteiro, para o centro da área. Paulo Dinarte, ao tentar colocar a bola para fora, através da linha final, acabou por cortá-la para a própria baliza.
O 2-0 foi aos 90+8m, dois minutos além dos seis concedidos pelo árbitro Diogo Botelho. Nova jogada pela direita, com Toró a infiltrar-se junto à linha final. O passe atrasado permitiu que um defesa evitasse a bola de entrar pelo remate de Lucas Reis. No ressalto sobrou para Miguel Ventura. O remate do jovem jogador foi parado pelo guarda redes Celso. Novo ressalto, agora para os pés de Diogo Andrade, que rematou com êxito.
Poucos lances de perigo
O treinador Nelson Silva formou a equipa com as cautelas defensivas que os adversários têm imposto. Sabia do valor do Santa Clara B, com trocas a bola na procura de espaços para acercar-se com perigo junto da baliza. Os intentos foram gorados porque a experiente equipa do FC Vale Formoso soube impedir que tal acontecesse. Com a preocupação defensiva, foram esporádicas as vezes que a equipa se aproximou da baliza que nesta final foi defendida por Imerson Soares.
O Santa Clara teve três lances com maior perigo: aos 28m um cabeceamento de Rafa Benevides, ao lado, depois de um canto; aos 33m, numa jogada bem urdida, Rafa rematou ao lado, em boa posição, embora acossado por um defensor; aos 42m um centro remate de João Ventura criou dificuldades a Celso.
O conteúdo do jogo manteve-se na segunda parte. Domínio do Santa Clara com as mesmas dificuldades. A equipa das Furnas foi tentando através de bolas paradas ou de erros marcar. Como sucedeu aos 55m, quando Imerson dominou mal com o pé, tendo Neto chegado um pouco atrasado.
Aos 56m Leonardo Ponte viu a bola passar perto do poste da baliza de Celso e aos 66m, um cruzamento de Lucas Reis permitiu um cabeceamento de Rafa Benevides, quase junto ao relvado, com Celso a brilhar na defesa.
O conjunto furnense, aos 68m, quase marcava. Depois de um canto e de alguns ressaltos, a bola sobrou para Vitor Sousa rematar em “bicicleta”, com Imerson a corresponder com um voo espectacular.
Estreia de Osvaldo
Até ao tempo adicional o jogo não teve motivos de interesse. Muitas paragens por faltas, por choques entre atletas justificando assistências clínicas e demora nas reposições da bola em jogo.
Nota para a estreia do avançado cabo verdiano Osvaldo Miranda, ex-FC Alverca B e chegado em Janeiro depois de um longo processo burocrático. Demonstrou mobilidade e bom envolvimento no jogo.
Diogo Andrade (Santa Clara B), com uma exibição de bom nível, destacou-se. É outro micaelense com capacidades para voos mais altos. Só que os 28 anos de idade reduzem a subida na carreira para uma Liga 3, por exemplo.
O Santa Clara B continua sem sofrer golos. Há 17 jogos!! Já marcou 52.
Câmara de Ponta Delgada ausente
A final da Taça de Honra João de Brito Zeferino mereceu o convite da direcção da Associação de Futebol de Ponta Delgada aos presidentes das Câmaras de Ponta Delgada, da Povoação, por os finalistas pertencerem às sedes de concelho, e da Lagoa, local do jogo.
Pedro Melo marcou presença ao lado do único clube do concelho da Povoação com uma equipa de futebol sénior. O vice-presidente Nelson Santos representou a edilidade lagoense.
A de Ponta Delgada não se fez representar. Criou um mau estar nos responsáveis do Santa Clara. Salientam nova falha de cooperação com o clube e com a SAD. Havia transmitido esse sinal quando não respondeu aos dois ofícios do clube para indicar um campo no concelho permitindo que a equipa de sub 17 não tivesse de jogar o campeonato nacional noutro concelho.
As medalhas aos jogadores e demais elementos envolvidos no jogo foram entregues pelos autarcas, pelos presidentes Ricardo Pacheco (Santa Clara) e Sandro Ferreira (FC Vale Formoso) e o presidente associativo Robert Câmatra e o vice Emanuel Ferreira.
A taça foi confiada ao “capitão” do Santa Clara, Pedro Tavares, por Pedro Zeferino, filho de João de Brito e treinador do Águia Desportivo, e por Robert Câmara.
Enfim, a PSP
Neste jogo foram requisitadas a PSP e os Assistentes de Recinto Desportivo (ARD).
Agentes da Polícia foram sete. O comando é que define o número de efectivos em função do risco do jogo e do número de espectadores esperado. Há praticamente 16 meses que estavam arredados dos campos. Um aparecimento esporádico por tratar-se de uma final? Provavelmente.
Os ARD foram cinco. O mínimo possível. Como as entradas eram pagas (4€), dois colocaram-se junto ao portão de acesso como mandam os regulamentos e os outros dois em redor do campo.