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Um caso curioso

Este ano o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi assinalado nos Açores, na cidade de Angra do Heroísmo ilha Terceira onde também ocorreu a Cerimónia Militar alusiva.
Foi a primeira cerimónia militar relacionada com o primeiro Dia de Portugal a que o Presidente da República Portuguesa recentemente eleito presidiu.
Os Açores que se estendem por cerca de 600km de mar atlântico contados em linha reta, emergiram quase no centro do Atlântico Norte entre o Continente Europeu e a América. Com as nove ilhas que o compõem são muito mais mar do que terra o que valoriza significativamente o mar de Portugal quer em extensão quer em profundidade. Mar da Terra já habitada que Portugal navegou em várias direcções revelando-o ao Mundo e demonstrando o que ele parecia esconder. É verdade que depois da sua revelação conseguida por Portugal, o mar “nunca mais foi o mesmo”.
O Presidente da República, nos seus primeiros dias do seu primeiro mandato, referiu que “falar do mar é falar da identidade portuguesa”.
Hoje já não é tanto o mar que em si mesmo e a sua secular população que enobrecem e valorizam estas nove ilhas Atlânticas, mas a localização geográfica do Arquipélago e a sua extensão em linha reta e o Portugal a que pertencem.
Celebrar o dia de Portugal no centro do Atlântico entre a América e a Europa foi uma boa ideia política não para mostrar ao Mundo onde estão os Açores, mas para dizer a uma “diplomacia internacional sem orientação consolidada e sem ser fruto da cooperação entre uma União de Nações” que os Açores são território português há cerca de cinco séculos e que o antigo e sólido relacionamento com os Estados Unidos justificam a concessão de determinadas e conhecidas facilidades aeroportuárias na ilha Terceira. Facilidades articuladas com a supra referida localização geográfica do Arquipélago também são concedidas à NATO no Porto de Ponta Delgada na ilha de S. Miguel.
Curioso e de extraordinária simpatia para com uma outra das nove ilha, a de S. Miguel, considero eu que findo o cerimonial do dia na ilha Terceira, 3 – 4 aviões da Força Aérea Portuguesa no seu regresso ao seu estacionamento aeroportuário no Continente ao passarem junto à Costa Norte da Ilha de S. Miguel, se tenham aproximado um pouco mais de terra, reduzindo a altitude precisamente na zona das Capelas e de algum modo também de S. Vicente Ferreira, dando a conhecer de que tipo de aviões se tratavam e cumprimentando através de um enternecedor de simples movimentos de asas os muitos habitantes e visitantes que se encontrava a banhos num dia em que o Sol não se escondia, as águas salgadas eram calmas, mornas e reflectiam o azul do céu.
Nem dois minutos duraram a operação muito suave, mas deu para compreender que uma outra ilha das nove açorianas que estava na rota de regresso ao Continente merecia o reconhecimento dos aviões portugueses que tinham com a sua perícia abrilhantado a cerimónia do Dia de Portugal na vizinha ilha Terceira.
Os Poços das Capelas como de S. Vicente Ferreira que ultimamente têm vindo a ganhar notoriedade e aprimorar os serviços, espaços e instalações disponibilizadas a um crescente número de utentes terão com certeza cumprimentado e agradecido como puderam a oportunidade e o significado de unidade e de comunidade nacional que os aviões proporcionaram com uma aproximação ligeira e um justo e mecânico – mas também humano – movimento de asas.
Por: Àlvaro Dâmaso

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