O sector necessita de uma abordagem mais antecipada, segmentada e orientada por
métricas de desempenho, assegurando maior resiliência nos meses de menor procura
e sustentabilidade no crescimento global do turismo açoriano”, dizem os empresários…
Depois de os Açores terem levado o arquipélago a Lisboa para a participação na BTL, a maior feira de Turismo nacional, e cujo mercado português é muito importante para a Região, e conhecidos os números negativos do turismo regional em Janeiro, os empresários ligados à Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, que abrange as ilhas de São Miguel e Santa Maria, manifestam a sua preocupação com o que se está a passar no sector.
Numa nota à imprensa, a direcção desta organização empresarial, presidida por Gualter Couto, dá conta de que com a baixa no números de turistas (-5,1% no Inverno IATA até ao final de Janeiro deste ano face a igual período de 2025), “em termos económicos, assumindo uma despesa média por turista actualizada de 1.036€, esta quebra traduz-se numa perda estimada de cerca de 8,1 milhões de euros de impacto directo. Aplicando o multiplicador económico do sector na RAA (1,35), o impacto total (directo, indirecto e induzido) ascende a aproximadamente 11 milhões de euros.
Em termos de contributo para o PIB regional (VAB), a redução estimada situa-se em cerca de 6 milhões de euros, apenas nestes três meses. E neste contexto, os empresários defendem novas estratégias.
A direcção de Gualter Couto as preocupações da CCIPD tornam-se cada vez mais relevantes e importa centrar o debate nas medidas estruturais necessárias ao combate à sazonalidade, que continua a ser o principal desafio estratégico do turismo açoriano”.
Para os empresários, “o inverno turístico não pode ser preparado de forma reactiva. Deve começar a ser vendido antes do término do verão IATA, e a sua estruturação deve ser planeada com, pelo menos, um ano de antecedência, envolvendo todos os agentes da cadeia de valor”.
Referem que “o combate eficaz à sazonalidade exige uma abordagem baseada em dados e segmentação de mercados. É fundamental identificar e priorizar os mercados com ligações aéreas directas durante o inverno, como é o caso do mercado Nacional, Estados Unidos da América e Canadá, bem como aqueles que, mesmo não dispondo de ligações directas, demonstram potencial de crescimento sustentado nesta época do ano, como é o caso da Alemanha, França e alguns países da Europa de Leste”.
Neste contexto, os empresários opinam que “a promoção do destino deve evoluir para um modelo mais orientado para conversão e vendas efectivas”.
Na sua leitura, a CCIPD defende que uma parte significativa do investimento na promoção deve ser direccionado, a saber: Campanhas digitais integradas e transversais a todas as ilhas; Promoção específica da época baixa (Outubro a Março); Envolvimento estruturado das companhias aéreas que operam no Inverno IATA; Criação de plataforma agregadora que integre a generalidade da oferta regional (hotelaria, alojamento local, TER, rent-a-car e animação turística).
Olhando para os números. Os empresários registam que os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) relativos a Janeiro de 2026 “confirmam um cenário preocupante para o sector do turismo na Região, evidenciando um decréscimo relevante de hóspedes e dormidas face ao período homólogo. Estes resultados reforçam sinais de agravamento da sazonalidade no inverno IATA 2025/26, num contexto em que outras regiões com características semelhantes, como a Madeira, apresentam trajectórias distintas”. E ainda reportando-se aos dados do SREA, em Janeiro de 2026, os Açores registaram em alojamentos turísticos (hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural) um decréscimo homólogo de -9,9% nas dormidas e uma estada média de 2,73 noites. No conjunto dos estabelecimentos, a hotelaria apresentou a menor quebra face a Janeiro de 2025, -3,8%, enquanto o alojamento local registou -18,9%, e o turismo no espaço rural -20,5% das dormidas.
Considerando apenas a hotelaria e o alojamento local, São Miguel — que concentra cerca de 70,8% do total regional nestas duas tipologias — registou uma variação homóloga negativa de -11,2%, distribuída por -3,5% na hotelaria e -23,2% das dormidas no alojamento local.
Quando analisada a evolução do sector no Inverno IATA e quando comparado o número de hóspedes na hotelaria tradicional e no alojamento local, no período do Inverno IATA 2025/26 até final de Janeiro, verifica-se que este período regista 146.227 hóspedes, face a 154.088 no período homólogo de 2024/25. Esta diferença corresponde a uma redução de 7.861 hóspedes (-5,1%).
Com este cenário, a CCIPD entende que “os resultados agora divulgados devem constituir um ponto de inflexão na estratégia promocional do destino”.
Mais. “O sector necessita de uma abordagem mais antecipada, segmentada e orientada por métricas de desempenho, assegurando maior resiliência nos meses de menor procura e sustentabilidade no crescimento global do turismo açoriano”, como se lê na nota divulgada à imprensa.
N.C.
