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“Com a experimentação estamos a antecipar os problemas que podem vir. Não estamos à espera de uma forma reactiva do que nos pode acontecer”, afirma Jorge Rita

O Presidente da Associação Agrícola, Jorge Rita, esteve presente na apresentação de novas sementes para os agricultores e afirmou que “nestes campos experimentais temos um objectivo claro, que é antes de vendermos primeiro temos de semear e fazer a experimentação. Temos de promover a confiança para os agricultores perceberem ao ver estes campos de ensaio que quando semearem têm a garantia do produto. Depois de semearmos fazemos as analises das sementes e das variedades para garantir a qualidade final do produto. Isto para nós é fundamental para irmos de acordo ao objectivo de termos sementes mais resilientes, mais resistentes uma vez que as alterações climáticas fazem-nos estar sempre na vanguarda. Temos de ter melhores solos, com melhores fertilizante, adubações, melhor aproveitamento dos solos, mas essencialmente com melhores sementes”.
“O produtor, no seu rendimento, tem a ver com a sua receita e a sua despesa, mas também com a sua eficiência, que está relacionada com a qualidade de alimentos que pode proporcionar aos seus animais e que depois tem resultado final no preço do custo da própria produção. Claro que tudo o que semeamos e o que colhemos, e a forma como o fazemos, está associada a isso”, disse.
Para Jorge Rita, a situação hoje dos produtores é de uma exigência brutal. Não só em termos de burocracia, mas também com a questão de mão-de-obra e com a oscilação com a venda do preço dos nossos produtos, principalmente no sector do leite. O que temos de fazer, todos e em conjunto, é fazer com que o rendimento do agricultor se mantenha. O que estamos a dar são ferramentas a nível das sementes com melhores sementes, mais resistentes e com mais capacidade nutritiva para alimentar os animais. Este trabalho também tem de ser feito para que os agricultores, na pouca margem que têm, possam ser competitivos, porque sabemos que a questão de leite é o grande handicap da Região.
Segundo o Presidente da Associação Agrícola, “a nível de jovens agricultores podemos falar em números que estão entre os 10 e os 12 mil, mas produtores de leite são 2400. No continente são 1400 produtores de leite, então nos Açores há mais produtores de leite que a nível nacional. Tem havido uma grande saída de produtores e apesar de termos implementado medidas para que possam aderir ao sector, temos também de transmitir confiança. Os jovens agricultores para virem para esta actividade têm de ter confiança na sustentabilidade em toda a fileira. É um desafio para todos nós e temos de ir de encontro às suas expectativas porque o trabalho, todos nós o sabemos, é duro e no caso dos produtores de leite são 365 dias por ano e não há muitas profissões que tenham esta exigência. O rendimento deles tem de estar sempre salvaguardado e urge na Região Autónoma dos Açores termos uma política bem definia em que a valorização dos nossos produtos tem de ser uma obrigação para que depois os agricultores possam todos ganhar”.
Questionado sobre o que contêm os campos, afirmou que “temos várias sementes de graminhas, precisamente para que quando se fizerem as sementeiras não seja necessário repeti-las todos os anos, porque tem um custo muito elevado. Estas são mais capacidades em termos de resistência e adaptam-se a vários locais da própria ilha. Depois através de exames conseguimos ver quais são os alimentos mais nutritivos para valorizar quer o leite quer a carne, quer a própria alimentação dos animais”.
“Falamos com empresas que têm um grande ‘know-how’ e que já fazem experimentação há muito tempo. Depois queremos adaptar ao nosso clima que é único no mundo. Pretendemos sempre que o nosso trabalho esteja alocado cientificamente, neste caso a nível das sementes, que acaba por ter um valor acrescentado na produção com ganhos de eficiência substâncias na alimentação dos animais”, disse.
“Com a experimentação estamos a antecipar os problemas que podem vir. Não estamos à espera de uma forma reactiva do que nos pode acontecer. Há zonas de pastagem que vão deixar de o ser, nas zonas mais altas, e nós temos de potenciar o nosso solo, preservá-lo e adaptar as melhores sementes à realidade dos nossos solos e às alterações climáticas que aí vêm. Somos uma sociedade conservadora. As mudanças fazem-se com as pessoas novas e com comunicação onde as pessoas vão percebendo que há formas que têm de se alterar. Os nossos agricultores são muito bem formados, e sendo o leite o sector agrícola mais importante da Região, embora o sector da carne seja um sector que está a imergir muito, é fundamental que as outras produções, como as hortícolas, cresçam”, afirmou Jorge Rita.
Para Jorge Rita “há um grande desafio para todos, e temos visto isto com as intempéries, que são os seguros agrícolas. Para que os agricultores ganhem confiança nas suas produções alternativas ao sector leiteiro. Normalmente não há seguros agrícolas e se há uma tempestade temos de pedir ajuda ao Governo, algo que acontece a nível nacional e europeu. Tem de ser transversal a toda agricultura na hora, seja na sementeira e na colheita. Porque, em situação de catástrofe, alivia a pressão das verbas regionais. E isto é algo que já defendo há muito tempo. É algo indispensável para a confiança dos agricultores”.

