Edit Template

Governo dos Açores publica diploma que visa rentabilizar o património imobiliário e incentivar a reabilitação de imóveis devolutos da Região

O Governo Regional publicou ontem, em Diário da República, o Decreto Legislativo Regional que estabelece as normas aplicáveis à utilização e rentabilização do património imobiliário da Região Autónoma dos Açores (RAA).
A presente legislação estabelece a alienação de património imóvel excedentário da Região como uma “prática normal de gestão”, incentivando entidades privadas, sociais e cooperativas a adquirirem imóveis devolutos para reabilitação e reconversão com fins habitacionais, comerciais ou sociais.
Para facilitar este processo, é criado um portal do património imóvel da RAA, que centralizará informações sobre os imóveis devolutos disponíveis, promovendo “a sua utilização eficiente e atraindo potenciais investidores”.
O Governo dos Açores conclui também ser prioritário finalizar a inventariação iniciada em 2020, permitindo identificar imóveis que possam ser reabilitados para a instalação de serviços públicos. Para o executivo, este esforço reduziria a despesa pública com arrendamentos e libertaria imóveis privados actualmente ocupados pela Administração Pública Regional, devolvendo-os ao mercado para “atender às necessidades das famílias e empresas”.
Por fim, é citado que esta legislação visa aumentar a oferta imobiliária no mercado regional, aproveitando o vasto património devoluto da Administração Pública Regional e do sector público empresarial. O objectivo é promover habitação acessível, estimular novos negócios e reduzir custos públicos, consolidando “uma gestão mais sustentável e estratégica” dos activos imobiliários da Região.

Portal do Património Imóvel da RAA

O presente diploma estabelece as normas aplicáveis à utilização e rentabilização do património imobiliário da Região Autónoma dos Açores, definindo o regime jurídico da gestão dos imóveis, o regime de alienação de imóveis que fazem parte, e o plano de reconversão ou reabilitação de imóveis, tudo do domínio privado da RAA. Também estabelece a criação do Portal do Património Imóvel da RAA e a inventariação dos seus imóveis.
Isto aplica-se à gestão dos imóveis do domínio privado da RAA; ao regime de alienação de imóveis cujo titular do direito de propriedade seja a RAA ou os organismos públicos dotados de personalidade jurídica, com ou sem autonomia financeira, e as entidades que revistam a natureza, forma ou designação de empresa pública regional; à criação, gestão e manutenção do Portal do Património Imóvel da RAA; à inventariação do património imóvel da RAA. Não é aplicável à cedência de lotes e solos para construção de habitação social e ao arrendamento do património habitacional social da Região, que se regem por legislação própria.
O documento revela que o departamento do Governo Regional competente em matéria de finanças e património cria, nos termos definidos pelo presente diploma, o Portal do Património Imóvel da RAA, mantendo-o actualizado com todas as informações sobre os imóveis do domínio privado da Região disponíveis para futura rentabilização.
“A criação do Portal especializado em imobiliário público regional visa centralizar e apresentar a informação relevante sobre os imóveis e empreendimentos da administração pública regional directa e indirecta e do sector público empresarial regional disponíveis para venda, arrendamento ou concessão”, explica o diploma.
Com periodicidade trimestral, é verificada a lista de imóveis constantes do Programa de Inventariação do Património Imobiliário da RAA com o objectivo de se verificar quais os dados exigidos, no presente artigo, que não estão preenchidos e proceder-se à actualização dos elementos em falta, tendo em vista a permanente actualização do Portal do Património Imóvel da RAA. Neste sentido, é actualizada a lista de imóveis que tenham sido adquiridos pela Região; tenham sido deixados em herança, testamento ou por doação a favor da Região; tenham sido transferidos para o património da Região, nomeadamente por diploma ou por força do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores; sejam bens da Região que estejam em utilização por terceiros, nomeadamente por arrendamento, direito de superfície e cedência; tenham sido tomados de arrendamento pela Região; tenham sido alienados pela Região.
No que toca a prazos, até 30 de Novembro de cada ano, todos os serviços da Administração Pública Regional directa e indirecta e do sector público empresarial facultam ao membro do Governo Regional competente pela implementação do Programa de Inventariação do Património Imobiliário da RAA todas as informações sobre a existência de um plano de conservação e reabilitação dos bens imóveis que lhes estão afectos, bem como do estado de conservação dos mesmos. Também até ao final de cada ano, o membro do Governo Regional competente em matéria de finanças e património submete ao Conselho do Governo Regional um plano com a programação, para o ano seguinte, dos bens imóveis que não sejam necessários à prossecução de fins de interesse público e que serão incluídos no Portal do Património Imóvel da RAA para rentabilização futura.
Também se encontra estabelecido que o Governo Regional submete à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), até 31 de Dezembro de cada ano, um relatório do Programa de Inventariação do Património Imobiliário da RAA

