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Até que enfim! A visão certa

A realização da maioria dos torneios de selecções de futebol dos escalões de formação representativas das Associações dos Açores já não tem razão de ser.
Ao longo dos anos foi-se apercebendo de que não contribuem para a evolução dos atletas. Quatro jogos em três dias por categoria etária, despidos de emoção, de interesse e de competição, têm servido para gastar dinheiro. Não tem sido um investimento nos praticantes, mesmo sabendo-se que muitos não atingem o escalão sénior, num gradual decréscimo a partir dos sub 17.
Em algumas partidas registam-se goleadas. Principalmente nos sub 12, com a prova envolvendo selecções de ilha. A diferença é grande entre as originárias com mais recrutamento humano, com mais equipas, logo com mais jogos, e as selecções das ilhas com menos população.
Porém teimam em disputar estes torneios desde os sub 12 aos sub 17, categoria de regresso mas sem a participação da selecção da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo.
Os actuais elementos do gabinete técnico e na direcção da Associação de Futebol de Ponta Delgada confirmaram nos locais dos torneios o que sabiam: não trazem os benefícios necessários para a progressão.
A mudança começou agora. Deixar o futebol de nove regional para o futebol de 11 nacional. A solução foi a selecção de sub 13 deslocar-se à Benedita para a terceira edição do torneio Novos Talentos, numa organização da Associação de Futebol de Leiria. Defrontou as selecções de Leiria, de Santarém e de Portalegre. O senão residiu na realização de três jogos de uma hora cada praticamente seguidos (09h45, 13h00 e 15h00), com temperaturas altas. Todas as selecções passaram pelo mesmo.
A direcção associativa também percebeu, porque investiu na deslocação de 20 jogadores, mais os treinadores e os dirigentes, numa aplicação de recursos na expectativa de retorno.
SÓ JOGANDO COM ADVERSÁRIOS EQUIPARADOS OU SUPERIORES ajuda a crescer. Pedro Bermonte referiu a necessidade de “estímulos diferentes” e de “desafios exigentes”.
O director técnico classificou a experiência de “muito benéfica para os nossos atletas, num contexto competitivo bastante diferente, nomeadamente na reacção à adversidade, à resiliência devido ao calor e aos três jogos num dia, servindo para vermos a adaptação e a capacidade de resposta num espaço de crescimento diferente”.
As derrotas por 2-1 com Leiria, por 3-0 com Santarém e por 2-0 com Portalegre, selecções com níveis semelhantes, dizem que temos um caminho longo para nos aproximarmos. É, por outro lado, uma forma de os atletas se aperceberem que sendo maiores no contexto de ilha e regional, são pequenos quando confrontados com equipas que têm, talvez, mais abnegação, melhor e mais competitividade mesmo pertencendo a zonas onde não há futebol juvenil, júnior e sénior de I Divisões como são Portalegre e Santarém.
Como se atenuam as diferenças: mais treinos das selecções ao longo das épocas, mais preparação física, mais intensidade e os jogadores não serem chamados apenas a um mês dos torneios. A selecção de sub 13 efectuou nove treinos de preparação, incluindo dois jogos treino.
Na maioria das equipas dos clubes não se trabalha com a mesma intensidade porque os valores individuais são diferentes e porque o compromisso é baixo. Não podem corresponder à qualidade e à ambição dos que pretendem progredir e atingirem níveis superiores.
Há obstáculos difíceis de ultrapassar mas que podem ser atenuados. Refiro-me ao nível competitivo. A diferença de duas, três, quatro equipas para as restantes é enorme, reflectida nas goleadas. Por que não experimentar jogos com as melhores equipas mais vezes, a quatro voltas?
Seria complementar a visão certa de que ou damos o salto com modelos e perspectivas diferentes, ou continuaremos por aqui, brincando e esbanjando dinheiro.

José Silva

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