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Entre 2015 e 2025, 14 mil voluntários recolheram mais de 115 mil quilos de lixo marinho nos Açores

A Direcção Regional de Políticas Marítimas divulgou o Relatório Técnico das Campanhas Voluntárias de Limpeza Costeira e Subaquática referentes ao período 2015–2025, documento que consolida a informação recolhida no âmbito do Plano de Acção para o Lixo Marinho nos Açores (PALMA) e integra dados associados a iniciativas desenvolvidas pela Região em articulação com projectos como o Life IP Azores Natura e o CircularOcean. O relatório reúne uma década de monitorização de campanhas costeiras e subaquáticas, apresentando indicadores de abundância de resíduos, densidade, composição e classificação ambiental dos locais intervencionados.
Entre 2015 e 2025, foram realizadas 690 campanhas de limpeza costeira (657) e subaquática (33) na Região, com registo sistemático de volumes recolhidos, localização e classificação dos troços.
Ao longo destes dez anos, foram realizadas 45 campanhas em Santa Maria, 161 em São Miguel, 132 na Terceira, 82 em São Jorge, 76 no Pico, 89 no Faial, 53 na Graciosa, 42 nas Flores e 10 no Corvo, num total regional de 14 036 voluntários envolvidos. No conjunto destas acções, foram recolhidos 115.744 quilos de resíduos.
No ano passado, registaram-se 91 acções de limpeza, mobilizando 1.968 voluntários. Nesse ano, a recolha totalizou 11.313 quilos de resíduos

101 toneladas de resíduos
recolhidos em limpezas costeiras

Relativamente às limpezas costeiras, estas permitiram recolher mais de 101 toneladas de resíduos sólidos ao longo da década. As campanhas envolveram 12.841 voluntários, com maior mobilização em São Miguel (4.310), Terceira (2.506) e São Jorge (1.773). A média de participantes por campanha oscilou entre os 11 e os 26 voluntários
A ilha do Pico registou a maior média de lixo recolhido por campanha (408,4 quilos), seguida por São Miguel, Terceira e Flores. Em ilhas menos populosas, como o Corvo e a Graciosa, os volumes totais foram menores, mas pontualmente registaram-se densidades elevadas.
A evolução temporal mostra um pico de massa recolhida em 2016 (324,6 quilos por campanha), com estabilização entre os 120 e os 150 quilos nos anos recentes. Segundo o relatório, estas variações reflectem não apenas a presença de resíduos, mas também o esforço de cada acção, influenciado pelo número de participantes, extensão limpa e condições meteorológicas.
A mesma fonte relata que os picos de abundância foram associados a zonas com acumulação histórica ou deposição episódica, enquanto valores reduzidos apontam para áreas previamente intervencionadas ou campanhas com menor capacidade logística.
A densidade média de resíduos recolhidos nas acções costeiras, medida em quilos/100 m, evidenciou forte assimetria entre 2015 e 2025. A média global foi de 60,1 quilos/100 m, mas a mediana situou-se nos 18,3 quilos/100 m, reflectindo episódios localizados de deposição intensa.
O valor anual mais elevado ocorreu em 2019, com médias superiores a 150 quilos/100 m. Entre 2021 e 2025 verificou-se estabilização em níveis inferiores (40–50 quilos/100 m) e, em 2025, um dos valores mais baixos do período (39 quilos/100 m), embora persistam troços classificados como “Crítico”.
Necessário referir que os limiares usados para campanhas costeiras definem: >125 kg/100 m como “Crítico”; 50–125 kg/100 m como “Moderado”; ≤50 kg/100 m como “Limpo” (situação em que se encontra a maioria dos locais analisados).

