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Persistem desigualdades evitáveis na carga e no tratamento das doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares continuam a ser um dos maiores desafios de saúde na Europa, revelam os novos dados do Atlas de Cardiologia da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), publicados no European Heart Journal.
A publicação demonstra, mais uma vez, que as doenças cardiovasculares são a causa mais comum de morte nos mais de 50 países membros da ESC estudados. “O novo relatório mostra que as doenças cardiovasculares foram responsáveis por mais de três milhões de mortes e 68 milhões de anos de vida saudável perdidos anualmente. Estas não são estatísticas abstractas – representam vidas perdidas prematuramente, pessoas que vivem com doenças crónicas e sistemas de saúde sob crescente pressão”, afirma Adam Timmis, coautor principal da publicação.
Em consonância com as edições anteriores do Atlas da ESC, uma mensagem central é a das desigualdades persistentes e evitáveis no risco cardiovascular, nos desfechos e no acesso aos cuidados de saúde. Os países de rendimento médio continuam a apresentar taxas de mortalidade aproximadamente duas vezes superiores às dos países de rendimento elevado.
Steffen Petersen, co-autor principal, refere que “a Europa não tem uma realidade cardiovascular única – os dados do Atlas da ESC mostram que a carga de doenças cardiovasculares é desigual entre os países da ESC. Embora tenha havido progressos reais em alguns países, em muitos existem lacunas importantes relacionadas com o acesso a diagnósticos avançados, procedimentos e profissionais especializados”.

O alerta para epidemia
de obesidade e diabetes

Os novos dados do Atlas da ESC enfatizam a crescente importância de determinantes mais amplos da saúde cardiovascular, com níveis de poluição atmosférica duas vezes superiores nos países de rendimento médio do que nos países de rendimento elevado. Além disso, a prevalência do uso de cigarros electrónicos, sobretudo entre os jovens, sublinha a falta de evidência que suporte a eficácia destes dispositivos como ferramenta para o abandono do tabagismo. O uso de cigarros electrónicos aumenta a probabilidade de tabagismo posterior entre os menores, reforçando a necessidade de uma regulamentação mais clara e de políticas de prevenção dirigidas à juventude.
A elevada prevalência de factores de risco clínicos, como a hipertensão, a dislipidemia, a obesidade e a diabetes, continua a ser uma preocupação. O Professor Timmis observou: “O progresso alcançado na redução da carga de doenças cardiovasculares em alguns países membros da ESC corre o risco de ser anulado pela epidemia de obesidade e diabetes. A magnitude dos anos de vida saudável perdidos devido a factores de risco modificáveis reforça a urgência de esforços para melhorar a prevenção ao longo da vida e auxiliar na detecção precoce e na implementação de directrizes. Os custos médicos e económicos da inacção são enormes.”

Noticiassaude.pt

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