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“Não vendemos apenas comida, criamos experiências”, afirma a fundadora do Tábuas & Tapas Cadija Cassamá.

Com uma formação variada, Cadija Massamá estaria longe de pensar que o seu futuro estaria ligado à gastronomia. Contudo, a vida levou a que abrisse, recentemente, o estabelecimento Tábuas & Tapas. Ao Correio dos Açores, conta como foi o seu percurso, o que a levou a abrir um restaurante, o que distingue este negócio e ressalva: “o verdadeiro cartão de visita da Tábuas & Tapas não é uma tábua específica. É a forma como recebemos os clientes, a apresentação cuidada, a qualidade dos ingredientes e a atenção ao detalhe”.

Como tem sido o seu percurso (pessoal e profissional) até ao dia de hoje?
Cadija Cassamá (fundadora do Tábuas & Tapas) – Tenho 26 anos e costumo dizer que a Tábuas & Tapas é o resultado de tudo aquilo que fui aprendendo ao longo da vida.
À primeira vista, ninguém diria que o meu percurso me levaria até à gastronomia. A minha formação passa pelas Artes Performativas, pelo Empreendedorismo e Negócio Social e pela Intervenção Social e Comunitária. São áreas diferentes, mas todas têm algo em comum: trabalham com pessoas.
As artes ensinaram-me a criar experiências e a despertar emoções. O empreendedorismo deu-me a capacidade de transformar uma ideia num projecto sustentável. A intervenção social mostrou-me a importância da proximidade, da inclusão e da criação de momentos que unem as pessoas.
Hoje percebo que a Tábuas & Tapas reúne exactamente essas três dimensões. Cada experiência que criamos tem criatividade, estratégia e um forte lado humano. No fundo, continuo a trabalhar com pessoas — apenas encontrei uma forma diferente de o fazer, através da gastronomia.

O que a levou a abrir um restaurante de Tapas em São Miguel?
Sempre senti que São Miguel tinha uma enorme riqueza gastronómica, mas que havia espaço para um conceito diferente.
Não queria abrir mais um restaurante. Queria criar uma marca que levasse os sabores dos Açores até às pessoas de uma forma exclusiva e personalizada.
A Tábuas & Tapas nasce dessa visão: uma empresa especializada em experiências privadas de degustação e catering premium de tábuas gourmet, onde cada evento é pensado ao detalhe.
Queremos que um jantar em casa, um pedido de casamento, uma reunião de empresa ou um evento num hotel seja vivido como uma experiência gastronómica única.
É essa a nossa verdadeira missão.

Porquê um restaurante de Tapas?
Porque acredito que as pessoas já não procuram apenas boa comida. Procuram experiências.
Hoje, quando alguém escolhe celebrar um momento especial, procura algo que fique na memória. As tábuas gourmet têm precisamente essa capacidade. Promovem a partilha, a conversa e a descoberta de novos sabores.
Nós pegámos nesse conceito e demos-lhe uma identidade açoriana, valorizando os nossos queijos, enchidos, frutas, compotas, vinhos e outros produtos regionais.
Cada experiência é uma forma de contar a história dos Açores através da gastronomia.

Quais são os pratos ou tapas que considera a imagem da casa?
É difícil escolher apenas um porque cada experiência foi pensada para um momento diferente.
A tábua representa muito bem a essência da marca, mas gosto especialmente da Mare Nostrum, porque traduz o posicionamento premium que queremos afirmar.
Ainda assim, acredito que o verdadeiro cartão de visita da Tábuas & Tapas não é uma tábua específica. É a forma como recebemos os clientes, a apresentação cuidada, a qualidade dos ingredientes e a atenção ao detalhe.
São esses elementos que transformam uma refeição numa experiência.

Qual foi a maior dificuldade que encontrou ao abrir este negócio?
A maior dificuldade foi, sem dúvida, criar um conceito que ainda não existia nos Açores.
Muitas pessoas perguntam se somos um restaurante, uma empresa de catering ou uma loja gourmet.
Na verdade, somos uma empresa especializada em experiências gastronómicas.
Mas exige explicar constantemente o conceito e mostrar que o nosso trabalho vai muito além da preparação de alimentos. Mas também acredito que é precisamente essa diferença que nos vai permitir crescer

Tem tido dificuldade em encontrar mão-de-obra?
Nesta fase inicial trabalhamos em família, e isso permite-nos garantir que cada detalhe corresponde aos padrões de qualidade que definimos.
No futuro, o maior desafio será encontrar pessoas que partilhem os mesmos valores da marca.
Mais do que competências técnicas, procuraremos profissionais que compreendam a importância da hospitalidade, da apresentação e da experiência do cliente.

O que distingue o seu estabelecimento dos demais que já existem?
O que nos distingue é que não vendemos apenas comida. Criamos experiências.

Na sua opinião, como está o negócio da restauração em São Miguel?
Embora tenha crescido em Lisboa, foram os Açores que conquistaram o meu coração. Apaixonei-me pela autenticidade das pessoas, pela natureza e, sobretudo, pela riqueza gastronómica destas ilhas.
Na minha perspectiva, os Açores têm alguns dos melhores produtos de Portugal e da Europa. Os queijos, os enchidos, as carnes, o peixe e marisco do Atlântico, as compotas artesanais, os chás, os vinhos e tantos outros produtos reflectem um território único e produtores que trabalham diariamente com enorme dedicação.
Acredito que existe um potencial extraordinário para continuar a valorizar este património gastronómico através de experiências diferenciadoras. Hoje, quem visita um destino procura muito mais do que uma boa refeição; procura conhecer a identidade desse lugar e criar memórias.
Foi precisamente essa visão que deu origem à Tábuas & Tapas.
Não queremos apenas servir produtos regionais. Queremos contar a história dos Açores através deles, criando experiências privadas de degustação e serviços de catering premium que permitam aos nossos clientes descobrir a qualidade e a autenticidade da gastronomia açoriana.
Se, no final de uma experiência, alguém regressar a casa a falar dos sabores dos Açores, dos seus produtores e da excelência dos seus produtos, sentimos que cumprimos a nossa missão. A Tábuas & Tapas pretende ser uma embaixadora dessa riqueza gastronómica, contribuindo para que cada vez mais pessoas associem os Açores não só às suas paisagens, mas também à excelência da sua gastronomia.
Frederico Figueiredo

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