Nascido da vontade de aliar alimentação equilibrada, ligação à natureza e um conceito descontraído, o BUSH abriu recentemente no Mercado Municipal da Ribeira Grande. Ao ‘Correio dos Açores’, um dos fundadores Miguel Ângelo Estorninho explicou que o principal objectivo do restaurante é o de proporcionar uma experiência na sua totalidade, sendo uma referência para quem procura refeições equilibradas, mas que também valorize o bem-estar. O responsável revelou ainda que os próximos passos passam por criar novos pratos sazonais, bem como reforçar a componente de experiências.
Correio dos Açores – Como nasceu a ideia? Qual foi a faísca inicial para criar este restaurante e porquê a escolha deste nome?
Miguel Ângelo Estorninho (Fundador) – O BUSH nasceu de uma vontade muito pessoal de criar um espaço que reflectisse o estilo de vida que nos próprios procuramos seguir: alimentação equilibrada, ingredientes de qualidade, ligação à natureza e uma experiência descontraída, sem formalismos. A faísca surgiu ao perceber que, apesar de existir boa restauração em São Miguel, havia espaço para um conceito que juntasse comida saudável, ambiente orgânico e uma identidade visual forte, quase como se fosse um refúgio urbano dentro da cidade.
O nome vem precisamente dessa ligação ao lado mais natural e selvagem da ilha. Queríamos um nome curto, internacional, fácil de memorizar e que transmitisse imediatamente a ideia de natureza, autenticidade e liberdade. O conceito não é ser apenas um restaurante “healthy” é criar uma marca com personalidade própria, inspirada na energia verde e vulcânica dos Açores.
Qual é o principal objectivo da iniciativa?
O principal objectivo é criar uma experiência completa: não queremos que as pessoas venham apenas comer, queremos que se sintam bem. Queremos ser uma referência em São Miguel para quem procura refeições equilibradas, saborosas e feitas com ingredientes frescos, mas também para quem valoriza o ambiente, estética e bem-estar.
A médio prazo, a ideia é consolidarmo-nos como uma marca açoriana forte, com potencial para crescer para outros formatos, como brunch, eventos temáticos, produtos próprios e até novas localizações e expansão de espaços em outros locais da ilha.
Quais são as principais dificuldades que encontram nesta fase inicial? Seria a insularidade uma delas?
A fase inicial de qualquer restaurante é sempre intensa, porque estamos a afinar operações, equipa, fornecedores e a perceber melhor os hábitos dos clientes. A insularidade é, sem dúvida, um factor relevante. Nem sempre é fácil garantir determinados produtos com regularidade, há custos logísticos mais elevados e menos margem para erro quando algo falha.
No entanto, tentamos olhar para isso também como uma oportunidade. Estar numa ilha obriga-nos a trabalhar mais próximos dos produtores locais e a adaptar a carta àquilo que a natureza nos oferece em cada momento. Essa flexibilidade acaba por dar mais autenticidade ao projecto.
Como é que tem sido o feedback do público nestes primeiros dias de abertura?
Tem sido muito positivo e, honestamente, acima das expectativas. As pessoas têm destacado não só a comida, mas também o ambiente, a decoração e a atenção aos detalhes. Muitos clientes dizem-nos que sentem uma energia diferente no espaço, mais leve e acolhedora.
Também temos recebido bastante feedback nas redes sociais, com partilhas espontâneas e recomendações, o que é um sinal muito importante para uma ideia que acabou de abrir.
Abriram o espaço na Ribeira Grande. Existe algum motivo peculiar para a escolha da mesma?
Sim. A Ribeira Grande tem uma identidade muito própria. É uma cidade com enorme potencial, cada vez mais dinâmica, com turismo crescente e uma comunidade local muito activa. Além disso, o Mercado Municipal pareceu-nos o local ideal porque já existe uma ligação natural às pessoas, aos produtos e à cultura da ilha.
Gostamos da ideia de estar num espaço com história e dar-lhe uma abordagem mais contemporânea, sem perder a autenticidade do contexto onde estamos inseridos.
Olhando para a vossa identidade visual e comunicação, nota-se uma forte ligação a um ambiente orgânico e autêntico. De que forma passam essa estética das redes sociais para a experiência física no restaurante?
