“Ela estava ali na
memória de um público
que muito a admirava”
Refiro-me a Maria Ascensão Fernandes – a “Loura da Camacha” que, com o seu sorriso, conquistou o mundo;
Ela estava ali, naquele auditório, a transbordar de fãs e admiradores, cujos corações guardam a mulher e a bailadora que ajudou a tornar famoso o mais fiel dos grupos folclóricos: o da Camacha;
Estavam todos ali para prestar-lhe uma sentida homenagem; se fosse viva, faria 100 anos. Em cada um dos presentes, ela, com os seus passos ritmados, que desenharam as ruas de tantos países, estava viva nas suas memórias, naquela noite inesquecível.
Aquela noite, de 13 de maio, completou a sua história, que está recheada de tantos cantares e de tanto amor. A sua história faz parte da história do Grupo Folclórico da Camacha e vice-versa.
Uma e outra entrecruzam-se num percurso de 50 anos, em que Maria Ascensão, a “Loura da Camacha”, como era conhecida, distribuiu o seu sorriso por milhares de pessoas, contagiando-as, dando-lhes uma imagem alegre e colorida da Madeira: Amália cantou e bailou, com ela, o bailinho da Madeira; o Príncipe Alberto do Mónaco deu-lhe a mão e ritmou os seus passos com os dela; escritores, contagiados com a simpatia, exaltaram-na.
Com um programa cuidadosamente elaborado, com a actuação da Banda Paroquial de São Lourenço, excelente, numa combinação admirável com as vozes bem timbradas dos elementos do Grupo Folclórico da Camacha, a noite vestiu-se de magia, derramando-se sobre um público entusiasmado que, tão calorosamente, aplaudiu cada número – um concerto aconteceu, pela primeira vez, numa simbiose perfeita entre a referida Banda e o Grupo da Camacha.
Um acontecimento que sugiro aconteça novamente, numa praça pública, que possa dar a conhecer, a milhares de madeirenses, a riqueza de um universo musical tão enriquecedor, e que deve constituir orgulho para a Madeira.
“Cantigas por Ascensão” trouxe-nos a certeza de que estes 50 anos de Autonomia, em que somos senhores dos nossos destinos, permitiram que os artistas desenvolvessem, livremente, as suas capacidades e, reunidos em agremiações, enriquecessem o panorama artístico local.
Por isso, justificavam-se as presenças da Vice-Presidente da Assembleia Legislativa, Dra. Rafaela Fernandes, e do Dr. Medeiros Gaspar, Diretor da Direcção da Cultura, em representação do Governo Regional, que manifestaram um agradecimento especial pelo trabalho realizado em prol da Madeira pelo Grupo Folclórico da Camacha.
Presentes estavam também, nesta homenagem, entre outros, o Presidente da Junta de Freguesia da Camacha, toda a Direcção da Casa do Povo da Camacha, organizadora desta justa celebração dos 100 anos de Maria Ascensão, o Dr. Filipe Ramos, líder do Grupo Parlamentar do PSD, e o antigo Presidente da Câmara de Santa Cruz, Dr. José Alberto Gonçalves.
Relevo as intervenções do Presidente da Casa do Povo da Camacha, Ricardo Vasconcelos, que destacou a atividade desenvolvida pela Casa do Povo, com um considerável calendário de iniciativas culturais, e lamentou a pequena dimensão do auditório, que não permite uma maior presença de público, que tanto deseja assistir às actividades ali apresentadas.
Falando da homenageada, destacou as suas inúmeras qualidades e quanto ela ajudou a promover a Madeira, fora de portas, num mundo mais vasto, impondo a sua simpatia e alegria.
A Vice-Presidente da Assembleia Legislativa, Dra. Rafaela Fernandes, dirigiu palavras de gratidão à Casa do Povo, na pessoa do seu Presidente, e felicitou toda a direcção pelo êxito da noite. Salientou a qualidade musical do concerto e pediu ao Maestro Heliodoro Ferreira que tocasse mais um número, o que felizmente aconteceu, por entre os “bravos” dos espectadores.
Eu também não podia deixar de estar nesta noite tão marcante: foram muitas as ocasiões em que, nas praças do mundo, bailei com a Maria Ascensão. Ambos, movidos pelo entusiasmo e amor, promovíamos a Madeira, elevando-a na força da música e das suas gentes.
