Caríssimo Pároco!
Querido Amigo!
Tenho escrito alguns textos sobre a nossa Igreja da Fajã, e alguns dos acontecimentos que sucederam à sua volta em momentos importantes e comecei sempre assim: «Os Sinos voltaram a repicar!».
Sim!
Agora, de novo:
O nosso zeloso e culto Pastor, Padre Dr. José Paulo Machado, a partir de agora, também será Ouvidor Eclesiástico de Ponta Delgada – por consenso democrático dos colegas e mandato do Senhor Bispo, D. Armando – alargando o seu múnus sacerdotal a nova missão no âmbito da Diocese de Angra.
Por via dela, estabelecerá contactos institucionais e pessoais diferentes, na continuidade de renovação a que assistimos na Igreja Açoriana; e, pelo que conheço do seu perfil humano/cultural muito contribuirá, para consolidar o binómio: sacerdote/paróquia, sacerdote/sacerdote, sacerdote/hierarquia, sacerdote/comunidade.
O meu coração exultou e de todos os amigos que o têm acompanhado desde Santa Clara, creio que nos anos 80 do século passado, ouvindo e meditando com o Padre «progressista» que pregava o Evangelho como Jesus, há mais de dois mil anos, mas numa linguagem do tempo e já para além dele, como senão fazia na cidade…
… e eu a Fernandina ali vi muitos responsáveis pelos movimentos apostólicos, cursos cristandade e equipas de casais, que floresciam na altura, por que tinham «sede», como no elogio da SEDE que o Padre Tolentino Mendonça pregou no retiro que juntou o Papa Francisco, cardeais e bispos «não por uma sede de água, mas de maior alcance: a sede de entrar em contacto com as nossas feridas, o nosso estar no mundo, a necessidade de sermos testemunhas credíveis do amor de Deus em cada criatura». E, depois fê-lo Cardeal, chamou-o para a Cúria, confiando o seu ministério à materna protecção da Virgem Maria!
… Um dia o Padre José Paulo partiu para Lisboa, abriu-se a novos horizontes, depois voltou, veio para a Fajã de Baixo continuar na meditação da PALAVRA, mais abrangente, também como no elogio da sede: são tantas as sedes da nossa paróquia; e continua «a encorajarmos para sermos testemunhas credíveis do amor de Deus».
A sua passagem pelo jornal «A Crença» foi significativa: de um semanário paroquial (tão diferente em tamanho e páginas como é impresso hoje) pelo conteúdo, passou a ser como que o órgão de informação da Diocese, pois alargava notícias ao mundo católico, fez feridas e foi substituído…
… mas felizmente – de cabeça erguida como um Padre/Homem – continuou por aqui na difusão e compreensão da PALAVRA, disponível para ir ali e acolá esclarecer dúvidas, contar tradições que ouviu e aprendeu com a sua querida Mãe, como foi o que aconteceu naquela manhã de sábado, no Santuário da Esperança, quando convidado pela Mesa da Irmandade a falar num encontro de irmãos.
Discorreu com o coração – a todos emocionou – porque desde pequeno acompanhou e participou em actos ocorridos na Igreja da Esperança, quando ali se desenrolavam as festividades em louvor do Senhor Santo Cristo e de Madre Teresa da Anunciada…
… e naquela manhã pregou o sermão, como se fosse em Maio, num domingo do Senhor, aliás como foi a ressonância dos irmãos presentes!
Continue a ficar connosco, Padre José Paulo!
Precisamos de si!
Continue a ser o Padre «progressista» que caminha com o seu povo, o povo da Fajã de Baixo, que tem de acertar o passo tal como conheci a gerações que partiram e hoje, como eu, só têm saudades!
Há momentos na vida que o Senhor experimenta a nossa resistência física, moral e cívica; mas quando nos chama para outra caminhada dentro da Sua Igreja, sabe que tudo vai correr pelo melhor, mais fortalecido para enfrentar desafios…
Neste momento recordo, para mim e gosto de transmitir em situações parecidas, o que disse o Papa Francisco quando recebeu, pela primeira vez, o actual Patriarca de Lisboa: «Rui, faz tudo o que a tua consciência te pedir nesse desempenho» …
Com prudência e quando for o momento exacto, faça o mesmo, Padre José Paulo!
É quanto lhe deseja este Amigo e paroquiano que muito o estima e continua a pedir à Senhora dos Anjos por si, pelo seu sacerdócio e por aqueles que mais de perto o acompanham.
Por: Rubens de Almeida Pavão
Fajã de Baixo,
16 de Julho de 2026