Os democrata-cristãos da Terceira reflectiram e debateram sobre a actual situação política regional e as suas consequências para a governação dos Açores, no geral, e para a Terceira, em particular.
Em nota, os centristas referem que “no centro das preocupações estiveram, sobretudo, o estado da saúde, da mobilidade, do turismo e das finanças, sendo estes os principais causadores da própria instabilidade governativa, muito para além das recentes declarações do Presidente do PSD/A e do Governo Regional a que se atribui a “extrema unção da coligação”, citando um conhecido articulista da nossa praça. Articulista que muito bem identifica os problemas, faltando, contudo, identificar os protagonistas, sendo que todos, sem excepção, dizem respeito a pastas tuteladas por governantes sociais-democratas”.
Quando se comemoram os 50 anos da Autonomia, o CDS diz que em vez de fazer eventos de croquete, decidiu promover um ciclo de conferências, a que deu o nome de “Reflectir a Autonomia”, sem medo e sem amarras, por muito que custe a alguns, sobretudo os que protagonizam interesses instalados. “Como não poderia deixar de ser, começámos pela Saúde, e como este ano também se comemoram os 50 anos de Liberdade, o CDS, em liberdade, reflecte sobre os problemas que mais directamente prejudicam e preocupam os açorianos. Com a saúde à cabeça, que deverá sempre estar unicamente centrada no utente, e absolutamente indiferente a interesses corporativistas, como parece ser defendido por algumas entidades com responsabilidades políticas em gestão de saúde”.
Mais. “Sem medo, o CDS opõe-se veementemente a formas de centralismo serôdio e, sobretudo, ao duplo centralismo micaelense, com Ponta Delgada a secar o resto da ilha. 50 anos volvidos da grande conquista autonómica, este centralismo será provavelmente a causa da sua implosão. Este centralismo bafiento é, aliás, patente em comunicados de órgãos de ilha e de responsáveis técnicos e políticos em resposta à conferência do CDS relativamente ao pretenso Hospital Central e Universitário. (…) Se o modelar foi criado para permitir a reabilitação do HDES, a pergunta que se impõe fazer à Secretária eleita pelo círculo da Terceira é: por que motivo não está reabilitada a urgência e a ala oeste vazia, por exemplo? O CDS defende a complementaridade e a redundância do SRS, mesmo dentro da ilha de São Miguel, e discorda frontalmente da estranha e inusitada entrevista de Luís Maurício – Presidente da comissão de análise (nomeado pela tutela) das obras do HDES – ao dizer que um hospital na Ribeira Grande não faz sentido por ficar a 20 minutos de Ponta Delgada. Já agora, como na referida entrevista, é dado o exemplo do Garcia da Horta, importa lembrar, também a título de exemplo, que tanto o Hospital do Barreiro como o de Setúbal distam daquele os mesmos 30 minutos”.
Para os centristas, “a Assembleia de Ilha recomendou aos órgãos do CDS Açores que se pronunciem quanto à legitimidade deste profissional de saúde desempenhar tais funções, dado que parecem existir contornos que configuram conflitos de interesses.
Por sua vez, a Assembleia da Ilha Terceira do CDS exorta o PSD/Terceira a tomar posição pública sobre as declarações proferidas a favor do HDES enquanto Hospital Central, em detrimento da necessária redundância, que melhor serve a Terceira e os Açores. Também instamos as estruturas de ilha e concelhias do PSD das restantes ilhas a pronunciarem-se publicamente sobre este assunto, uma vez que o mesmo impacta diretamente na prestação de cuidados de saúde dos açorianos de oito ilhas”.
Em suma, nã nota o CDS diz que “não se opõe, nem nunca se opôs à reabilitação do HDES, antes pelo contrário. Nunca nos opusemos aos Centro de Saúde das Lajes do Pico, nem à reabilitação do Centro de Saúde das Velas de São Jorge, nem à remodelação do Hospital da Horta. Antes pelo contrário… Ninguém contesta que o HDES é o maior hospital dos Açores e que é um hospital universitário. O que não aceitamos é que o usem para promover interesses alheios à saúde dos doentes e a favor de lobbies e interesses, subscrevendo e reiterando, sem reservas, as posições do seu líder, Artur Lima”.
Em suma, os democrata-cristãos sublinham que “foi reiterado pelos membros da Assembleia da Ilha Terceira do CDS que o partido jamais abdicará da sua identidade própria e preservará sempre a sua autonomia estratégica e de decisão quanto ao presente e futuro da governação da Região Autónoma dos Açores”.
