A APPAA, Associação para a Promoção e Proteção Ambiental dos Açores, considera necessário adotar medidas para que sejam cumpridas as normas previstas no regulamento de acesso à Reserva Natural da Montanha do Pico.
Durante o período de Verão existe uma crescente procura pela subida ao topo da Montanha, uma das principais atracções para quem visita a ilha do Pico. Justifica-se o cumprimento de regras rigorosas para a defesa da segurança e da vida de quem decide realizar esse percurso, que constam das portarias que têm sido actualizadas regularmente. A mais recente actualização foi aprovada há meses, na reunião do Conselho Regional do Ambiente e Ação Climática, com a concordância da APPAA.
Não basta aprovar regulamentos, é necessário criar condições para que sejam aplicados, sobretudo quando estão em causa a segurança e vida humanas, que não têm preço. É lamentável que se atraiam visitantes para usufruir da riqueza natural das nossas ilhas e que as receitas resultantes não sejam aplicadas, prioritariamente, na sua protecção e, simultaneamente, na protecção do meio ambiente.
Todos os meios alternativos que sejam utilizados para garantir o cumprimento do registo prévio, ou a garantia do acompanhamento exclusivo por guias de Montanha do Pico, ou o recurso aos Bombeiros Voluntários da Madalena, com o controle reforçado por parte dos Vigilantes da Natureza ou da PSP, não poderão compensar a ausência de controle, no local, na Casa da Montanha.
Os visitantes procuram as melhores condições meteorológicas dos meses de Julho e Agosto para pernoitarem, com a vontade de desfrutarem de uma experiência única, que se obtém com a observação dos inesquecíveis por do sol e nascer do sol. Esta procura obriga a um maior controle e maior exigência no cumprimento das normas previstas na legislação, exigindo-se um reforço urgente de meios humanos que também garantam o funcionamento da Casa da Montanha durante o período nocturno.
A legislação obriga que fora dos períodos de funcionamento da Casa da Montanha, apenas é permitido o acesso à Montanha com acompanhamento feito pelas entidades reconhecidas para o efeito. Com o encerramento noturno da Casa da Montanha, não haverá controle nem vigilância. A APPAA na nota enviada às redacções apela para que o encerramento nocturno da Casa da Montanha seja uma medida provisória e excepcional, até que se garanta a seu funcionamento durante todas as horas de cada dia, conforme previsto na legislação.
Também a Representação Parlamentar do PAN/Açores elativamente ao encerramento da Casa da Montanha, na ilha do Pico, motivado pela escassez de recursos humanos.
A situação, que se arrasta sem solução à vista, suscita preocupação por parte do partido quanto à segurança dos visitantes, considerando tratar-se de um dos trilhos mais exigentes do arquipélago, o da Montanha do Pico, percurso de elevada dificuldade que obriga ao cumprimento rigoroso de normas de segurança e ao acompanhamento técnico adequado.
A par disso, e conforme noticiado, durante o período em que a Casa da Montanha permanece encerrada, os visitantes podem aceder ao trilho de forma autónoma, sem qualquer controlo ou monitorização – existem limites de visitantes não só por dia, como em simultâneo – desconhecendo-se se se encontram em segurança, o que pode configurar um risco acrescido num ambiente de montanha que exige vigilância.
Pedro Neves, citado em nota, sublinha que a ausência de informação clara e actualizada agrava o problema, uma vez que que o site oficial dedicado à subida da Montanha do Pico não menciona o encerramento da Casa da Montanha, nem a indisponibilidade do trilho por falta de condições de segurança, transmitindo a falsa percepção de normalidade – uma dissonância que está a gerar constrangimentos para operadores turísticos e utilizadores da montanha, sobretudo em plena época alta, quando o fluxo de visitantes aumenta de forma expressiva e a necessidade de organização e segurança se torna ainda mais crítica.
