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União Europeia quer triplicar armazenamento de energia para travar desperdício de renováveis

Os Ministros da Energia da UE assinaram o primeiro acordo tripartido para reforçar a capacidade de armazenamento de energia do bloco. Segundo a notícia da “Euronews”,a UE precisa de 200 GW até 2030, face aos actuais 55. 22 Estados-membros prometeram acrescentar 30–35 GW até 2028.
O acordo procura responder a um problema que se tornou urgente com a transição verde da Europa: como armazenar os crescentes excedentes de energia provenientes de fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar.
De acordo com a “Euronews”, embora a quota de energias renováveis esteja a crescer (23 por cento em 2020 para 25,2 por cento em 2024), a capacidade de armazenamento do bloco continua demasiado limitada para absorver toda essa energia. A Europa desperdiça excedentes de energia renovável gerados em picos sazonais, o que a obriga a aumentar a produção de electricidade a partir de combustíveis fósseis.
Este acordo aumenta a capacidade de armazenamento da UE, permitindo conservar energia excedentária e garantir um abastecimento fiável durante aumentos súbitos da procura, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e estabilizar os preços da energia.
Estados-membros, instituições financeiras, produtores de energia limpa e indústrias consumidoras de energia são os principais intervenientes, responsáveis por garantir previsões anuais de armazenamento, uma procura de energia estável, custos previsíveis e acesso a financiamento.
“Pela primeira vez, a UE definiu uma orientação política clara, transformando o armazenamento de uma tecnologia facilitadora numa prioridade de execução”, afirmou Walburga Hemetsberger, directora-executiva da SolarPowerEurope.

Do que a UE precisa

A energia solar e eólica geram eletricidade de acordo com os padrões meteorológicos, e não em função dos picos da procura humana. A “Euronews” explica que, sem armazenamento optimizado, a UE continua dependente de gás fóssil importado para colmatar as falhas quando o sol se põe ou o vento abranda. Apesar de as renováveis fornecerem 44 por cento da eletricidade da UE, o bloco ainda importa cerca de 55 por cento da energia total, incluindo petróleo e gás.
A procura de eletricidade está a aumentar rapidamente. A Agência Internacional da Energia prevê que o consumo de IA e de centros de dados duplique até 2030. Estas instalações já representam cerca de 3 por cento do fornecimento de eletricidade e deverão ultrapassar 28 GW.
Os centros de dados precisam de um fornecimento constante de eletricidade, 24 horas por dia, sete dias por semana. Não podem suspender operações de IA quando a produção renovável diminui. Sem 200 GW de armazenamento até 2030, os operadores poderão ter de recorrer a centrais fósseis para garantir a fiabilidade, comprometendo os objectivos de neutralidade climática da UE. O armazenamento permite que o excesso de energia solar gerado durante o dia alimente a infra-estrutura digital durante a noite.
Segundo a “Euronews”, a Europa está igualmente a electrificar os transportes e o aquecimento, transferindo dois sectores intensivos em carbono dos combustíveis fósseis para a rede eléctrica. A UE pretende pôr mais de 30 milhões de veículos eléctricos na estrada e instalar 50 milhões de bombas de calor até 2030. Responder a esta procura exigirá soluções de armazenamento em grande escala para equilibrar a oferta renovável.
“Creio que o maior problema será não tratar o armazenamento de energia como infraestrutura essencial”, afirmou Jacopo Tosoni, secretário-geral-adjunto da Energy Storage Europe. “Se não colocarmos a flexibilidade no centro do sistema energético, desperdiçamos a eletricidade renovável barata que já temos, enquanto a indústria continua a pagar preços elevados pela energia.”
De acordo com a “Euronews”, no início de 2026, a Europa registou períodos recorde de preços negativos da electricidade, quando a produção solar e eólica excedeu a capacidade da rede. Só no primeiro trimestre, os mercados diários da UE contabilizaram 1 223 horas de preços negativos, cerca do dobro dos níveis anteriores, com a Alemanha e Espanha entre os países mais afectados.
Quando a oferta supera a procura, as redes têm de limitar a produção renovável, desperdiçando eletricidade limpa e reduzindo as receitas dos projectos. O armazenamento responde a este problema ao absorver o excesso de energia quando os preços são baixos e devolvê-lo quando a procura aumenta.
“Já vivemos uma espécie de bloqueio da rede”, afirmou Tosoni. “Os preços negativos estão a tornar-se comuns porque temos um excedente de renováveis e armazenamento insuficiente para utilizar essa energia mais tarde.”

Acordo sobre
armazenamento de energia

A “Euronews” relata que o acordo aumenta a capacidade da Europa para armazenar mais energia solar e eólica e utilizá-la em caso de aumentos súbitos da procura. Define como objetivo pelo menos mais 20 por cento (45 GW) de capacidade do que a capacidade instalada anualmente em 2025 (12 GW), entre 2026 e 2028. As reservas de armazenamento deverão cobrir cerca de 10 por cento da procura de ponta, face aos cerca de 5 por cento em 2025. Maior segurança energética ajuda a equilibrar a rede, manter a sua estabilidade e reduzir os preços da energia.
Uma maior capacidade de armazenamento permitirá à Europa depender cada vez mais da energia verde produzida internamente e aproximar-se da meta de, pelo menos, 42,5 por cento de produção de energia renovável em 2030. Reduz também a dependência de combustíveis fósseis importados, que a UE procura cortar, mas que continuam elevados. Em 2024, o petróleo e os derivados representavam 67 por cento das importações de energia, segundo um relatório do Eurostat de Março de 2026.
“Se quisermos chegar aos 200 gigawatts definidos pela Comissão Europeia na iniciativa Accelerate EU, precisamos de um pouco mais de ambição. Mas é um primeiro passo muito positivo. O verdadeiro teste será agora a implementação”, afirmou Hemetsberger.
Na prática, segundo a “Euronews, a UE precisa de ampliar as actuais infra-estruturas de armazenamento, aumentando a flexibilidade dos mercados, explicou Hemetsberger. Embora seja importante desenvolver todos os tipos de armazenamento de energia, as baterias são o verdadeiro “game changer”. Podem ser instaladas muito rapidamente, são altamente escaláveis e permitem cortar 55 mil milhões de euros por ano nos custos de operação do sistema eléctrico, além de reduzirem as importações de gás e os preços da eletricidade, acrescentou.

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