Desde o início tivemos a preocupação de que o BUSH fosse coerente em todos os pontos de contacto. As cores, os materiais, a iluminação, as plantas, a loiça e até a forma como os pratos são apresentados seguem a mesma linguagem visual das redes sociais.
Queríamos evitar aquela sensação de “Instagram bonito, realidade diferente”. Quando o cliente entra no espaço, deve reconhecer imediatamente a marca que viu online. A experiência física foi desenhada para ter a mesma sensação orgânica, natural e descontraída que comunicamos digitalmente.
Onde vão buscar a inspiração para criar as vossas cartas? Há uma preocupação com a sazonalidade e com os produtores locais?
A inspiração vem muito da cozinha mediterrânica, de viagens, de referências de restaurantes que valorizam ingredientes simples e bem tratados, e da própria riqueza dos Açores. Temos uma preocupação real com a sazonalidade e com a utilização de produtos locais sempre que isso faz sentido em termos de qualidade e consistência.
Preferimos ter uma carta mais curta, mas com pratos bem executados e com ingredientes frescos. A ideia é que a carta possa evoluir ao longo do ano, acompanhando os produtos disponíveis e permitindo-nos introduzir novidades com frequência.
O que esperam que os clientes sintam no momento em que cruzam a porta do vosso espaço?
Esperamos que sintam uma quebra no ritmo do dia. Que entrem e tenham imediatamente a sensação de estar num espaço mais calmo, acolhedor e ligado à natureza. Queremos que o estabelecimento funcione quase como um pequeno refúgio, onde as pessoas podem comer bem, conversar sem pressa e desligar um pouco da correria do quotidiano.
Se alguém sair daqui a sentir-se mais leve e com vontade de voltar, então estamos a cumprir a nossa missão.
Vocês estão com presença digital muito forte (Instagram/Website). Como tem sido o feedback do público? As pessoas chegam até vocês mais pela curiosidade do digital ou pela recomendação “passa-palavra”?
Temos percebido que o digital tem sido uma porta de entrada muito forte. Muitas pessoas chegam por curiosidade depois de verem o espaço no Instagram ou através do website. A identidade visual chama a atenção e desperta vontade de conhecer.
Ao mesmo tempo, o “passa-palavra” começou a acontecer muito rapidamente, o que é talvez o melhor indicador de todos. Quando alguém experimenta e recomenda a amigos ou família, significa que a experiência correspondeu, ou superou, a expectativa criada online.
Criar uma equipa coesa na restauração é sempre um desafio. Como conseguem manter a vossa equipa alinhada com a energia e o serviço descomplicado que transmitem?
Acreditamos muito no exemplo e na comunicação diária. Desde o primeiro dia explicámos à equipa que o BUSH não é um restaurante de serviço rígido queremos proximidade, simpatia genuína e atenção ao cliente, sem deixar de ser profissional.
Tentamos envolver a equipa no projecto, ouvir sugestões e criar um ambiente de trabalho onde as pessoas se sintam parte da construção da marca. Quando a equipa percebe o propósito do espaço, é muito mais fácil transmitir essa energia de forma natural.
Gerir um espaço destes exige uma capacidade constante de reinvenção. Que novidades ou projectos futuros podemos esperar nos próximos tempos?
Estamos já a trabalhar em algumas novidades, como novos pratos sazonais, opções de brunch e momentos temáticos ligados à música, ao bem-estar e à comunidade local. Também queremos reforçar a componente de experiências, com eventos mais intimistas e colaborações com produtores e marcas da ilha.
A nossa visão é que o BUSH seja uma marca viva, em constante evolução, sem perder a essência com que nasceu.
Após esta fase inicial, quais são os próximos passos?
Nesta primeira fase, o foco é consolidar a operação, garantir consistência no serviço e criar uma base de clientes fiel. Queremos perceber muito bem o que funciona, optimizar processos e fortalecer a relação com fornecedores locais.
Depois disso, vamos avaliar oportunidades de crescimento da marca, seja através de novos produtos, serviços complementares ou até outras localizações. Mas queremos crescer de forma sustentável, garantindo que a qualidade e a identidade do BUSH continuam intactas.
Diogo Simões Pires
