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União Europeia, os Açores e a Comissária Europeia

Maria Luísa Albuquerque, a Comissária Europeia responsável pelos Serviços Financeiros, União da Poupança e dos Investimentos da União visitou os Açores na semana finda.
No decurso dos contactos que manteve no Arquipélago e na oportunidade que teve para expressar publicamente a sua opinião e as recomendações inerentes teceu um conjunto apropriado e muito útil de considerações sobre a economia açoriana, o seu financiamento e o seu desenvolvimento.
Sugeriu como poderia a economia açoriana minorar a sua “dependência dos apoios financeiros”.
Os Açores como qualquer país beneficiário devem preferir e aumentar a utilização dos fundos europeus e serem menos beneficiários de puros apoios financeiros, pois só por este caminho poderão ter maior capacidade de criação de riqueza. Devem os Açores também procurar aumentar o investimento privado. Não terá sido exactamente por estas palavras que acabo de escrever, mas por outras suas com o mesmo objectivo e alerta subjacente.
É necessário “mobilizar o investimento para crescer”? Com certeza! Mas aumentar o volume do privado.
Porém, é mais difícil de alcançar os objectivos economicamente desejados numa economia da dimensão humana da açoriana, com as suas características geográficas permanentes de isolamento atlântico e de dispersão das suas nove ilhas e população por cerca de 600 Km de mar em linha reta. Os Açores não dispõem da configuração geográfica e populacional do Arquipélago das Canárias ou da Madeira, razão pela qual o seu crescimento económico que é necessário tem de cumprir um modelo próprio ou modelos diferentes.
Maria Luís Albuquerque anunciou medidas europeias de enorme relevância para a economia açoriana, ao declarar que está “para muito breve” a “actualização das Estratégias da União Europeia para as Regiões Ultraperiféricas”. Acrescentou que os mecanismos de apoio às economias europeias ultraperiféricas, serão adaptadas às realidades concretas ultraperiféricas, as quais não são todas iguais. Por isso os mecanismos serão ajustados às necessidades, aos desafios e às oportunidades que as regiões evidenciam.
Mas nem tudo são dificuldades que têm de ser superadas. Os Açores dispõem de características únicas e valiosas derivadas da extensão do seu mar e céu como da sua localização entre continentes fundamentais para o Mundo,
É verdade o que disse publicamente a Comissária Europeia: o financiamento público continua a ser essencial para as infra-estruturas, mas não para todas acrescento eu.
As pequenas e médias empresas que muito impulsionam e estimulam a economia açoriana necessitam de apoios específicos, a dimensão da economia e dos mercados o exige. Os Açores necessitam muito de tecnologia actualizada e de mecanismos financeiros de apoio direccionado para as pequenas e médias empresas.
Maria Luís Albuquerque sublinhou o valor da posição geoestratégica do Arquipélago dos Açores como é designadamente o caso da sua mais-valia para a “nova economia do espaço”. Na ilha de Santa Maria já existe uma estação espacial para o lançamento de foguetões – não de drones, acrescento eu.
Por: Álvaro Dâmaso

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