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Bispo de Angra desafia novo padre a ser “homem apaixonado por Cristo” e a construir pontes na Igreja

Diocese tem um novo padre: Fábio Silveira, natural da Candelária, Ilha do Pico, foi ordenado esta tarde na Sé. Para já vai continuar a servir na ouvidoria da Povoação, ilha de São Miguel, onde esteve como diácono este último ano
O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, apelou este domingo ao novo sacerdote da Diocese de Angra, padre Fábio Silveira, para viver o sacerdócio como uma entrega total a Cristo e ao serviço dos outros, sublinhando que “o sacerdote existe para reunir, reconciliar, aproximar e construir pontes”.
Na homilia da celebração de ordenação presbiteral de Fábio Silveira, natural da ilha do Pico e com 37 anos de idade, o prelado destacou que o sacerdócio “não é uma função ou tarefa”, mas uma vocação que encontra a sua verdadeira fecundidade na união com Cristo.
“Não é a actividade que salva o sacerdote; é a intimidade com o Senhor. Não é o muito fazer, mas o muito amar a Deus e aos irmãos”, afirmou, acrescentando que a ordenação sacerdotal “não é uma promoção nem uma conquista”, mas uma resposta ao amor de Deus.
Por isso, acrescentou, “a ordenação sacerdotal, como qualquer outra vocação a seguir Jesus, não é uma promoção nem uma conquista. É uma resposta ao amor a Deus que a todos dá o Seu Espírito e adequados carismas”.
Dirigindo-se directamente ao novo presbítero, o bispo de Angra pediu-lhe que nunca permita que a oração se torne acessória nem que a celebração da Eucaristia se transforme em rotina.
“Antes de seres padre, és discípulo. Antes de seres enviado, és amado. Antes de falares de Cristo, és chamado a viver em Cristo”, afirmou.
Ao reflectir sobre o ministério sacerdotal, D. Armando Esteves Domingues recordou que o mundo precisa de padres com “um coração reconciliado, manso, disponível, capaz de escutar, de acolher, de amar quem sofre e quem se alegra”.
O responsável diocesano exortou ainda o novo sacerdote a amar os pobres, os doentes, os jovens e os idosos, bem como aqueles que o compreenderão e os que talvez nunca o compreendam.
Num dos momentos mais marcantes da homilia, o bispo destacou as promessas que o candidato ao sacerdócio é chamado a assumir durante a liturgia da ordenação.
“São perguntas que pesam. São provocantes num tempo de perigosas aparências, de fácil maquilhagem de personalidade, de dualismos e polarizações”, observou, incentivando o novo padre a “perder-se” a não ter medo de “gastar a sua vida” ao serviço do Evangelho.
A celebração ficou também marcada por uma homenagem aos sacerdotes jubilados da diocese, cuja fidelidade foi apontada como exemplo para as novas gerações.
“Deus não vos pediu sucesso; pediu amor”, afirmou o prelado, agradecendo “a fidelidade silenciosa, as lágrimas escondidas, os sacramentos celebrados e as vidas tocadas” pelo seu ministério.
São sete os presbíteros jubilados este ano, mas apenas estiveram presentes cinco. Fazem bodas de prata os padres Hélder Miranda Alexandre, Hélder Cosme e Silvano Vasconcelos; bodas de diamante os padres Ivo Rocha, Vasco parreira e Norberto Pacheco e 70 anos de ordenação presbiteral o padre José Fernandes Medeiros, um dos sacerdotes mais velhos da diocese.
Na sua reflexão, o prelado diocesano destacou igualmente a importância das famílias como primeiro espaço de nascimento e amadurecimento das vocações.
“Precisamos muito de famílias com vocação para suscitarem no seu seio um ambiente de oração e fé que permita a Deus entrar e chamar”, afirmou.
O bispo de Angra aproveitou ainda a ocasião para abordar a renovação da formação na Diocese de Angra. Recordou que Fábio Silveira é o último seminarista a realizar todo o percurso formativo no Seminário Episcopal de Angra, explicando que os futuros candidatos ao sacerdócio prosseguirão os estudos académicos no Porto, mantendo a formação pastoral e o acompanhamento diocesano nos Açores.
“O Seminário não acabou, apenas tem vida mais exigente: acompanha os candidatos, antes, durante e depois dos estudos; continua a fazer a formação dos diáconos e a formação permanente do clero; orienta o final do curso de teologia, aqui. É a nossa grande Instituição formativa”, disse.
Neste contexto, anunciou ainda que a futura Escola Diocesana para Leigos iniciará actividade em Setembro com cerca de 120 inscritos, considerando a formação dos leigos “um grande desafio que o Espírito Santo está a propor à nossa Igreja dos Açores” e uma oportunidade para o surgimento de novos ministérios e vocações.
Concluindo a homilia, o bispo confiou os sacerdotes à protecção de Maria e pediu que nunca faltem à Igreja “pastores santos, fiéis e generosos, que caminhem com o povo pelos trilhos do Evangelho”.
Fábio Silveira, de 37 anos, natural da ilha do Pico, chegou a Angra do Heroísmo em 2010 para prosseguir estudos na área da música. Foi na cidade património que consolidou a sua formação académica e aprofundou o seu percurso de fé, ingressando no Seminário Episcopal de Angra há oito anos. Melómano assumido, realizou já em idade adulta o percurso completo de formação sacerdotal, concluindo o sexénio filosófico-teológico no seminário diocesano, desenvolvendo posteriormente o seu ano pastoral em Angra do Heroísmo. Ordenado diácono em Novembro do ano passado, realizou o estágio pastoral na ilha de São Miguel. Na celebração da sua ordenação presbiteral esteve rodeado pela família e amigos que o acompanharam ao longo da vida e da vocação. No final da cerimónia, o bispo de Angra deu-lhe as boas-vindas à “nova família” do presbitério açoriano, desejando que se sinta sempre acolhido, acompanhado e sustentado pelos seus irmãos sacerdotes no exercício do ministério.
Igreja Açores

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