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Manuel Arruda, a lenda viva do Clube União Micaelense

Grande parte da maioria dos dias das chamadas “férias grandes” do meu tempo de estudante era passada a jogar futebol. Sem equipamentos. Com a roupa e os sapatos do dia a dia. Muitos dos jogos eram no campo da Casa de Saúde de São João de Deus (o “egipto” para os fajanenses, por se localizar na rua do Egipto), na Fajã de Baixo, a minha terra natal.
Um dos jogos que se repetia nas semanas dos quentes e húmidos meses de Julho e de Agosto era contra a equipa dos “meninos da cidade”, como a classificávamos. Era formada pelos irmãos Manuel e António Arruda, que passavam parte do Verão no lugar da Senhora da Rosa, composta ainda pelo Melinho, Luis Bastos e outros amigos que jogavam nos juniores do União Micaelense. Apresentavam-se equipados e organizados.
Raramente ganhávamos. Formei equipas com os melhores atletas da freguesia, mas o “ranking” é-nos desfavorável. Os golos eram muitos. As balizas eram quase mais largas do que o comprimento do campo, rodeado de árvores. Campo sem marcações, sem árbitros, mas com jogos com ardor e com raça sem nunca ultrapassarmos os limites.
Admirava o estilo de Manuel Arruda. Um centro campista com boa técnica. Era o cérebro da equipa. Mantive a observação quando jogava no União Micaelense até os estudos conduzirem-no para o Continente. Conheço-o desde a nossa juventude.

QUANDO VOLTOU ESTEVE LIGADO ao Clube União Micaelense, seguindo as pisadas do seu pai, Fernando Octávio Arruda, da Casa Bensaúde, que ainda apanhei como dirigente. Manuel Arruda desempenhou funções no Governo Regional dos Açores, como deputado e na presidência da Câmara Municipal de Ponta Delgada. Presidiu ao Grupo Desportivo Comercial e em breve deixará as mesmas funções no clube do coração.
Com Gualter Costa, Mário Brum e outros directores, esteve nos melhores e nos piores momentos do clube. Como disse no jantar comemorativo dos 115 anos da fundação, o clube já não tem dividas. Enquanto não liquidou o passivo, Manuel Arruda nunca se divorciou das responsabilidades que assumira. Foi uma luta desgastante, dolorosa, complicada mas que chegou a bom porto. Foram muitos e muitos anos de preocupação, mas que não impediram o clube de continuar no caminho que delineou, não repetindo a vontade de dar o salto para campeonatos mais altos do que as II e III Divisões nacionais.
Manuel Arruda figura na galeria das lendas vivas do União Micaelense. Os seus feitos, as conquistas que alcançou dão-lhe o reconhecimento e a admiração que lhe emprestam as figuras ligadas ao clube e a muitas colectividades da ilha e fora dela. Considero-o uma figura icónica. Agora que anunciou deixar o cargo de presidente, revelou a humildade própria de quem sente, ama e identifica o símbolo que abraçou, numa tradição de família. Disse aos vindouros que está sempre disponível para ajudar, mesmo que seja para varrer o chão da sede. Um exemplo que se vai perdendo. Um verdadeiro espírito de missão. O afecto do povo pelas colectividades das nossas ilhas tem diminuído. O apoio reduziu-se. Nada como há 50 e mais anos.
Justas as homenagens atribuídas pelo presidente do Governo Regional dos Açores e pelo presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada

SEGUE-SE UM NOVO CICLO NO UNIÃO MICAELENSE. A substituição de Manuel Arruda não será difícil. Arsénio Furtado perfila-se porque está há cerca de 20 anos como director geral. É um dos responsáveis pelo equilíbrio financeiro, pelo fomento do futebol e das modalidades que alberga, não esquecendo a função social e humana. Tem sido o rosto do clube, sem nunca ultrapassar as directrizes emanadas pelos membros da direcção. Dinâmico, persistente, defendendo as suas ideias com denodo, Arsénio Furtado é hoje um dirigente do topo do desporto açoriano.
Cabe aos associados voltarem a reunir-se em assembleia geral e votarem pela continuidade do trabalho, mormente o marcante e já internacional torneio de futebol infantil.

O JANTAR DE ANIVERSÁRIO DO CLUBE DE PONTA DELGADA foi motivo para se concretizar, num dos momentos mais emotivos da noite, a homenagem prestada a quatro personalidades que deixaram uma marca profunda na vida e história da instituição: José Carlos Simas Raposo, representado pela filha Ana Rita Simas, Carlos A. Pacheco Portela, Vítor Borges Brum Sousa e Paulo Jorge Linhares.
Tratou-se do reconhecimento ao contributo e à dedicação prestadas nos anos que tiveram uma ligação diária e prolongada, que testemunhei em muitos momentos. Vitor Brum é um dos casos. Ainda jovem assumiu grande responsabilidade. Um trabalho hercúleo num período conturbado do clube. Fez de tudo um pouco. Um dirigente com D maiúsculo. Merecida homenagem.

A FOTO QUE ILUSTRA ESTE TEMA demonstra que o povo gosta de futebol… apenas em determinados momentos. É assim em quase todos os lugares. Na nossa ilha os campos de futebol estão muitas vezes com assistências reduzidas. Quem viveu, como eu, os tempos áureos, com centenas e centenas de espectadores nos desafios entre os clubes locais, desmoraliza perante o panorama de há vários anos.
A final da Taça de São Miguel levou ao Estádio uma assistência recorde. Foram vendidos 1 125 bilhetes a 4€ (4 500€ de receita), mas com os convites o número ascende a 1 305 pessoas que entraram para assistirem ao CD Santo António-Santa Clara B (1-3). Adicionando as muitas crianças, pessoas ligadas às duas equipas e à organização que acorreram ao jogo, estima-se em cerca de 1 450 espectadores.
A bancada poente, onde se situa a cobertura, foi a única aberta. A foto é elucidativa do elevado número de espectadores que vibraram com as peripécias da final.
Os adeptos do CD Santo António foram os principais contribuintes do recorde. A direcção do clube avalia em perto de 800 os simpatizantes que no Domingo rumaram ao estádio.
O número de espectadores superou seis dos 17 jogos do Santa Clara na I Liga esta época: AFS, 1 071; Casa Pia, 861; Estoril, 1 162; Vitória SC, 1 303; Gil Vicente, 1 027 e Nacional, 1 204.
Por que será?

ADEPTOS DO FC VALE FORMOSO E DO OPERÁRIO conviveram antes da final da Taça de São Miguel da época passada. A rede social da Torcida Furnense deu conta do encontro que juntou famílias das duas colectividades numa informação rebatendo o que este jornal noticiou na edição de quarta-feira da festa dos simpatizantes do CD Santo António antes da partida decisiva do passado Domingo, que resultou na vitória do Santa Clara B.
O texto refere que “será o início de uma nova fase antes dos jogos das finais?” Foi o mote para alguém da “Torcida” ter ficado torcido e de uma forma deselegante ter denegrido a imagem dos jornalistas. Não é preciso ser tão baixo. Revelou o perfil. Estou certo que os responsáveis pelo clube que muito aprecio, que acompanhei de perto nos seus primórdios, não se revê na forma como alguém se revoltou com um lapso que requer emenda. Apenas e só…
A foto revela o convívio de 4 de Maio de 2025, antes da final que ditou a vitória do Operário sobre o FC Vale Formoso por 4-1.

José Silva

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