“Necessidade de maximizar a eficiência da gestão do património público”

No respectivo documento é referido que a Região Autónoma dos Açores é proprietária de um vasto parque patrimonial imóvel, desde prédios rústicos a urbanos, “muitos deles devolutos, degradados e sem utilização, que poderiam estar alocados ao serviço da administração pública regional ou aos privados, como famílias e empresas”.
Em Maio de 2023, o Governo Regional declarou ser proprietário de 2418 imóveis, abrangendo imóveis de habitação, edifícios destinados a serviços da administração pública regional e imóveis cedidos a terceiros.
Em Abril de 2024, o Governo Regional revelou possuir 784 prédios rústicos, distribuídos pelas nove ilhas do arquipélago, e 3642 prédios urbanos, localizados nas nove ilhas e em Portugal continental.
Segundo a mesma fonte, os dados mais recentes evidenciam “discrepâncias significativas” no número de imóveis declarados pelo Governo Regional entre 2023 e 2024. Simultaneamente, a Região suporta “despesas superiores a 1,8 milhões de euros anuais em arrendamentos de imóveis”. No entanto, uma parte considerável do património imóvel da Região permanece inutilizada, “aumentando os custos regionais em pleno contexto de crise habitacional e de endividamento público”.
“Com a alternância democrática, consequência das eleições regionais de 2020, o XIII Governo Regional destacou a urgência de encarar o património público como um activo estratégico, e o XIV Governo Regional, dando continuidade ao Programa do seu antecessor, enfatiza a necessidade de reabilitar habitações degradadas, combater o despovoamento e racionalizar a despesa pública”, lê-se no diploma.
“Face à actual crise no sector da habitação, agravada pela dívida pública regional e pelo endividamento, torna-se evidente a necessidade de a RAA adoptar medidas concretas para rentabilizar o seu património imobiliário e gerar receitas extraordinárias, contribuindo assim para mitigar os défices anuais registados nas contas públicas regionais”, acrescenta.
Para o Governo dos Açores, a existência de património público “excedentário ou inadequado” à prestação do serviço público aos cidadãos e as novas necessidades de mobilização de activos imobiliários públicos para o desenvolvimento das políticas no sector da habitação pressupõem “a necessidade de maximizar a eficiência da gestão do património público, simultaneamente, à promoção de políticas estruturadas e indutoras de desenvolvimento social, económico, cultural e territorial”.

José Henrique Andrade

Edit Template
Notícias Recentes
Nunca o União Sportiva teve arranque assim
Ana da Silva, Directora Criativa da marca de Moda Anna Margarette, natural da ilha do Faial, apresentou a sua mais recente colecção, "Her/itage: Her Written Roots", no Hôtel Le Marois, em Paris, durante a Paris Fashion Week. Em declarações à imprensa, a jovem açoriana refere que esta colecção é um projecto profundamente pessoal, inspirado nas mulheres da minha família - a minha bisavó, a minha avó e a minha mãe -, todas costureiras e artesãs, cujo talento e criatividade marcaram o meu percurso e a minha identidade enquanto designer. Através desta colecção, diz, “procurei homenagear estas mulheres, que viveram em gerações nas quais nem sempre existia a liberdade de transformar a criatividade numa carreira profissional. É uma celebração do seu legado, mas também da liberdade e das oportunidades que a minha geração teve a possibilidade de conquistar”. Para além disso, sublinha Ana Da Silva que “um dos aspectos mais especiais desta colecção é a presença das minhas raízes açorianas, através da incorporação do tradicional bordado a palha sobre tule, originário da ilha do Faial, uma técnica artesanal rara, transmitida ao longo de gerações”. Diz também que foi “particularmente importante levar esta tradição açoriana até Paris, valorizando o nosso património cultural e demonstrando como o artesanato tradicional pode ganhar uma nova expressão na moda contemporânea”. A colecção inspira-se também no surrealismo, recorrendo a elementos simbólicos como os olhos e os pássaros. Cada elemento representa diferentes dimensões da memória, da identidade, da liberdade feminina e da herança transmitida entre gerações. "Her/itage: Her Written Roots" é, acima de tudo, uma homenagem às mulheres que vieram antes de mim. A sua criatividade nunca desapareceu, simplesmente encontrou uma nova voz através do meu trabalho, refere a jovem açoriana. Gostaria muito de partilhar esta história com o vosso órgão de comunicação social, não só pelo significado pessoal da coleção, mas também pela oportunidade de dar visibilidade ao património artesanal açoriano num palco internacional da moda.
Ana da Silva leva património artesanal açoriana à Semana da Moda de Paris
Portugal pede mais verbas para os Açores e Madeira à União Europeia porque “não há competitividade europeia sem coesão”
“Não se trata apenas de escolher um destino e reservar um hotel”, afirma o travel designer Hugo Oliveira
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2026 Correio dos Açores