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“Fazemos questão de proporcionar um ensino de qualidade não só a nível científico, mas também a nível humano”, afirma Carlos Amaral, Presidente do Conselho Executivo da ESAQ

A Escola Secundária Antero de Quental (ESAQ) assinalou ontem o seu 174.º aniversário com um conjunto de iniciativas ao longo do dia, incluindo duas sessões solenes destinadas à entrega de prémios de mérito académico e excelência aos alunos. Ao ‘Correio dos Açores’, Carlos Amaral, Presidente do Conselho Executivo, sublinhou que a prioridade da instituição continua a ser a qualidade do ensino e a formação cívica dos estudantes, num contexto marcado por desafios como o impacto da inteligência artificial e a exigente manutenção de um edifício histórico. A ESAQ integra actualmente cerca de 1.500 elementos, dos quais 1.200 são alunos, sendo os restantes professores, funcionários, assistentes operacionais e técnicos superiores.
Correio dos Açores – Como é que define estes 174 anos de história da Escola Secundária Antero de Quental?
Carlos Amaral (Presidente do Conselho Executivo) – Defino a Escola Antero de Quental (ESAQ) como uma instituição assente nos pilares de prestar uma qualidade de ensino acima da média, como demonstram os resultados nos exames nacionais, e que transmite valores como civismo, humanismo, auto-superação, sendo eles deixados pelo nosso patrono, Antero de Quental. Fazemos questão de proporcionar um ensino de qualidade não só a nível científico, mas também a nível humano.
Como é que assinalaram o aniversário que ocorreu ontem?
Celebramos, primeiramente, enfeitando a escola e cantando, numa primeira fase, os parabéns. Depois tiramos fotos com todos os docentes e funcionários e fizemos duas sessões solenes, uma para o terceiro ciclo e outra para o secundário, para distribuir os prémios de mérito académico e de excelência do ano passado, que é quando é possível obter as médias para atribuir esses diplomas.
Também todos os grupos disciplinares elaboraram eventos para este dia e convidamos escolas do concelho, sendo que só hoje de manhã já tivemos sete instituições do segundo ciclo, como a Roberto Ivens, também recebemos a visita de uma das Caldas da Rainha e uma outra da zona do Alentejo.
A efeméride de uma escola quase bicentenária e com um histórico brutal não pode comemorar o aniversário com uma simples cerimónia.

Qual é hoje a principal prioridade da instituição?
O nosso principal objectivo mantém-se, que é sermos pautados por uma boa qualidade de ensino e de transmissão de valores porque isso é que cria gente útil para a nossa sociedade. O nosso desígnio é preparar jovens, com bons princípios e bem apetrechados cientificamente, para a comunidade.

Quais é que são os maiores desafios que enfrenta?
Com a informação tão disponível e à distância de uma mão como a inteligência artificial torna-se difícil cativar os alunos a se prepararem e a estarem equipados com o conhecimento enquanto ele está disponível sem esforço nenhum.
O trabalho é essencialmente de os fazer valorizar e fazer com que percebam que o conhecimento é a base da sociedade, como diz o velho ditado, o saber não ocupa espaço e nós nos valorizamos quando realmente nos apetrechamos com argumentos não só científicos, mas também de valores. O desafio é de fazer com que os estudantes não abdiquem e não se auto formem nos seus objectivos e conhecimentos.

Como é que tem sido a evolução da escola ao longo do tempo? De que forma é que acompanham as tendências globais?
Somos uma escola tipicamente tradicional e somos direccionados para isso e até fazemos questão de tal, por isso, a nossa resistência à mudança é ligeiramente maior do que outras instituições menos tradicionais, mas tentamos nos adaptar aos novos tempos, tentando passar os valores, que são intemporais, juntamente com o conhecimento.
Portanto, nós vamos nos adequando, contudo com algumas dificuldades. Estamos instalados num palácio que tem uma tradição fantástica, mas um custo de manutenção muitíssimo elevado e os constrangimentos financeiros são transversais a todos as áreas e aí temos algumas dificuldades em mantermos condições físicas para realmente prestarmos o melhor ensino possível.
Mas com o esforço de todos, inclusive da Direcção Regional da Educação, que tem ajudado, mas é evidente que o edifício tem um custo acrescido muito substancial e fica complicado conciliar as excelentes condições que nos almejávamos, mas tem-se conseguido, a bom porto, resolver os problemas e realizar um bom trabalho, até porque temos uma classe de docentes bastante estável e que muito nos honra e que está um pouco acima da média.

Quantos pessoas fazem parte do Liceu? Qual a tendência futura para o número de membros da comunidade educativa?
A nossa comunidade educativa está à volta dos 1.500 professores, alunos e funcionários. Estudantes são cerca de 1.200 e o restante são professores, técnicos superiores, assistentes operacionais e funcionários.
Tendencialmente a nível global, como a natalidade tem decrescido, nota-se muito nas escolas da preferia a diminuírem o número de alunos. Como a Escola Secundária Antero de Quental e a Domingos Rebelo são as mais centrais e mais apetecíveis nós não sentimos isso, antes pelo contrário nós tínhamos decrescido um bocadinho anteriormente, mas estamos a aumentar novamente.
Há pessoas que acham que a instituição precisa de menos alunos e há docentes e funcionários que acreditam que devemos ter mais para voltarmos a ser a escola com mais estudantes.

Desde o início do seu mandato, quais é que foram as apostas mais importantes?
Essencialmente houve um grande foco na melhoria dos sistemas de controlo, sendo que no funcionamento existem sempre áreas a progredir.
Outro destaque muito importante para nós são as instalações. O nosso palácio está extremamente degradado e inclusive o Governo Regional anunciou no meu primeiro ano de enquanto presidente, 2023, que seria feita uma extensão à escola para também permitir deslocar aulas para o novo edifício e poder ser feita uma manutenção condigna e em segurança do palácio.
De resto, temos tentando nos adaptar às questões de segurança, que são cada vez mais prementes, e às de utilização de telemóveis. São várias iniciativas, onde tentamos nos adequar aos novos tempos de um modo equilibrado e saudável, porque realmente estamos naquele paradigma dos telemóveis, de inteligência artificial e das novas tecnologias que são extremamente cativantes para os alunos. Temos de arranjar alternativas para que os nossos estudantes possam ter uma vida saudável, ao ar livre e dotados de uma atitude cívica, intelectual e ética.

Quais são os próximos planos que tem para o futuro da instituição?
Queremos manter o nível da qualidade de ensino, normalmente estamos nos tops das médias dos exames nacionais e é importante manter essa educação. Pretendemos arranjar estratagemas para fazer uma manutenção do palácio, que é algo de valor incalculável e que exige uma manutenção urgente.

Que mensagem gostaria de deixar neste dia que assinalou o 174º aniversário da ESAQ?
Não desistam de se auto superarem, peço para lerem muito e serem boas pessoas. Sejam também membro activos e referências éticas para a nossa sociedade. A nossa escola concretiza o seu desígnio se realmente criar gente que sejam um exemplo em termos sociais seja pela sua conduta, valores ou cultura acumulada.
Diogo Simões Pires

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