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Falta de transportes trava o crescimento do Festival Santa Maria Blues, afirma António Monteiro

Começa hoje e prolonga-se até Sábado a 22.ª edição do Festival Santa Maria Blues.
António Monteiro, director do festival, em conversa ao nosso jornal, afirma que o género musical em destaque atrai e destina-se sobretudo a um público de faixa etária média e mais elevada, apesar de muitos jovens apreciarem blues.
“A sua primeira edição era Blues Jazz, mas logo na segunda edição viu-se que o Blues era o que acolhia mais adeptos. E, desde então, tem sido sempre no Blues que temos apostado.”
Para António Monteiro, o objectivo do festival continua a ser dinamizar a ilha de Santa Maria e promover o blues na Europa.
“O Santa Maria Blues é o festival de blues mais antigo do país e é, actualmente, o maior que se realiza em Portugal. Há vários festivais que hoje em dia se realizam, mas são quase todos em espaços fechados, em teatro”.
Sobre os maiores desafios de gerir um projecto desta dimensão, o director revela que o festival envolve um investimento entre os 200 e os 250 mil euros, entre cachês, deslocações e burocracia.
“Isto é um projecto que envolve, directa e indirectamente, mais de um milhão de euros na economia dos Açores e, mais propriamente, de Santa Maria.”
Acrescentou ainda que são cada vez mais as pessoas que vêm do estrangeiro para assistir ao Santa Maria Blues.
“Ainda ontem tive aqui um grupo da Holanda que veio jantar ao Bar do Blues e que veio de propósito para o Santa Maria Blues. Também vêm ingleses, polacos e pessoas de outros países que são amantes do género musical. Os da Polónia aproveitam ainda para visitar outras ilhas dos Açores, porque não conhecem o arquipélago”.
Sobre a recepção local ao festival, António Monteiro salienta que os marienses “adoram e cada vez gostam mais, porque vêem o retorno na parte económica”.
“Cada vez gostam mais deste festival porque vêem que a ilha enche os hotéis.”
No entanto, deixou um recado ao executivo regional.
“Se houvesse melhores acessibilidades, ainda enchia mais. O nosso problema é que, quando nos tiraram o barco, tivemos uma quebra grande nos resultados da bilheteira, por exemplo”.
A falta de visitantes que poderiam deslocar-se à ilha é parcialmente colmatada pelo Bar do Blues, que também gera receitas para a dinamização e continuidade do festival.
Quanto às expectativas para este ano, António Monteiro espera que as condições climatéricas sejam favoráveis e convida todos a visitarem o festival, garantindo que “não se vão arrepender”.
Do “Jimi Hendrix da harmónica”
à “lenda viva” do Chicago Blues

O festival abre esta Quinta-feira (16 de Julho) com o duo SirJo Cocchi & Balta Bordoy. O pianista e vocalista italiano SirJo Cocchi, detentor de uma voz gospel e soul “incrivelmente expressiva”, junta-se ao virtuoso guitarrista maiorquino Balta Bordoy, um “mestre consagrado” nos segredos do blues tradicional e de Chicago: “O encontro perfeito entre a soul mediterrânica e a paixão avassaladora do blues eléctrico”.
De seguida, actuará Will Wilde. O britânico é conhecido como o “Jimi Hendrix da harmónica”, por estar a revolucionar a forma como este instrumento tradicional é visto no mundo da música: “Nomeado repetidamente para os British Blues Awards, o seu som electrizante e os seus vocais apaixonados criam uma presença em palco magnética”.
A primeira noite do festival termina com a dupla de DJs micaelenses Fita Dupla, que “tem animado as noites açorianas com grande sucesso”.
Na Sexta-feira (17 de Julho), a noite começa com Stephen Hull & Experience Band. Directamente do Wisconsin, nos Estados Unidos da América, o jovem prodígio Stephen Hull e a sua Experience Band são “a prova viva de que o blues está mais jovem e vibrante do que nunca”.
A segunda artista da noite vem do coração do Texas. Carolyn Wonderland traz até à Ilha do Sol “a força bruta, a alma e o virtuosismo do autêntico Texas Blues”. É conhecida pelos seus solos de guitarra “avassaladores” e por uma voz “incrivelmente poderosa”.
A segunda noite do festival encerra com o set do DJ Wise Guy, um DJ “experiente e flexível” que já actuou em diversos festivais e discotecas, de norte a sul do país.
O último dia do Santa Maria Blues inicia-se com o “encontro de dois titãs”: John Primer & Giles Robson. Para o festival, esta é “a união perfeita entre o passado histórico e o presente vibrante do blues”. John Primer é uma “lenda viva” do Chicago Blues, tendo sido guitarrista e bandleader de Muddy Waters, Willie Dixon e Magic Slim. Já o “mestre britânico” Giles Robson é o primeiro harmonicista europeu a assinar com a prestigiada editora Alligator Records e vencedor de um Blues Music Award, em Memphis.

Os últimos a actuar no festival são os The Cinelli Brothers, que combinam “o blues eléctrico de Chicago e de Austin com o calor da Soul clássica dos anos 60 e 70”. Sediada em Londres, mas formada pelos irmãos italianos Marco e Alessandro Cinelli, a banda destaca-se pela sua “incrível versatilidade em palco, onde os músicos trocam frequentemente de instrumentos, e por harmonias vocais impecáveis”.
A 22.ª edição do Festival Santa Maria Blues termina com a actuação do mariense DJ Latenight, que “manterá a energia no auge, convidando o público a dançar”.
DSP/JHA

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