A Lei do Carma ou de Causa e Efeito exerce sua influência inelutável não só sobre os homens, individualmente, como também sobre os grupos sociais.
Assim, por exemplo, quando uma família, nação ou raça busca algo que lhe traga maiores satisfações, esforça-se por melhorar suas condições de vida ou adota medidas que visem a acelerar seu desenvolvimento, sem prejudicar nem fazer mal a outrem, está contribuindo, de alguma forma, para a evolução da Humanidade, e isso é bom. Receberá, então, novas e mais amplas oportunidades de trabalho e progresso, conduzindo os elementos que a constituem a níveis cada vez mais elevados.
Se, porém, há construído seu poder ou grandeza, valendo-se da opressão ou de recursos desonestos e indignos, evidentemente agiu mal, porque isso é contra o interesse do Todo. Por isso, mais cedo ou mais tarde sofrerá a perda de tudo aquilo que adquiriu injustamente, em circunstâncias mais ou menos trágicas e aflitivas, segundo o grau de malícia e crueldade que lhe tenha caracterizado as ações.
Muitas vezes, os que contraíram, solidariamente, pesados débitos com a Lei do Carma, embora reencarnados em vários e distantes rincões, são reunidos por uma atração misteriosa a dado ponto, para serem feridos em comum. Haja vista esses naufrágios, sinistros e catástrofes que tanto emocionam as almas piedosas do mundo inteiro.
O estudo atento da história dos povos oferece-nos testemunhos surpreendentes de como há uma força irresistível, assegurando o equilíbrio universal da Justiça.
Ao longo dos séculos, todo o sangue vertido, toda a escravização, afronta e rapinagem perpetradas, repercutem, fatalmente, sobre seus autores, produzindo as mesmas consequências funestas: luto, lágrimas, humilhações e miséria!
Lá bem no passado, egípcios, babilónicos e persas elevam-se a uma situação de fastígio à custa do esmagamento de outros povos; tempos depois, entretanto, vêm a conhecer, a seu turno, o peso e o infortúnio da opressão estrangeira.
Roma e Bizâncio, através de uma série de campanhas militares., estendem seus domínios por toda a parte; todavia, roídos pelos gérmenes da corrupção, gerados no próprio seio, baqueiam ao embate da invasão dos bárbaros e seus fabulosos impérios deixam de existir.
Espanha e Inglaterra, durante séculos, dominam pelas armas suas numerosíssimas colónias; contudo, não escapam, por sua vez, ao flagelo da guerra, que lhes dizima as populações.
A Rússia dos czares, sob o comando da imperatriz Catarina, apossa-se, a ferro e a fogo, de vastos territórios circunvizinhos; mas é forçada, logo após, a pagar o seu tributo de dor em vários conflitos em que se vê envolvida, para cair, em 1917, sob o regime comunista.
Napoleão, Mussolini e Hitler revivem os feitos de conquistadores do pretérito, ocupando à força nações inermes; não tardam, porém, a conhecer o travo das transgressões às leis superiores, e seus países com eles.
Segundo os relatos do Velho Testamento, os judeus, intitulando-se “o povo eleito”, também destruíram cidades e mais cidades de prósperos reinados, passando ao fio da espada todos os que nelas encontravam: homens, mulheres, crianças, e até animais, como pacíficas ovelhas, bois e jumentos. David, um de seus reis, cuja insensibilidade foi de estarrecer, em cada cidade que tomava, mandava arrebanhar todos os seus moradores, ordenando friamente que passassem por cima deles carroças ferradas, que fossem serrados, esquartejados a cutelo, ou torrados em fornos de coser tijolos. O resultado dessa selvajaria, os judeus o colheram em longo período de provações, cujo remate foram os fuzilamentos, os flagícios em campos de concentração e o horror dos fornos crematórios, sob o guante de Eichmann, a besta-fera nazista.
Poderosa organização religiosa, apoiada pelo braço secular, torturou e assassinou barbaramente, enquanto pôde, todos quantos ousavam descrer de seus dogmas, revelavam possuir ideias mais avançadas, ou lhe verberavam a simonia; já começou, porém, a ser destruída aqui, ali e acolá, sofrendo, na própria carne, as violências de que fez uso e abuso.
Impossível prever até quando a Humanidade terrena permanecerá assim, oprimindo-se e dilacerando-se reciprocamente, no regime do “olho por olho e dente por dente”.
Acreditamos, entretanto, que, trabalhada pela Dor, cansada de sofrer, irá aprender um dia, – ainda que remoto – a lei sublime da “não resistência”, pregada e exemplificada pelo Cristo, conquistando então uma paz duradoura, e com ela a Felicidade, que é o destino final da Criação!
Páginas de Espiritismo Cristão
Rodolfo Calligaris