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Santa Clara deve receber cerca de 6,5 milhões de euros

Está aprovado o modelo de distribuição dos dinheiros provenientes das cadeias de televisão para ser posto em prática a partir da época de 2028/29.
As sociedades dos 33 clubes das duas Ligas do futebol profissional português concordaram, por maioria (sete SAD,s votaram contra), a proposta preparada pela Liga Portugal desde 2022.
Desconhece-se o sentido de voto do Santa Clara, que esteve representado pelo presidente do Conselho de Administração da SAD, Klaus Câmara.
Com base na classificação do campeonato de 2024/25 (5.º lugar), a Santa Clara, Açores, Futebol SAD receberia 6 milhões e 500 mil Euros, mas se aceitassem a proposta do Nacional da Madeira, teria 13 milhões e 238 mil Euros.
A proposta defendida pelo presidente Rui Alves, mas rejeitada pelas sociedades desportivas presentes na Assembleia Geral, proponha que cerca de metade do valor global a negociar, estimado em aproximadamente 250 milhões de Euros anuais, fosse repartido em partes iguais entre os participantes. Essa proposta penalizaria os clubes que arrecadam mais receitas, como o SL Benfica, o Sporting CP e o FC Porto.
Se as receitas totais ficarem acima dos 250 milhões de Euros e até ao limite de 275 milhões, metade desse montante excedente será distribuída pelos três clubes que mais contribuíram para o ranking da UEFA. Os restantes 50% serão distribuídos pelos outros clubes.

Estádio e público penalizam

Embora os contratos com a Sport TV sejam confidenciais, a SAD do clube de Ponta Delgada recebe actualmente cerca de 4 milhões de Euros. Com o novo modelo tem mais 2,5 milhões, mas tudo depende do comportamento desportivo e de demais eficácia em vários capítulos que constam do modelo de distribuição.
Noventa por cento do valor estimado nos 250 milhões é destinado aos clubes da I Liga, sendo 10% para os da II Liga. Contudo, tudo dependerá das negociações com os operadores televisivos. Este modelo será revisto dentro de cinco anos.
A repartição divide-se em cinco critérios: mérito desportivo (57,5%), distribuição igualitária por todos os clubes (20%), assistências médias nos estádios e audiências televisivas (17,5%), condições para as transmissões (3%) e qualidade das instalações desportivas (2%).
Se para a SAD do Santa Clara o desempenho nos campeonatos será determinante, noutras áreas está impotente se não se procederem a melhoramentos no estádio de São Miguel, sendo também penalizado se o público continuar ausente.
As assistências nos jogos e das transmissões têm um peso de 17,5%, mas 5% são relacionados com as condições para as transmissões televisivas e de trabalho para a comunicação social (3%), com a qualidade dos relvados, da iluminação e da acomodação dos espectadores (2%).

Concessão é tabu

Sendo o estádio propriedade da Região, continua por publicar o anúncio para o concurso internacional de concessão do estádio de São Miguel. Há um ano e meio. Incrível como o Governo Regional dos Açores tem gerido este dossiê. Revela desinteresse, desconsideração e, principalmente, incompetência. Algo superior se passa que está fechado nos gabinetes da secretaria regional das Finanças, que ficou com este delicado processo. É um assunto interdito e evitado com medo de julgamentos. Sem razão.
Em Fevereiro o presidente do Governo Regional dos Açores disse que seria em breve. Em Abril, por ocasião das comemorações dos 50 anos do estádio, a secretária da Educação, Cultura e Desporto, revelou o mesmo sentido. Disse-o de uma forma notando desconforto. Sem haver luz ao fundo do túnel, a credibilidade baixa. É afectada. As pessoas desacreditam. É muito mau quando acontece em quem nos governa. Tem custos.
A SAD do Santa Clara vai empurrando uma decisão de incapacidade do estádio para jogos da I Liga. Até um dia!

Diferencial baixa

Com o modelo a ser posto em prática, o diferencial entre o clube que mais recebe com os direitos audio-visuais (SL Benfica) e o que menos recebe será diminuído de 14,4 vezes para 7,3 (clube que mais ganha passa a receber apenas 7,3 vezes mais do que o que menos ganha), com a margem a diminuir ainda mais no próximo período.
Segundo o anúncio feito por Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portugal, esta diferença passará dos 7,3 estipulados para, no máximo, 4,5 na próxima negociação, que deverá ocorrer dentro de cinco anos.
A centralização dos direitos televisivos resulta de uma obrigação legal. Um decreto-lei aprovado em 2021 determina que este modelo entre em vigor até à época 2028/29.
Segundo a legislação, o objetivo é aproximar Portugal da realidade de várias ligas europeias, promovendo uma distribuição mais equilibrada das receitas e aumentando a competitividade entre clubes com diferentes capacidades financeiras.
José Silva

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