Aos 17 anos de idade, a terceirense Júlia Leal já é uma das principais figuras do ténis de mesa em Portugal. Depois de ter ajudado o Juncal a conquistar o título nacional, pela segunda vez consecutiva, Júlia Leal está em Londres, integrada na selecção A de Portugal que está a disputar o Campeonato do Mundo de equipas, a mais importante prova do calendário internacional deste ano.
O Juncal conquistou o bicampeonato nacional de ténis de mesa, feito inédito no seu historial, frente ao Mirandela, que dominou a modalidade durante mais de vinte anos. O que lhe vai na alma após esta conquista?
Estou com muita emoção. Jogamos bem. É um momento incrível que vai ficar para a história e que queremos repetir.
De que forma vê uma época, em que o Juncal só perdeu um jogo, na meia-final, frente ao União Sebastianense. Como se construiu um Juncal tão forte?
Fomos sempre muito constantes durante a época toda. Se uma jogadora perdia um jogo, as outras duas estavam lá para ganhar os outros jogos, por isso, conseguimos estar sempre em alto nível e só perdemos um jogo, onde as nossas adversárias foram superiores.
Vai continuar a representar o Juncal ou existe a possibilidade de representar outro clube?
Pretendo continuar no Juncal. Este clube é a minha casa e devo muito a ele. A forma como posso contribuir é ajudar a trazer títulos.
Poucos dias depois de disputar o título de campeão nacional com o Juncal, está integrada na selecção A de Portugal a disputar o Campeonato Mundial de equipas, que decorre em Londres. Como vê esta nova convocatória para representar Portugal ao mais alto nível, pela segunda vez, na selecção principal?
Já a primeira convocatória foi uma surpresa e nessa altura fiquei muito feliz. Mantive os meus resultados constantes, por isso, surge, agora, esta segunda chamada para a selecção A.
Creio que mereço esta convocatória para o Mundial pelo que tenho feito ao longo da presente época.
Quais são as expectativas para a participação numa competição como o Mundial?
Vou aproveitar o máximo, porque é uma grande experiência, uma vez que vão estar em competição grandes jogadores e jogadoras. Pretendo ajudar a equipa o máximo que conseguir e dar tudo o que posso dar.
Tem competido em torneios em diversos países europeus. Esses momentos foram importantes, tendo em vista a sua participação no Mundial?
Sim, todos os torneios são importantes, tanto para o meu ranking, como para poder participar em outras competições.
Centro de Alto Rendimento
Está integrada no Centro de Alto Rendimento de Gaia. Quais são as dificuldades de estar longe da família e também as vantagens que isso lhe tem trazido para a sua evolução como atleta?
O Centro de Alto Rendimento de Gaia é incrível e tem-me ajudado muito a evoluir. Se não estivesse lá, não acredito que estaria ao nível que estou actualmente. Tem-me ajudado imenso de várias formas.
Claro que é um bocado difícil de estar longe de casa, ainda por cima quando era muito nova, porque fui para o Centro de Alto Rendimento de Gaia com 12 anos. É triste, mas tenho demonstrado com meus resultados que tem valido a pena estar lá.
Tenho uma bolsa que é válida até aos 19 anos e, depois disso, posso continuar a treinar no Centro de Alto Rendimento de Gaia, mas também vou para a universidade e a situação, nessa altura, pode ser diferente.
Objectivo dos Jogos Olímpicos
Foi vice-campeã de seniores esta época a nível individual. Quais são os seus objectivos desportivos para a próxima temporada?
Ainda sou atleta Sub19, por isso, terei como objectivo ganhar o título do meu escalão. No que se refere aos seniores, vou procurar fazer melhor, o que quer dizer ficar em primeiro lugar.
Mas também é importante alcançar resultados constantes, ao longo da época, para continuar a representar a selecção portuguesa e ter vitórias importantes.
E quem sabe, representar Portugal nos Jogos Olímpicos?
Será difícil, mas é um objectivo. Mas para que isso seja possível, é preciso continuar a treinar, porque os meus resultados podem ainda ser mais constantes e há ainda aspectos a melhorar no meu jogo.
