“Eu gosto é do verão
De passearmos de prancha na mão
Saltarmos e rirmos na praia
De nadar e apanhar um escaldão
E ao fim do dia, bem abraçados
A ver o pôr do sol
Patrocinado por uma bebida
qualquer”
(João Melo)
O artigo não é um remake do tema homónimo da banda A Fúria do Açúcar, mas que o tema está bem conseguido, está! Não sou pessoa para o cantarolar, aliás, acerca da música, a minha frustração é gostar de a ouvir, mas dela nada entender. Consigo, sem o mínimo esforço, entender as funções exponenciais e as suas inversas logarítiicas, pois, enquanto uma tem um crescimento diabólico, a outra consegue ser mais lenta do que um caracol; entendo a necessidade dos números imaginários, das fórmulas de Moivre e de Euler, a pertinência das derivadas e dos limites e até escrevo razoavelmente bem, no entanto, não distingo as claves musicais e as pautas para mim são como o Mandarim, códigos que não entendo! Ora, a música deste tema transmite alegria, energia e vontade de viver, coisas que associo ao Verão. Resta saber se, na prática, vamos poder usufruir de sol e de bom tempo. Esta primavera foi para esquecer! O frio, os dias cinzentos e os dias de nevoeiro provocaram em todos nós momentos depressivos. Obrigaram-nos a adiar a mudança de roupas e a continuarmos cheios de agasalhos. Os fins de semana foram convidativos para ficar em casa e a alegria de poder viajar e apanhar um calorzinho e sol noutras paragens foi estragada pelo intenso nevoeiro que teimou em pairar no nosso aeroporto como se tratasse de uma birra dos deuses. Em resultado, temos viagens adiadas, voos cancelados, um aeroporto cheio de pessoas a aguardar informações e aviões que se atreveram a vir para cá, na esperança de encontrar uma abertura e aterrar, uma vez que o levantar está assegurado. Os mais teimosos e esperançosos voaram até aqui, sobrevoaram Ponta Delgada, sentiram-lhe o cheiro, mas foram para a nossa vizinha Santa Maria, aguardando um apaziguar das brumas de Ponta Delgada, deixando os turistas e os residentes à beira de um ataque de nervos e sem saber o que esperar. Nas escolas, os alunos ficaram confinados aos espaços fechados, sem a alegria de gastar as energias nos intervalos e, com isso, foram para as aulas impacientes e frustrados. Se o inverno é penoso, uma primavera destas é angustiante. Mas vem aí o verão e o lazer, as praias, os banhos, o sol, a alegria de vestir os calções e calçar os chinelos ou andar descalço, a alegria das noites agradáveis e longas, o tempo para ver os filmes e as séries que o trabalho não deixou, o prazer da leitura e o tempo para a família. Eu gosto é do Verão! Sei que os lugares calmos e com estacionamento se contam pelos dedos das mãos, mas, depois da confusão, vem o prazer de nadar no nosso mar, assim como, depois da tempestade que foi a primavera, virá a bonança do verão. Antes destas iguarias não comestíveis vêm, para os alunos, as responsabilidades dos testes finais e dos exames. Para os adultos, a contagem dos dias para as férias e o deixar as responsabilidades acauteladas. Com estas mudanças climáticas, esperemos que o Sol não nos abandone, que as praias tenham a água quente e sem bicharocos que nos queimam a pele. Da minha parte vou riscando, um a um, os dias que faltam para as férias de Verão.
Por: João Miranda