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AICOPA assume que a construção civil poderá passar por uma “queda abrupta de actividade” caso não surja uma forte estratégia de investimento público

A Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA) mostra-se preocupada com o futuro que se aproxima para a construção civil nos Açores.
Segundo a nota enviada à imprensa, o momento da área pode ser sintetizado como um ramo em forte actividade e com um elevado número de investimento, mas ao mesmo tempo encontra-se sob grande pressão estrutural relativamente à mão-de-obra, materiais, prazos e capacidade de resposta.
“O sector está a viver um ciclo de investimentos muito intenso, suportado sobretudo pelo PRR”, sublinhou a associação.
De acordo com a AICOPA, o sector enfrenta uma forte pressão devido ao claro desequilíbrio entre a alta procura do mercado e as limitações das empresas locais, especialmente no que toca à escassez de mão-de-obra. Apesar de o número de trabalhadores ter atingido o recorde de 10 mil, o nível mais alto desde 2012, a quantidade actual permanece insuficiente. Além disso, a baixa qualificação média dos profissionais prejudica a produtividade, o que desacelera o ritmo de execução das obras.
Contudo, as perspectivas futuras permanecem incertas. A primeira metade de 2026 tem-se mostrado pouco promissora para os empresários da construção civil.
Para a associação, o grande desafio reside na capacidade da Região em sustentar o volume de investimento após o término do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Isto deve-se ao facto de o montante de concursos públicos lançados em 2026 estar significativamente aquém da média dos últimos seis anos, apresentando, inclusive, uma quebra de cerca de 68% face a 2020, o ano que antecedeu o PRR.
A AICOPA confirma a possibilidade de acontecer um sério risco de “quebra abrupta de actividade” na construção civil regional, caso os Açores não adoptem uma estratégia robusta de investimento público, podendo gerar uma diminuição acentuada sobre o volume de obras, perda de emprego e retracção das empresas.
“Este risco é real em economias insulares, com menor investimento privado, verificando-se um risco real de abrandamento”, reforçou o grupo, acrescentando que o sector antecipa a entrada num ciclo mais dependente do Açores 2030, do investimento regional e municipal e da iniciativa de carácter privado.
“Os Açores enfrentam um sério risco de “efeito travão” se não surgir um pipeline suficiente de novos projectos”, explicou a AICOPA no comunicado enviado à imprensa.
A associação revelou que, ao longo do ciclo do PRR, várias empresas expandiram o seu pessoal e assumiram riscos financeiros acrescidos, nomeadamente em investimentos, crédito e contratações. Com a actual quebra abrupta na actividade, estas organizações correm o risco de ficar com estruturas sobredimensionadas e custos fixos demasiado elevados para a procura existente. Este cenário poderá resultar na insolvência de Pequenas e Média Empresas (PME’s), na destruição do tecido económico local, no aumento do desemprego e na perda de profissionais qualificados para outros territórios.
A AICOPA alerta também que caso não apareça nenhuma estratégia robusta de investimento o público, o cenário mais provável é o aumento da volatilidade do sector, o que transformaria uma área estável em um padrão de picos de investimento, seguido de quedas enormes de actividade. Isto gera imprevisibilidade, menor atractividade para investimento, dificuldade em planear a longo prazo e perda de capacidade e instalada e o saber fazer por parte das empresas.
“A Região não pode dar-se ao luxo de perder capacidade para executar grandes projectos, uma vez que persistem desafios ao nível das infra-estruturas na área da habitação, saúde, acessibilidades marítimas, aeroportuárias, circuitos logísticos, ensino, e tantas outras”, reforçou a associação.
Para o grupo, torna-se imperativo garantir estabilidade e previsibilidade à construção civil, mitigando o impacto do fim do PRR através da dinamização do programa Construir 2030. As empresas locais precisam de visibilidade sobre os futuros concursos públicos para assegurar uma carteira de encomendas que viabilize a continuidade da actividade em 2027 e nos anos seguintes. Só com esta segurança será possível manter os postos de trabalho e criar as condições necessárias para que o tecido empresarial invista na modernização, na transição energética e na inovação tecnológica para que seja possível gerar riqueza.

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