O Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, presidiu ontem, na Academia da Juventude e das Artes da Ilha Terceira, à sessão de abertura do Seminário “Gerações Invisíveis? Desafios do Idadismo na Infância e Juventude”, promovido pelo Comissariado dos Açores para a Infância, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Criança.
Na sua intervenção, o Presidente do Parlamento açoriano defendeu que a idade não pode condicionar o valor das pessoas ou os seus contributos, sublinhando que “a idade, por si só, jamais pode ser critério para avaliar a relevância de uma ideia, o peso de uma opinião ou a capacidade de contribuir”.
A esse propósito, o Presidente Luís Garcia destacou o contacto que tem mantido com jovens em diferentes contextos, referindo que “quanto mais os ouvimos, mais difícil se torna aceitar a ideia de que têm de esperar para serem ouvidos”, considerando que a juventude açoriana revela diariamente capacidade de iniciativa, sentido crítico e vontade de participar na construção do futuro da Região.
O Presidente da Assembleia Legislativa salientou igualmente as inúmeras visitas realizadas às escolas açorianas no âmbito das comemorações dos 50 anos da Autonomia, referindo que esses encontros têm permitido conhecer melhor as perspectivas e preocupações das gerações mais jovens. A esse propósito, destacou a participação activa das crianças e jovens, sublinhando o interesse e a atenção que demonstram pelos temas relacionados com o presente e o futuro da Região.
“Muitas vezes, existe a tentação de olhar para os nossos jovens apenas por aquilo que poderão vir a ser, esquecendo-nos daquilo que já são. Mas o que tenho encontrado nas nossas escolas, associações e projectos que vou conhecendo, mostra-me jovens que já participam, já lideram, já criam e que têm muito para ensinar a todos nós”, afirmou o Presidente do Parlamento açoriano.
Durante a sua intervenção, Luís Garcia alertou ainda para a importância de criar condições para que os jovens se sintam envolvidos e reconhecidos nas suas comunidades, lembrando que vivem num mundo cada vez mais globalizado e repleto de oportunidades. Nesse sentido, defendeu que os Açores devem continuar a promover espaços de participação efectiva para os mais jovens, valorizando os seus contributos e reforçando a sua ligação à Região.
O Presidente do Parlamento açoriano destacou igualmente iniciativas como o Parlamento dos Jovens, considerando que estas representam exemplos concretos da importância de envolver as novas gerações na vida democrática e de lhes proporcionar oportunidades para fazer ouvir a sua voz.
“Crianças e jovens têm de ser ouvidos sem limitações ou condicionamentos”
Por seu turno, a Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória considera que a melhor forma de envolver as crianças e jovens na comunidade, incentivando a sua participação cívica, é “garantir-lhes que a sua voz é devidamente ouvida, sem restrições ou condicionamentos”.
Por seu turno, Vânia Ferreira realçou que esse compromisso implica “escolas mais participativas, famílias mais abertas ao diálogo e políticas públicas que reconheçam verdadeiramente o papel das crianças e jovens na sociedade”.
“Uma sociedade que ignora as suas gerações mais novas corre o risco de perder ideias, talento e esperança. Mas uma sociedade que as escuta, que lhes dá espaço e que valoriza as suas perspectivas está, na verdade, a investir num futuro mais democrático, mais inclusivo e mais humano”, argumentou.
“Talvez a pergunta que devemos levar connosco hoje seja simples, mas poderosa: queremos crianças que apenas aprendam a ouvir? Ou queremos crianças e jovens motivados a falar, participar e transformar o mundo? Acho que não há dúvidas, no âmbito deste encontro, qual a perspectiva que defendemos.
O nosso compromisso enquanto Autarquia é que a voz destas faixas etárias seja ouvida. Fazemo-lo, por exemplo, no Conselho Municipal da Juventude. Mas muito mais há a evoluir nesta situação. O nosso compromisso é estarmos disponíveis e totalmente receptivos a sermos agentes da mudança”, frisou Vânia Ferreira, de acordo com nota da autarquia.
“Quando escutamos as crianças com seriedade, não estamos apenas a respeitar os seus direitos. Estamos também a enriquecer a sociedade com novas ideias, novas perguntas e novas formas de olhar para o mundo. Muitas vezes, são precisamente os mais jovens que nos lembram da importância de valores fundamentais: a justiça, a empatia, a curiosidade e a capacidade de imaginar futuros diferentes.
E talvez seja precisamente essa capacidade de imaginar — de questionar aquilo que parece estabelecido — que torna as vozes jovens tão importantes”, argumenta a autarca Praiense.
No seminário participaram vários oradores nacionais, caso de Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança, Raquel Soares, a mais jovem presidente de câmara no País, e José Carreira, presidente da Associação STOP Idadismo.