Novas variedades e a experimentação

De acordo com um responsável da Associação Agrícola, “tivemos a preocupação de experimentar novas variedades e antes de comercializar temos a preocupação de ver, não só nos campos experimentais de Santana, mas em vários locais da ilha para dar mais confiança e melhorar a nossa eficiência.”
Já Nuno Dias afirmou que “estes campos só fazem sentido porque temos agricultores. Este campo experimental tem como objectivo seleccionar variedades e fazermos misturas com estas mesmas variedades no sentido de encontrarmos as variedades que se adaptam ás nossas condições climáticas e também ao maneio das nossas explorações.
“Este campo está dividido em duas zonas: uma onde se realizaram ensaios em extremo (sozinhas) e outra onde se misturaram as variedades em co-associação. Em qualquer uma das zonas temos critérios diferentes de avaliação, sendo um deles a avaliação da ferrugem que tanto afecta. Para alem disso, avaliamos a consistência, valor nutritivo e quantidade”, prosseguiu.
Nuno Dias alertou ainda que “não vale a pena estarmos a fazer as melhores misturas senão houver uma boa gestão da pastagem. É importantíssimo, e lembro-me de três coisas essenciais: a data da sementeira, a data e a saída das pastagens e a altura em que se tira os animais da pastagem. Outro ponto essencial é o período de recuperação da pastagem e também não se deve entrar nas pastagens com grande humidade.
“Temos algumas variedades que são novas até em termos mundiais. Porque a Barenbrug e Lusosem estão a testar variedades que daqui a alguns anos serão substitutas de algumas que estão cá já. Fazer uma variedade demora 20 anos e a lógica de todo o melhoramento é a vaca. A vaca precisa de proteína, açúcar, fibra e digestibilidade”, afirmou o responsável da Barenbrug.
Para os especialistas, “o objectivo principal em termos de alimentação das ervas é proteína. As ervas, juntamente com as leguminosas, podem ser uma fonte de proteína importante. A energia virá do milho, e a proteína vira da erva que é fundamental para o crescimento da vaca e o melhoramento da genética é fundamental para atingir níveis de proteína mais elevados”.
“O objectivo quando se faz um melhoramento é escolher um tema e actuar nesse mesmo tema. Haverá variedades para a salinidade, digestibilidade, níveis de proteína e níveis de ferrugem. O melhoramento de qualquer planta é baseado o em critério e para actuar em determinados pontos, logo podem haver variedades diferentes para objectivos diferentes em agricultores diferentes. Uma vez que cada variedade vai ter as suas vantagens e desvantagens, não há variedades perfeitas, o conceito de misturas é um conceito que cada vez se vai trabalhar”, finalizaram.
FF

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