O mestrado em Gestão de Empresas, MBA, da Universidade dos Açores tem um novo Director. Gualter Câmara aceitou o convite e, embora ressalve a importância do contributo dos seus antecessores, pretende dar o seu cunho pessoal ao curso. Ao ‘Correio dos Açores’ esclarece quais as vantagens e desvantagens do mestrado, quem o pode tirar e assume: “a oferta de um MBA é fundamental para qualquer instituição de ensino superior que pretenda afirmar-se na área das ciências empresariais”.
Correio dos Açores – Como chegou a Director do Mestrado em Gestão de Empresas (MBA) na Universidade dos Açores?
Gualter Câmara (novo Director do Mestrado em Gestão de Empresas) – Já estava integrado na Universidade dos Açores, com atividade docente nas áreas de Economia e Gestão, incluindo os mestrados. Este percurso permitiu-me conhecer bem o funcionamento do curso, o seu posicionamento e o seu potencial. A nomeação pelo Presidente da Universidade, Professor João Teixeira, foi um convite que aceitei com sentido de responsabilidade, mas também com entusiasmo.
Do ponto de vista académico, assumir funções de direcção é um passo natural na carreira, na medida em que conjuga a dimensão pedagógica com a capacidade de intervenção estratégica. Mas, mais do que isso, encaro esta função como uma oportunidade de contribuir activamente para o reforço da oferta formativa da Universidade e para a valorização do MBA enquanto programa estruturante.
O MBA é, na minha perspectiva, um curso com enorme potencial. Trata-se de um programa abrangente, que permite uma visão integrada da gestão e que pode ter um impacto real tanto ao nível individual como no tecido empresarial regional. Acredito que há ainda margem significativa para crescer, seja em número de alunos, seja na diversidade de perfis que conseguimos atrair.
Quais são as vantagens para alguém que não é da área de Economia ou Gestão em frequentar um MBA?
O MBA tem precisamente essa característica distintiva: não se dirige exclusivamente a quem já tem formação em gestão. Pelo contrário, é especialmente relevante para profissionais de outras áreas que, ao longo do seu percurso, assumem ou pretendem assumir funções de decisão, coordenação ou liderança.
Na prática, vemos isso acontecer com frequência. Profissionais como engenheiros, arquitectos, advogados ou médicos acabam por gerir equipas, projectos ou até os seus próprios negócios. O MBA surge como uma ferramenta executiva que lhes permite adquirir uma base sólida em gestão, compreender melhor o funcionamento das organizações e tomar decisões mais informadas.
Mais do que formar gestores de raiz, o MBA contribui para formar profissionais mais completos, capazes de articular o seu conhecimento técnico com competências de gestão, planeamento e estratégia. Essa combinação é hoje particularmente valorizada no mercado de trabalho e faz toda a diferença do ponto de vista da gestão operacional e estratégica dos negócios.
Que dificuldades podem surgir para quem não tem formação de base na área?
Naturalmente, existem desafios. O plano curricular do MBA cobre áreas fundamentais como contabilidade, finanças, estatística, comportamento organizacional e recursos humanos. Para quem não tem contacto prévio com algumas destas áreas, pode haver uma fase inicial de adaptação.
No entanto, essas dificuldades são superáveis. O curso está estruturado de forma a permitir uma progressão gradual, e o corpo docente (altamente qualificado e especializado) assegura um acompanhamento próximo dos estudantes.
Mais do que um obstáculo, vejo esse desafio como parte integrante do processo de aprendizagem. Com dedicação, consistência e apoio adequado, os alunos conseguem não só acompanhar, mas também retirar um benefício muito significativo dessa diversidade de conteúdos.
Qual é a importância deste tipo de mestrado para a Universidade dos Açores?
A oferta de um MBA é fundamental para qualquer instituição de ensino superior que pretenda afirmar-se na área das ciências empresariais. No caso da Universidade dos Açores, esse papel assume ainda maior relevância. O MBA responde a uma necessidade muito concreta: melhorar a qualidade da gestão. E isso não é teórico. Reflete-se na forma como as decisões são tomadas, na forma como as empresas se organizam e na capacidade que têm de crescer de forma sustentada. Quando essa melhoria acontece de forma consistente, o impacto sente-se naturalmente na economia.
O MBA tem tido boa adesão por parte dos alunos?
O MBA tem tido uma boa adesão e é reconhecido pelo valor que acrescenta aos percursos profissionais. Ainda assim, há margem clara para crescer.
Acredito que existem muitos profissionais que beneficiariam desta formação, mas que, por diferentes razões, ainda não a consideram como opção. Parte do nosso trabalho passa precisamente por tornar esse valor mais visível e mais evidente.
Como pretende chegar a mais candidatos?
Promover é importante, mas não é suficiente. Temos de estar mais próximos das empresas e das pessoas. Já existe trabalho relevante feito nessa área, nomeadamente ao nível das parcerias, mas acredito que podemos ir mais longe. O MBA deve traduzir-se em competências com aplicação concreta no contexto profissional, o que exige uma ligação efetiva ao mercado.
Por outro lado, há uma oportunidade clara que quero explorar: a articulação entre áreas técnicas, como a informática, e a gestão. Hoje, alguém pode trabalhar a partir dos Açores para o mercado internacional. Se combinarmos competências técnicas com capacidade de gestão, estamos a dar às pessoas uma vantagem competitiva real, e esse é um argumento muito forte.
Naturalmente, este caminho só é possível graças ao excelente trabalho realizado pelos meus antecessores.
A nível pessoal, como encara esta função?
Assumir esta responsabilidade implica, naturalmente, um esforço adicional. Mas encaro-o de forma muito positiva. Identifico-me com os projectos em que me envolvo e vejo este cargo como uma oportunidade de deixar o meu contributo concreto.
Há uma dimensão de exigência, mas também de realização pessoal e profissional. É a possibilidade de participar activamente na construção e evolução de um projeto que considero relevante para a Universidade e para a região.
Até que ponto o MBA pode contribuir para a economia dos Açores?
O MBA não é, por si só, uma solução para todos os desafios económicos da região, mas pode desempenhar um papel relevante.
Ao formar profissionais mais preparados para gerir, decidir e inovar, o MBA tem impacto directo na forma como as empresas operam. Empresas melhor geridas tendem a ser mais produtivas, mais competitivas e mais sustentáveis.
Esse efeito é gradual, mas cumulativo. À medida que mais pessoas adquirem estas competências, reforça-se a qualidade do tecido empresarial e criam-se condições para um crescimento mais sólido e consistente.
No essencial, trata-se de investir em capital humano: um dos principais motores do desenvolvimento económico. O MBA é uma parte desse caminho, ao preparar profissionais capazes de responder aos desafios actuais e aproveitar oportunidades num contexto cada vez mais global.
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