Plástico é o resíduo
dominante em todas as ilhas

A composição dos resíduos recolhidos apresenta também uma variação inter-ilhas, influenciada pela densidade populacional, actividades económicas e dinâmica costeira. De acordo com o relatório, a diversidade das tipologias revela níveis distintos de pressão humana e a existência de zonas com acumulação persistente.
Os plásticos foram a fracção dominante em todas as ilhas, com maior expressão na Terceira (10.535 quilos), São Miguel (8.607 quilos) e São Jorge (4.557 quilos): vidro e metal registaram valores significativos no Pico, Faial e São Miguel, associados a pressões urbanas e portuárias. No Pico, a categoria de indiferenciados atingiu os 11.925 quilos, sugerindo a existência de acumulação de resíduos degradados ou deficiências de triagem; madeira apresentou valores expressivos em São Miguel e no Pico, podendo corresponder tanto a detritos naturais como a materiais degradados de origem humana; fracções como têxteis, papel/cartão e borracha surgiram de forma residual, mas presente em quase todas as ilhas.

Faial e São Jorge concentraram
o maior volume acumulado
de resíduos submersos

No âmbito subaquático, foram realizadas 33 campanhas entre 2015 e 2025, com maior incidência em São Miguel (9) e no Pico (6). O número anual de acções variou entre 1 e 5, com maior actividade entre 2020 e 2022. Dessas 33 campanhas, 14 ocorreram em áreas protegidas, embora entre 2022 e 2025 não tenham sido registadas intervenções deste tipo.
O Faial e São Jorge concentraram o maior volume acumulado de resíduos submersos (cerca de 6.500 quilos), com destaque para a recolha de borracha em São Jorge (>5.000 quilos), sobretudo pneus. No Faial, foram recolhidos cerca de 560 quilos de resíduos indiferenciados, sugerindo a ocorrência de acumulação histórica. As ilhas Terceira e Santa Maria registaram presença frequente de vidro e metais. O documento salienta que a ausência recente de campanhas compromete a representatividade espacial da série.
A densidade média anual de resíduos subaquáticos (quilos/m²) mostrou elevada variabilidade. Em zonas críticas, como fundos portuários, registaram-se valores superiores a 3,38 quilos/m². Em 2015 e 2022, as densidades ultrapassaram o limiar de 0,7 quilos/m², classificando os locais como “Crítico”. Nos restantes anos, valores abaixo de 0,2 quilos/m² enquadraram a maioria das áreas como “Limpas”.
A classificação ambiental para resíduos subaquáticos usa limiares de ≤0,2 quilos/m² (“Limpo”), 0,2–0,7 quilos/m² (“Moderado”) e >0,7 quilos/m² (“Crítico”). A análise revela variabilidade inter-anual e a influência de episódios pontuais.
Os maiores impactos concentram-se em infra-estruturas náuticas, embora zonas de mergulho apresentem também resíduos persistentes. Picos de classificação “Crítica” coincidiram com intervenções em áreas urbanas e portuárias.
A composição dos resíduos subaquáticos mostra predominância de materiais persistentes associados a actividades náuticas, nomeadamente plásticos (cabos, embalagens e fragmentos) e borracha, frequentemente relacionada com pneus. Metais e vidro surgem de forma relevante em áreas de uso intensivo e de fraca hidrodinâmica, favorecendo a acumulação. A categoria de indiferenciados, quando elevada, aponta para resíduos muito degradados ou limitações na triagem. Materiais menos representativos (têxteis, papel/cartão e madeira) indicam contributos de origem urbana e transporte por linhas de água ou por eventos extremos.

Acumulação é maioritariamente
localizada em contextos portuários
e infra-estruturas náuticas

Portanto, podemos concluir que, na componente subaquática, a acumulação é maioritariamente localizada em contextos portuários e infra-estruturas náuticas. De acordo com o relatório, uma aplicação de limiares estatísticos permitiu identificar áreas prioritárias e situações críticas. A predominância de materiais duradouros, ou seja, plásticos na vertente costeira e borracha e metais, reforça a necessidade de medidas preventivas e de uma gestão diferenciada.
Para além destas conclusões, as recomendações estabelecidas no final do relatório incluem o reforço da cobertura espacial e temporal, com revisitas a locais críticos; a padronização de metodologias e registos; a consolidação de indicadores ambientais; o reforço da articulação institucional com entidades regionais e operadores locais; e o aprofundamento da sensibilização pública e do envolvimento comunitário.
JHA

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