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Estudo descobre o que une o cancro da mama e a fibrilhação auricular

O cancro da mama e a fibrilhação auricular em mulheres com 55 ou mais anos têm mais em comum do que se pensava: o consumo de álcool e o tabagismo têm sido associados a ambos em várias regiões do mundo, revela uma nova investigação publicada no Journal of the American Heart Association, uma revista da American Heart Association.
O número de casos de cancro da mama e de fibrilhação auricular, uma forma de arritmia, representa um crescente problema de saúde global, segundo os autores do estudo, numa altura em que ainda não se compreende bem porque é que estas condições apresentam taxas semelhantes em partes específicas do mundo.
“Identificar factores de risco partilhados é importante para o desenvolvimento de intervenções que promovam uma saúde óptima, como a cessação tabágica e a restrição do consumo de álcool, o que poderá potencialmente reduzir substancialmente a incidência global de cancro da mama e fibrilhação auricular”, afirma o co-autor do estudo, Shu Wang, director do Centro de Doenças da Mama do Hospital Universitário de Pequim.
Nesta análise, os investigadores olharam para as taxas de cancro da mama e de fibrilhação auricular em mulheres com 55 anos ou mais em 204 países e regiões do mundo e avaliaram a exposição das mulheres a 58 factores de risco comuns e distintos relacionados com a saúde, o comportamento e o estilo de vida, incluindo o tabagismo, o consumo de álcool, o índice de massa corporal e a actividade física.

Quais os resultados da análise?

Os investigadores observaram que 80 países ou territórios de um total de 202 (39%) apresentaram taxas semelhantes de cancro da mama e fibrilhação auricular; cerca de 65 países (32%) apresentaram predominância de cancro da mama e 57 países (28%) apresentaram predominância de fibrilhação auricular.
Após a consideração de múltiplas variáveis, o tabagismo e o consumo de álcool estiveram associados a taxas mais elevadas tanto de cancro da mama como de fibrilhação auricular.
Uma análise mais aprofundada constatou que a redução do consumo de álcool e do tabagismo poderia potencialmente reduzir o risco de cancro da mama em cerca de 15% e de fibrilhação auricular em cerca de 12% em todo o mundo, com o consumo de álcool a ser considerado um factor contribuinte significativo para ambos os problemas.
Países desenvolvidos e de rendimento elevado, como os EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e grande parte da Europa, apresentaram taxas elevadas tanto de cancro da mama como de fibrilhação auricular, o que está de acordo com as pesquisas anteriores que relacionam as dietas ocidentais e os estilos de vida sedentários ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, bem como de cancro.
“Um dos aspectos mais surpreendentes das nossas descobertas foi a frequência com que tanto o cancro da mama como os diagnósticos de fibrilhação auricular foram diagnosticados em mulheres com 55 anos ou mais em regiões de rendimentos elevados, o que realça a influência do estilo de vida”, refere Wang.
Os resultados do estudo revelaram que as zonas de alto risco se concentravam principalmente nos países ocidentais, onde a exposição ao tabagismo e ao consumo de álcool era maior. Isto pode ser atribuído a diferenças no estilo de vida, bem como a diferenças sociais e comunitárias. Além disso, as nações ocidentais apresentavam maior probabilidade de exposição a mais tipos de factores de risco, como um índice de massa corporal mais elevado e estilos de vida mais sedentários, devido à industrialização e à transição para dietas mais ocidentalizadas.
“Actualmente, cada vez mais pessoas estão atentas à relação entre o cancro e a saúde cardiovascular”, afirmam os co-autores do estudo, Zeye Liu, médico e cirurgião do departamento de cirurgia cardíaca do Hospital Universitário de Pequim, e Yi Shi, médico e director do departamento de cirurgia cardíaca do Hospital Universitário de Pequim.
“O cancro da mama e a fibrilhação auricular aumentam em conjunto em muitas regiões do mundo e partilham os mesmos factores de risco modificáveis. Do ponto de vista cardiovascular, isto significa que a redução do tabagismo e do consumo de álcool pode ajudar a diminuir o risco de ambas as condições em simultâneo”.
“Esta sobreposição sublinha a importância de estratégias integradas de estilo de vida para reduzir o risco de doença cardiovascular e cancro”, refere Laxmi Mehta, médica e membro da American Heart Association.
noticiassaude.pt

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