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Amor e vida

O Sol escaldara o dia e o cansaço marcava as faces suadas.
As primeiras brisas do entardecer corriam nos braços das árvores amenizando a canícula.
A figura do Sábio se projetava além dos limites da clareira aberta no bosque onde todos se encontravam.
Pairavam no ambiente as ânsias de mil necessidades não explicitadas.
Um jovem arrebatado, de olhar fulgurante, fascinado pelo Amigo, pediu:
— Diz-nos o que é o amor.
Distendendo os braços em gesto afetuoso, como se desejasse a todos afagar, assim Ele se referiu:
“— O amor é a essência da Vida.
Tudo se move em torno do amor que provém de Deus.
As forças que governam os astros e movimentam as partículas mantendo a harmonia, decorrem da atração mecânica profunda do amor, que se manifesta em toda a parte, como causa primeira da Criação Divina.
Quando se dá, sem aguardar retribuição; quando se perdoa, sem esperar o arrependimento do ofensor; quando se ajuda a quem se recusa progredir; quando se ampara a quem não pediu apoio; quando se compreende a ingratidão de uma pessoa amiga; quando se posterga o próprio prazer, a fim de propiciá-lo a outrem; quando a indulgência habita o coração e a alegria de viver se reflete em todos os atos, encontrou-se o clima e a alma do amor, que passa a residir no país dos sentimentos.
O amor não reclama, nem incrimina; não se cansa, nem exige recompensa; não se desespera, nem se irrita; não agride, nem domina os outros; não subestima, nem se subleva. É sempre uma bênção conciliadora e calmante, cujas nascentes estão em Deus.
Os homens clamam pelo amor e ardem vitimados pelos desejos do ego apaixonado.
Reclamam da solidão e não se acercam de outros solitários para os acompanhar.
Pedem ternura e aprisionam, nos seus cárceres de luxúria, aqueles que se propõem envolvê-los com carinho.
São escravos impondo submissão.
O amor é um ato de libertação, por isso, quem ama é livre, missionário da liberdade dos outros.
O amor se encontra no coração dos homens, porém, nem todos se dão conta, assemelhando-se a determinado animal que carrega madeira de sândalo e jóias muito desejadas e de alto preço, mas, de cujo valor não se apercebe.
A flor de lótus medra no lodaçal e se nutre da água que a mantém fresca. Assim também o amor, frondeja nas paixões, mas nutre-se da água divina que flui do Pai Criador.
Amor é Vida.”

Pelo Espírito Eros
Psicografia de Divaldo Pereira Franco
Livro: A um passo da imortalidade

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