Vinte e oito obras, dois temas, três géneros literários — o certame afirma-se como referência cultural do concelho Vila Franca do Campo celebrou, na noite de 18 de Junho de 2026, a entrega do Prémio Literário Armando Côrtes-Rodrigues, numa cerimónia solene realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal que reuniu família, docentes, entidades parceiras e representantes das instituições que tornaram possível mais uma edição deste certame literário de referência no panorama cultural da ilha de São Miguel.
Esta edição apresentou dois temas propulsores de escrita: O Mundo e a Paz e A Literacia Digital: da IA às Redes Sociais — uma escolha que não poderia ser mais oportuna nem mais exigente. Ao interpelar os jovens sobre a paz num mundo fracturado e, simultaneamente, sobre os desafios e responsabilidades do universo digital, o prémio revelou uma consciência temática sintonizada com os grandes debates do nosso tempo. Vinte e oito obras foram submetidas a concurso, distribuídas por dois escalões — o 3.º Ciclo do Ensino Básico e o Ensino Secundário e Profissional — e por três géneros literários: o Texto Dramático dominou em número, com dezasseis obras, afirmando-se como o género de eleição dos participantes desta edição; o Texto Poético reuniu sete obras, e o Texto Narrativo contou com cinco. Esta distribuição, invulgar pela preponderância do texto dramático, é em si mesma reveladora de um corpo de participantes com apetência pela palavra em cena, pelo diálogo e pelo conflito encenado como forma de pensar o mundo.
A avaliação das obras esteve a cargo de um júri plural e representativo das instituições parceiras do concelho, presidido pelo Presidente da Assembleia Municipal de Vila Franca do Campo. Integraram ainda o júri a Professora Sandra Ferreira, da EBI de Ponta Garça; a Dra. Ana Ponte, em representação da Fundação dos Botelho de Nossa Senhora da Vida; a Professora Vitória Paiva, da Escola Profissional de Vila Franca do Campo; o Professor Pedro Câmara, da EBS Armando Côrtes-Rodrigues; e a Dra. Sandra Melo, em representação da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo.
A qualidade do conjunto das obras a concurso, a diversidade de abordagens e a maturidade com que os jovens trataram temas tão complexos constituíram, segundo o júri, a marca mais distintiva desta edição.
No escalão do 3.º Ciclo do Ensino Básico, os prémios foram atribuídos da seguinte forma: o 3.º Prémio distinguiu Daniela Filipa de Deus Róias com a obra “A Paz no intervalo”; o 2.º Prémio foi entregue a Vasco Frias Furtado pela obra “A paz é assim”; e o 1.º Prémio coube a Eliana Sousa Medeiros com a obra “Entre o real e o algoritmo” — título que, não por acaso, convoca precisamente a tensão entre o humano e o digital que atravessou esta edição do certame.
No escalão do Ensino Secundário e Profissional, a distinção do 3.º Prémio recaiu sobre Carolina Isabel Miranda Martins com “Pátria, dá-me paz!”; o 2.º Prémio foi atribuído a Francisco Neto Melo pela obra “A sinfonia do pó e do silêncio”, de assinalável carga poética e imagética; e o 1.º Prémio foi entregue a Isabel de Fátima Medeiros Melo pela obra “Onde a Paz nasce”, considerada pelo júri de superior qualidade literária.
Foram ainda atribuídas Menções Honrosas a André Carreiro Costa, com a obra “A Paz começa aqui”, e a Telma Marília Pacheco Correia, com “Onde mora a Paz” — reconhecimento merecido de participações que ficaram muito próximas da distinção.
Num momento de especial solenidade, a entrega dos prémios e diplomas foi realizada pela Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, pelo Presidente da Assembleia Municipal, pelos membros do júri e pelos Presidentes das Juntas de Freguesia do concelho — uma presença conjunta que sublinhou o carácter verdadeiramente municipal e comunitário do certame, e que conferiu à cerimónia um simbolismo institucional que vai muito além da simples atribuição de distinções. Cada prémio entregue foi também um ato de reconhecimento colectivo do papel da escrita na formação cívica e cultural dos jovens vila-franquenses.
Os primeiros classificados de cada escalão receberam uma viagem a Lisboa ou ao Porto, oferecida pela Câmara Municipal de Vila Franca do Campo — um presente que alimenta a curiosidade de quem escreve e abre horizontes a quem imagina. Os segundos classificados foram contemplados com um leitor de livros digital, oferecido pela Fundação dos Botelho de Nossa Senhora da Vida. Os terceiros classificados receberam um vale de 100 euros em livros, por oferta da editora Letras Lavadas — uma associação feliz entre a palavra premiada e o livro como objecto de cultura e resistência.
