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Governo dos Açores avança com combate biológico à vespa-do-castanheiro

O Governo dos Açores, através da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, iniciou no passado dia 9 de Junho a primeira fase da estratégia de luta biológica contra a vespa-das-galhas-do-castanheiro (Dryocosmus kuriphilus), avançando com a libertação controlada do parasitoide Torymus sinensis em seis localidades da ilha Terceira.
Para o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, esta intervenção representa “um passo importante na protecção do património agrícola regional e na defesa de uma cultura com forte valor económico, social e identitário para várias comunidades açorianas”.
A acção no terreno decorre no âmbito de um contrato celebrado entre a Direcção Regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação e a Fundação Gaspar Fructuoso, representando um investimento do Executivo na ordem dos 71.920 euros.
Segundo nota do Governo, o objectivo primordial é realizar uma avaliação de risco rigorosa sobre a introdução deste agente e testar a sua adaptação e eficácia nas condições edafoclimáticas dos Açores.
“Estamos a desenvolver, em parceria com a Universidade dos Açores, uma experimentação que inclui a avaliação de risco associada à introdução deste parasitoide de controlo biológico. Trata-se de uma estratégia que visa proteger os produtores, preservar os castanheiros e assegurar a continuidade desta cultura para as gerações futuras”, sublinha o governante.
Nesta primeira fase experimental, foram largados 1.140 parasitoides, distribuídos por seis conjuntos de 190 exemplares (120 fêmeas e 70 machos cada).
As libertações ocorreram em áreas estratégicas da ilha Terceira, nomeadamente na Arrochela, Biscoitos, Quatro Ribeiras, Vinha Brava, Terra Chã e Penha de França.
Originária da China, e detectada pela primeira vez no país (Continente e Madeira) em 2014, esta espécie invasora ataca os gomos e folhas da árvore, provocando a formação de galhas que afectam gravemente a produção e a qualidade da castanha, podendo conduzir ao declínio progressivo dos castanheiros. Até ao momento, os serviços da tutela têm actuado essencialmente através da monitorização e erradicação manual destas galhas. Apesar de a área de produção de castanha nos Açores ser relativamente reduzida (cerca de 1.589 hectares), a cultura representa um nicho de mercado muito relevante e um património agrícola de excelência.
Na ilha Terceira, por exemplo, a castanha mantém uma forte e antiga tradição em freguesias como a Terra Chã, São Pedro, Posto Santo, São Mateus e São Bartolomeu.
Em nota, o governo refere que a luta biológica com recurso ao Torymus sinensis é hoje reconhecida internacionalmente como o método mais eficaz e sustentável para o controlo desta praga, sendo já utilizado com sucesso no resto do território nacional desde 2015.
Com esta iniciativa técnica e científica, o Governo dos Açores reforça o seu compromisso com a protecção fitossanitária das culturas regionais, assegurando soluções seguras para salvaguardar a biodiversidade dos ecossistemas e a rentabilidade do sector agrícola açoriano.

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