Com os cantares, com os passos bem ritmados, com as saias coloridas das bailadoras, com as vozes afinadas e com o “brinquinho”, públicos cosmopolitas, em tantos países, estupefactos, aplaudiam o Grupo Folclórico da Camacha, que levava como mensagem não só as tradições de uma terra, mas também a sua simpatia, no sorriso de Maria Ascensão; um sorriso que sobressaía das cores e contagiava públicos; um sorriso que era a alma de um povo ilhéu, que sempre abraçou, sem preconceitos, todos os povos, independentemente das suas culturas, testemunho da sua universalidade.
Foram muitos os “bravos” que se ouviram durante o espetáculo, que assinalou os 100 anos do nascimento de Maria Ascensão.
Um público entusiasmado e fascinado com a beleza do espetáculo levantou-se, várias vezes, para premiar, com aplausos prolongados, a excelência das interpretações da Banda Paroquial de São Lourenço, com as vozes solistas dos elementos do Grupo da Camacha.
É justo destacar os nomes do Maestro Heliodoro Ferreira, que tão sabiamente dirigiu o concerto; ele e Alexandra Teixeira, autores dos arranjos musicais. A coordenação geral foi de Cristina de Sousa, Elisa Freitas e Vanessa Barbosa; a realização da obra audiovisual, de Matilde César; e Zé Ferreira, com a direção de cena.A todos, parabéns.
Foi da maior justiça homenagear Maria Ascensão Fernandes, no centenário do seu nascimento. Durante 50 anos, ela deu ao Grupo Folclórico da Camacha e à Madeira muito da sua vida, do seu amor, do seu entusiasmo; ela ajudou a construir a imagem deste grupo centenário e, nos momentos difíceis, iluminou-os com o seu humanismo. Por isso, na noite de 13 de maio, mais de uma centena de pessoas reunidas no pequeno auditório recordaram-na com saudade e especial gratidão.
Ela estava ali viva, na memória dos presentes, que deram mais força àquela noite e ajudaram a escrever mais uma página brilhante das histórias do Grupo Folclórico da Camacha, da Casa do Povo e da Banda Paroquial de S. Lourenço.
MEDIDAS ACERTADAS DO PRESIDENTE MIGUEL ALBUQUERQUE
O Presidente do Governo Regional da Região Autónoma da Madeira, Dr. Miguel Albuquerque, tem tomado muitas decisões, todas de grande relevância para o desenvolvimento da Região, entre outras, três anunciadas recentemente, que passo a enunciar:
1) A ampliação do Porto do Funchal, há muito desejada pelo movimento extraordinário que vem, de ano após ano, a registar um número muito significativo de cruzeiros. A nossa ilha passou a ser praticamente uma paragem obrigatória para os referidos navios. Com a sua ampliação, poderão atracar dois ou três navios de maiores dimensões (aliás, os novos navios projetados terão uma envergadura mais ampla do que os atuais), facilitando, assim, as operações de embarque e desembarque.
Com este grande melhoramento, o Porto do Funchal tornar-se-á mais atrativo para os operadores de cruzeiros e, simultaneamente, defenderá, nos dias de mau tempo, com grande agitação no mar, toda a zona do cais da cidade e parte da marina.
2) Outra decisão anunciada, que vai certamente atrair novos investidores, é a de desburocratizar, ao máximo, tudo quanto constitui um entrave a um maior progresso da Região.
Na realidade, a burocracia sufocante que existe em Portugal tem “afugentado” muitos investidores. Presentemente, para se realizarem algumas iniciativas, é tudo muito complicado, pelas exigências impostas: muitas desnecessárias e outras inadequadas aos tempos de hoje. Daí que esta decisão do Presidente do Governo seja uma mais-valia para o desenvolvimento da Região.
Uma boa notícia para todos quantos queiram investir no nosso Arquipélago.
3) A construção de habitação a preços controlados em todas as freguesias da Região vai permitir que muitos jovens, e não só, possam ter uma casa. Na verdade, a dificuldade de alugar uma habitação tornou-se praticamente impossível, pelos proibitivos preços praticados. Por exemplo: um T1 = 1300 euros por mês, verba superior aos salários de que usufrui a maioria das pessoas!
Por isso, esta iniciativa do Governo Regional merece toda a nossa admiração, pelo que revela em termos de compreensão e de espírito humano, testemunhando a preocupação de quem governa.
Por: João Carlos Abreu