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Presidente Jaime Vieira olhe para o campo da sua vila de Rabo de Peixe

ESTE TEMA ESTÁ NA MINHA AGENDA HÁ ALGUM TEMPO. Resolvi hoje trazê-lo a público porque, pelo que me disseram, não há evolução na finalização das obras da segunda fase do campo de futebol Bom Jesus, em Rabo de Peixe.
Nutro pelo actual presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Jaime Vieira, admiração e simpatia. A admiração desde que fui ao antigo campo do Bom Jesus entrevistá-lo há cerca de 30 anos.
Chegou-me a informação de que um grupo de pessoas pretendia reerguer o Clube Desportivo de Rabo de Peixe, depois de um período de inactividade terminado o ciclo do presidente Gil Mineiro. Deparou-se-me um jovem de 17 anos de idade com ideias, com vontade, com determinação, audacioso, impondo-se no meio e respeitado por aqueles que o rodeavam. Viam naquele rapaz capacidades para elevar o clube, para reorganizá-lo, para por ordem.
Comentando com a minha esposa ter entrevistado um jovem Jaime como futuro presidente do CD Rabo de Peixe, disse-me ter sido seu aluno na escola Ruy Galvão de Carvalho, evidenciando sinais de líder. Intervinha com frequência, falador, educado e respeitador.
Ao longo dos anos acompanhei o percurso de Jaime Vieira no campo desportivo. Acumulou as funções de jogador com as de presidente e mais tarde de treinador. Um triângulo difícil para um clube já com vários escalões etários, com dinâmicas próprias mas requerendo uma gestão cuidada. A verdade é que Jaime Vieira foi dando conta do recado.
Com o clube a crescer, deixou de jogar, depois de treinar, mantendo-se na presidência até há um ano. Foi assessorado por elementos dedicados e competentes, principalmente quando foi eleito presidente da Junta de Freguesia e mais tarde deputado regional, porque a disponibilidade já não era a mesma.
A forma como projectou o clube possibilitou projectar-lhe. Ganhou na populosa vila créditos que na hora do voto foram fundamentais para as eleições.

NA SUA GESTÃO DE AUTARCA ACONTECEU UM VOLTE FACE com a questão do campo do Bom Jesus, situado junto à fábrica da COFACO. O processo da venda do espaço para a transferência até ao actual lugar foi demorado. Burocracias, entraves, complicações, protestos, dúvidas, esclarecimentos, etc, obrigaram as equipa do CD Rabo de Peixe a jogarem cinco anos fora da vila, com custos elevados e com uma logística apertada e complexa.
Em 2017 o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande apresentou um projecto com duas fases para o complexo desportivo de Rabo de Peixe. Logo com um erro de palmatória de arquitectos que de campos de futebol pouco percebem. Numa ilha que chove com frequência e por vezes com abundância, dotar a bancada com uma pequena pala, é uma falha de palmatória. Há anos não se pensava no conforto dos espectadores. Já não é assim. Foi por isso que o estádio municipal da sede do concelho recebeu há uns 4/5 anos uma cobertura na zona central da bancada e no principal palco de futebol da ilha a pala é insuficiente.
Com avanços e com alguns recuos, o investimento de 1,7 milhões de Euros para a primeira fase foi andando durante dois anos. Claro que no final a derrapagem atingiu os 2,1, segundo dados recolhidos em várias notícias publicadas aquando da inauguração, em Março de 2022.
Na cerimónia de descerramento da placa que perpetua o inicio da actividade desportiva no novo campo, está Jaime Vieira assistindo à retirada da bandeira dos Açores pelo presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, e pelo presidente da autarquia ribeiragrandense, Alexandre Guadêncio. Sonhava, certamente, o então líder da Junta estar nas funções de autarca principal do concelho.

O ANÚNCIO DO INÍCIO DA SEGUNDA FASE DO CAMPO DE FUTEBOL era para o ano seguinte. Só em Março de 2024, dois anos mais tarde e após o visto do Tribunal de Contas, foi assinado com a empresa Conduril Engenharia Açores o contrato para o arranque das obras, orçadas em 850 mil Euros, mais 150 mil do que estava inicialmente projectado.
Esta fase incluiu a construção de dois novos balneários, zona técnica para manutenção física, lavandaria, sala administrativa, bar e garagens. As bancadas serão também aumentadas em toda a largura do campo.
A obra foi decorrendo com a realização de jogos, mesmo de cariz nacional, porque não houve entraves. Conciliaram-se obras com jogos.

HÁ CERCA DE UM ANO QUE SE NOTA NÃO ESTAREM FINALIZADAS AS OBRAS. Os novos balneários estão fechados. Há zonas desta fase da construção que estão sem manutenção.
As equipas de Sub-19, de Sub-17 e B do Santa Clara utilizaram o campo, além dos jogos do CD Rabo de Peixe no campeonato regional. Passaram por ali centenas de praticantes, de treinadores, de dirigentes e acompanhantes de todo o país, desde SL Benfica, Sporting CP, FC Porto e outros emblemas com mais ou com menos nomeada. Houve mais de 20 transmissões directas de jogos das equipas do Santa Clara através dos canais vídeo. O campo foi exposto.
Presenciar os janelões das áreas mais recentes fechados com plásticos, com o vento a pô-los a voarem, transmite mau aspecto.
Falaram-me de um problema com a entrega da obra. Que resolvam. Ver aquele estado de zonas que continuam encerradas, prejudicando quem utiliza, deprime. Não é bom para nenhuma as partes. Admiro-me como as equipas do Santa Clara ali jogaram toda a época.
Jaime Vieira apanhou a situação como está. Como primeiro responsável tem de desenvolver acções para que não se prolongue o que se vai observando.
Como homem da vila, como homem do futebol, como antigo presidente, tem de colocar como prioridade acabar com as obras e por o campo nas condições que o projecto indicou.
Aquando da apresentação do complexo desportivo, foi dito que a seguir seria o pavilhão. É uma necessidade para a vila, especialmente para a sua juventude. Para quando presidente Jaime Vieira?

José Silva

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