A época terminou para a equipa feminina do Clube Kairós (K). A classificação ditou um oitavo lugar inesperado, principalmente após ter sido sétima posicionada na primeira fase, com 9 vitórias e 13 derrotas nos 22 jogos.
No “play off” de apuramento do campeão o Clube K defrontou o segundo classificado, o Sporting de Braga, cuja aposta forte na modalidade leva-o a estar empatado a um jogo com o FC Porto na discussão do título, perdido na época passada na final, por três jogos a dois, para o SL Benfica. Derrota natural nos dois jogos.
Seguiu-se a formação portuense do Projecto Volei2014/Colégio Efanor. Previam-se jogos equilibrados. Porém, com o triunfo no Porto e realizando o jogo seguinte em Ponta Delgada, a percentagem de um triunfo na partida e na eliminatória aumentou. Uma porta aberta para terminar em 5.º ou em 6.º lugares. Afinal a derrota levou a um terceiro jogo novamente no Porto, porque a equipa do Colégio Efanor foi melhor classificada na primeira fase. Nova derrota por 3-1!
Restava tentar o sétimo lugar. O adversário foi o Vitória SC. A expectativa reduziu com a derrota em Guimarães por 3-0 (17-25; 22-25 e 24-26). Porém, a porta permanecia aberta para repetir a posição da primeira fase com os dois jogos em Ponta Delgada. O resultado da primeira fase de 3-0 (25-22; 30-28 e 25-17) era sinónimo de êxito. Só que ao baquear no passado domingo, em Ponta Delgada, por 3-0 (24-26; 18-25 e 23-25), em 1 hora e 31 minutos, o Clube K desceu para o 8.º lugar. A terceira pior classificação em 15 participações na I Divisão.
As prestações da formação caíram na parte final do campeonato. Apenas duas vitórias em 11 jogos do campeonato e num da Taça de Portugal. Averbou quatro derrotas seguidas nos últimos sete desafios e em oito encontros somou apenas um triunfo. São números que confirmam a quebra e a real valia do conjunto.
A equipa desta época não teve a consistência das anteriores. A qualidade tem vindo a baixar. É fruto da redução orçamental que o clube dispõe, com as limitações progressivas das contribuições oficiais. A entrada em força no voleibol feminino dos quatro maiores clubes portugueses da actualidade (SL Benfica, FC Porto, Sporting CP e Sporting de Braga), mais o Leixões SC, aumentou o nível e aumentaram os custos com as contratações. É a nossa realidade actual,
Quebra na segunda fase
provocou descida
O Clube K está a nível nacional com o voleibol feminino há 22 anos. Após dois anos na II Divisão subiu à I Divisão, na altura denominada de A1. Foram cinco épocas seguidas. A descida, em 2010/11 aconteceu de uma forma inesperada. Num campeonato com 10 equipas havia terminado em sexto lugar com três vitórias e sete derrotas. Sendo o apuramento do campeão disputado pelos quatro primeiros classificados, o Clube K foi remetido para a fase de manutenção/descida. Com uma carreira negativa, terminou em 6.º e último lugar, baixando à II Divisão.
Como a partir da época de 2006/07 foi criada a zona Açores da II Divisão, o Clube K foi incluído. A prova continua. É disputada por seis equipas. Realizam 20 jogos na primeira fase porque em cada deslocação efectuam dois jogos com o mesmo adversário.
Nos cinco anos de presença o Clube K foi o vencedor. Não atingiu a I Divisão porque perdeu nos jogos de apuramento do campeão e que dava a subida. Em 2014/15 teve de realizar uma eliminatória com o campeão madeirense. Afastado o Sports Madeira nos dois jogos, perdeu na final com a Escola Pedro Eanes Lobato, da Amora, por um “set” (3-2 na Fajã de Baixo e 1-3 na Amora).
No quarto apuramento para a I Divisão, finalmente o regresso com o triunfo sobre o Sports Madeira por concludentes 3-0 em ambos os jogos.
Título tão perto oito anos
São 10 anos seguidos do Clube K na I Divisão feminina. O título esteve tão perto em dois campeonatos. Em 2017/18 terminou em 2.º lugar a primeira fase, saindo derrotada na final, depois de afastar o Atlético de Famalicão, pelo Leixões SC nos três encontros.
Na época seguinte terminou os 22 jogos iniciais na terceira posição. No “play off” perdeu com o 2.º classificado, Leixões SC, os três jogos. Ficou em 3.º lugar final ao ganhar ao Vilacondense os dois jogos.
A pandemia impediu em 2019/20 de tentar o título após a 2.ª posição no final da fase regular, já que o campeonato foi interrompido.
A partir de 2020/21 e com a entrada em força de clubes com quem é impossível competir devido à pujança financeira, o Clube K foi sexto classificado nas duas edições e 4.º em 2022/23. As equipas oito primeiras classificadas da fase a uma volta, jogavam a pontos e em duas voltas a segunda fase. Seguia-se para as quatro melhores a Divisão de Elite. Até que…
Em 2023/24 concluiu em 9.º lugar em 13 jogos (4v9d), com 12 pontos, porque entre 2021/22 e aquela época a primeira fase foi realizada numa só volta. Na série A2 (manutenção/descidas) foi 1.º com 10 vitórias e 0 derrotas, somando 29 pontos. Jogou o “play off” com o Sporting de Braga, 8.º da fase de apuramento do campeão, tendo ganho na Fajã de Baixo por 3-0 e ganho em Braga por 3-2. Contou para a Taça Federação. Na final desta competição, apelidada de consolação, perdeu com o SL Benfica por 2-1 (3-0 em casa e 0-3 nos jogos em Lisboa).
O Clube K tem no palmarés duas vitórias na Taça Federação, ganhas em 2016/17 (derrotando o Belenenses) e em 2018/19 (ganhado ao Castêlo da Maia).
O quadro que acompanha este texto mostra as classificações do Clube K em 22 anos nos campeonatos nacionais.
José Silva
