Ricos: Fiquei muito surpreendida quando a minha prima Ernestina, da Rua do Poço, aquela que tem uma irmã na América que sabe de tudo e mais alguma coisa, mandou-me uma mensagem com um convite para irmos à Poça da Dona Beija, conjuntamente com a irmã que cá está de férias. Aceitei, porque apenas lá fui há muitos anos, quando nem metade desta fama tinha. Pois bem, lá fui eu. E não é que fiquei de boca aberta? Aquilo está um verdadeiro regalo. Tudo muito bem arranjadinho, limpinho, organizado e com uma qualidade que até impressiona. Percebe-se perfeitamente porque é que gente de todo o mundo fala daquela maravilha. A água quentinha, os jardins bonitos e aquele ambiente que parece tirar dez anos das costas de uma pessoa. Mas a maior aventura nem foi entrar na água, foi arranjar os bilhetes de ingresso. Julgava eu que chegava lá, dava os bons-dias e comprava a entrada. Qual quê! Agora é tudo pelas tecnologias modernas. Bilhetes online, horários marcados e mais não sabem quê. Eu olhava para o telemóvel como uma galinha para um relógio. Valeu-me a minha sobrinha-neta, que nasceu já com um telemóvel numa mão e um computador na outra. Em dois minutos tratou da coisa. Eu cá fiquei sem perceber muito bem o que ela fez, mas os bilhetes apareceram no telemóvel e lá entrámos. Agora, entre nós que ninguém nos ouve, há uma coisa que me ficou atravessada. Aquilo é muito bonito, mas os ingressos custam um dinheirão para quem vive cá. Uma pessoa vai uma vez, vai duas, mas para uma família inteira já custa fazer as contas. E eu pergunto: será que os residentes açorianos não mereciam um preço mais amigo? Porque, vejam lá, o turista que vem de longe e está de férias paga o mesmo que quem vive cá o ano inteiro. Não me parece muito justo. As nossas famílias também gostavam de aproveitar aquele cantinho maravilhoso mais vezes, mas com os preços actuais não é fácil. Quando se juntam pais, filhos, avós e netos, a ida à Poça da Dona Beija passa a ser um acontecimento quase tão raro como encontrar a Ernestina calada. Apesar disso, gostei muito da visita e saí de lá toda relaxada. A Ernestina até dizia que eu estava mais nova. Não sei se foi das águas termais ou se foi por finalmente ter conseguido entrar sem perceber nada das tecnologias. No entanto, a Ernestina pediu-me para deixar um recadinho: a Poça da Dona Beija continua uma jóia das Furnas, mas talvez estivesse na hora de pensar num bilhete mais em conta para os residentes e assim, em vez de irmos de anos a anos, à Poça da Dona Beija podíamos ir de vez em quando sem precisar-se de vender – uns galos para pagar-se os bilhetes!
Meus Queridos! A minha amiga Gertrudes telefonou-me para saber como é que podia ir no dia 19 de Junho à sessão da Associação de Seniores de São Miguel que estava agendada para o dia 19 de Junho, sexta-feira pelas 17 horas no Hotel Marina Atlântica, onde iria decorrer um debate dedicado aos 50 anos do sistema eleitoral dos Açores, e na ocasião iria ser analisado pela assistência as virtudes e limitações do modelo actual do Sistema Eleitoral dos Açores ainda em vigor … Até aqui pareceu tudo bem, … mas depois deixou-me perplexa quando me dizem que iam na sessão discutir eventuais propostas de reforma da actual lei em vigor, e se o actual sistema serve ou não os Açores, e como poderá ser melhorado…Ricos! Acho bem que se discuta esta e outras matérias, porquanto desde há muito tempo tenho dito às pessoas com quem me vou cruzando nos caminhos que vou percorrendo… e vou falando com quem vou encontrando, em vez de mandar recados pelas redes sociais. Depois durante a conversa vou dando a minha opinião, de que é preciso repensar o sistema eleitoral Regional, para evitar as entorses provocadas pela forma com que está “engendrado” o círculo regional de compensação…. Já pediu à minha amiga Gertrudes que me diga depois qual foi o resultado a que chegaram os participantes na sessão da Associação dos Seniores de São Miguel… e qual será a forma futura “para repescar os votos que no fim da contagem dos votos que no modelo actual serão depois distribuídos através do círculo de compensação. Vou aguardar o que me vai depois dizer a minha amiga Gertrudes e faço votos que da sessão saia “fumo branco” em vez de” fumo preto “!
Ricos: A minha vizinha Evangelina resolveu fazer uma viagem até à antiga capital de São Miguel, a nossa Vila Franca do Campo, para comprar a famosa loucinha da vila e mandar para os familiares lá no Canadá. Contou-me ela que ia à procura de pratos e lembranças, mas acabou por encontrar uma vila inteira vestida de festa. Quando lá chegou, ficou de boca aberta com as ruas enfeitadas para o São João, com balões pendurados, sardinhas figuradas por todo o lado, varandas engalanadas e um ambiente que fazia parecer que até as pedras da calçada estavam a dançar. E com as marchas a prepararem-se para sair à rua na próxima Terça-feira, já se sente aquela animação que atrai milhares de forasteiros todos os anos à Vila. Mas a melhor parte ainda estava para vir. Entrou numa olaria para escolher a tal loucinha e deu de caras com um grupo de idosos num workshop de barro. Uns tentavam fazer canecas, e outros estavam a moldar uma sardinha, num convívio tão alegre que a Evangelina disse que saiu de lá com mais disposição do que com a compra das peças de cerâmica…. Segundo ela, os idosos estavam entretidos a produzir as tradicionais sardinhas de São João, todos concentrados, de língua de fora e as mãos no barro, como se estivessem a preparar as obras para uma exposição internacional. Quando Evangelina regressou depois à cidade da Ribeira Grande, vinha encantada e também um bocadinho invejosa, dizendo – me… quem me dera ver pela nossa cidade norte o mesmo empenho pelo São Pedro que os vila-franquenses têm pelo seu rico São João”.
Ricos: Nunca fui grande apreciadora de futebol e confesso que muitas vezes nem sei quem joga contra quem, mas a minha comadre Evangelina desafiou-me para assistir ao jogo com o Congo na companhia das antigas colegas da Caixa e achei que era uma boa oportunidade para matar saudades e passar um fim de tarde diferente. Como é costume nestes encontros, ninguém apareceu de mãos vazias. Havia uma mesa muito bem composta, com deliciosos biscoitos de orelha de Santa Maria, bolos lêvedos dos Arrifes ainda bem fresquinhos e até umas malassadas que, embora já estejamos longe do Entrudo, continuam a saber maravilhosamente bem. A acompanhar, não faltou um chá verde quentinho do Porto Formoso, perfeito para animar a conversa e aquecer o coração. A expectativa para o jogo era grande e, entre comentários, risos e algumas opiniões mais apaixonadas, fomos acompanhando cada lance. Houve momentos de entusiasmo e outros de nervosismo, mas no final o empate deixou um sabor amargo. Pareceu daqueles resultados que sabem mais a derrota do que a igualdade. Ainda assim, o resultado acabou por ser o menos importante. O melhor da tarde foi o convívio, as histórias recordadas dos tempos da Caixa, as gargalhadas e a alegria de rever amigas de longa data. Voltámos todas para casa com boa disposição e energia renovada, porque a amizade, essa sim, saiu vencedora.