Há pessoas cuja partida deixa um silêncio difícil de explicar. Não apenas pela ausência física, mas pelo vazio humano que se instala em todos aqueles que tiveram o privilégio de as conhecer. Foi com profunda tristeza que recebi a notícia do falecimento do João Furtado, amigo de muitos anos, companheiro de causas e homem de uma lealdade rara.
Conheci o João nas lides políticas, mas a amizade que nos uniu ultrapassou em muito as fronteiras da atividade partidária. Militámos ambos no PSD e, ao longo dos anos, partilhámos projetos, convicções e, sobretudo, uma visão comum de serviço à nossa terra e às suas gentes. Quando tive a responsabilidade de liderar a Câmara Municipal, o João fez parte da minha equipa como vereador, desempenhando as suas funções com dedicação, sentido prático e um enorme espírito de cooperação.
Antes disso, já se havia afirmado como um presidente de Junta dinâmico e próximo da população do Porto Formoso. Foi um autarca que conhecia as pessoas pelo nome, que escutava os seus problemas e que procurava encontrar soluções concretas para melhorar a vida da sua comunidade. O seu trabalho e o seu empenho deixaram marcas que perdurarão na memória coletiva da freguesia que tanto amava.
Mas o João Furtado era muito mais do que um homem da política. Era, acima de tudo, um homem da vida. Um homem que nunca se deixou vencer pelas dificuldades. As adversidades que encontrou pelo caminho, em vez de o desanimarem, deram-lhe força para continuar a lutar, a trabalhar e a acreditar no futuro. Possuía uma determinação admirável e uma capacidade invulgar de transformar obstáculos em oportunidades.
Como empresário, revelou uma visão moderna e empreendedora. Soube arriscar, inovar e construir o seu percurso com esforço, persistência e sentido de responsabilidade. Nada lhe foi oferecido. Tudo o que alcançou resultou da sua coragem, do seu trabalho e da sua inabalável vontade de vencer. Era um homem prático, de ação, daqueles que preferem fazer a falar e que encontram sempre uma solução quando muitos apenas veem problemas.
Mas aquilo que mais recordarei será, sem dúvida, o amigo. O homem leal, sincero e disponível. O companheiro de caminhada, presente nos momentos de alegria, mas também nos tempos mais difíceis. O João era daqueles amigos que não precisavam de grandes palavras para demonstrar a sua amizade. Bastava um gesto, uma presença, um telefonema ou um simples aperto de mão para sabermos que podíamos contar com ele.
Hoje, a vida leva-nos um homem bom. Um homem simples e autêntico, que soube conquistar o respeito e a estima de todos aqueles que com ele privaram. A sua ausência será sentida por muitos, mas a memória do seu exemplo permanecerá viva.
Nesta hora de dor, quero deixar à sua família, aos seus amigos e a todos quantos partilham esta perda profunda, uma palavra de solidariedade e de abraço fraterno.
Quanto a mim, fica a gratidão por ter caminhado ao lado de um homem íntegro e de um amigo verdadeiro.
Adeus, João.
Partes cedo demais, mas deixas-nos a riqueza do teu exemplo, a marca da tua amizade e a certeza de que há pessoas que nunca morrem verdadeiramente, porque continuam vivas na memória e no coração daqueles que tiveram a felicidade de as conhecer.
Aqui fica a minha homenagem sentida ao amigo João Furtado, companheiro de causas, homem de trabalho e amigo para sempre.
António Pedro Costa
