Aquando da comemoração dos 50 anos do estádio de São Miguel, foram expostas várias fotografias históricas do principal palco do futebol da ilha. José Araújo captou várias, publicando-as na sua página da rede social Facebook. Ao visilualizá-las detectei uma que me chamou a atenção, desconhecida de muitas pessoas ainda no rol dos vivos.
Trata-se de um projecto para a construção nos terrenos anexos ao estádio do que chamaram Centro Desportivo e Recreativo do Estádio de São Miguel. Incluía a aquisição dos terrenos adjacentes a nascente, cujo preço da venda era muito mais acessível do que agora.
Ando há mais de 50 anos nestas lides. Vivi a inauguração, tenho acompanhado o que tem sido relevante no longo percurso do campo e atento ao reduzido investimento.
Foi uma surpresa ver um projecto que ficou na gaveta, escondido, retirando aos praticantes da ilha uma estrutura que teria custos que hoje seriam irrelevantes.
A intenção de ali construir uma cidade desportiva, concentrando uma série de equipamentos que hoje continuariam actuais, tem mais de 30 anos pelo apuramento que fiz. Em redor do estádio, como a foto apresenta, estavam previstas a construção de uma piscina de 50 metros com cobertura amovível; um pavilhão multidesportos; um centro de apoio a desportistas; campos de treino; circuito de manutenção com ciclovia; parque infantil, pista infantil de bicicletas e karts; pista de atletismo; zona de lançamentos; mega parede de escalada; polidesportivo e campos de ténis.
Se o conjunto das 11 valências fosse construído por fases, a ilha de São Miguel teria hoje um complexo como muitas cidades portuguesas possuem, mesmo as de menor dimensão.
VALORES MAIS ALTOS impediram de ir por diante o Centro Desportivo. Os custos foram certamente o entrave. Como sempre o desporto ficou a perder. Nunca houve a visão dos proveitos apenas referenciados em discursos de circunstância que desvalorizo porque não têm sequência. O exemplo mais recente é o do concurso internacional para a cedência do Estádio de São Miguel. Há um ano e meio sem uma palavra, sem um anúncio. Um parto extremamente difícil ou há algo que esconde a realidade.
Já houve a transferência da manutenção do relvado do estádio de São Miguel para uma empresa especializada sediada em Ponta Delgada. Está concessionada à SAD do CD Santa Clara. A mesma que transformou o relvado do Lajedo para melhor. A foto demonstra o estado actual do relvado no estádio. É uma exigência da Liga.
O relvado do campo das Laranjeiras fica também a seu cargo.
O CONSELHO DE ILHA ESQUECE NOVAMENTE O DESPORTO na reunião marcada para dia 30 de Julho, Quinta-feira desta semana. No encontro preparatório concluíram os membros da mesa “analisar e debater as principais necessidades da ilha de São Miguel e definir a calendarização dos trabalhos futuros.”
A nota dá conta de que na reunião preparatória “foram identificadas como áreas prioritárias de reflexão as infraestruturas e transportes (aéreos, marítimos e terrestres), a saúde, a segurança, a agricultura, as pescas, o ordenamento do território, o ambiente e os recursos naturais”.
Finaliza a comunicação referindo que “as áreas reflectem a relevância que a ilha de São Miguel assume no contexto da Região Autónoma dos Açores, quer pelo seu peso demográfico e económico, quer pelos desafios sociais que enfrenta, sendo entendimento do Conselho que o reforço do investimento estrutural nestas matérias é determinante para o desenvolvimento sustentado da ilha e da Região”.
Admirava-me se a agenda contemplasse o desporto quando a reflexão incidisse nas infraestruturas. Seria uma forma de analisarem o estado do estádio de São Miguel, com investimentos redutores de um equipamento visto por milhares de pessoas quinzenalmente durante 10 meses. Não sentem vergonha de nas transmissões televisivas e radiofónicas, nas crónicas na imprensa surgirem criticas frequentes pelo mau estado do estádio, a começar pelas paredes do exterior, que necessitam de tinta? A última pintura foi em 2012. Parece que a SAD está empenhada em dar outra cara à cara do estádio.
O relvado foi o pior das 36 sociedades que competiram nas I e II Ligas.
EM ÓRGÃOS DAS NOVE ILHAS com representatividade através dos presidentes das assembleias municipais e das câmaras municipais; de quatro membros eleitos das assembleias municipais de cada concelho; de três presidentes das juntas de freguesia eleitos entre todos; de um membro do governo regional sem direito a voto; de dois do sector empresarial; dois das associações agrícolas; dois dos movimentos sindicais; um da associação de pescas; um das instituições particulares de solidariedade social; um das associações ambientalistas; um das associações de defesa da igualdade de género e um da universidade dos Açores, não há lugar para um representante do desporto? Sinceramente!!!
Quando me perguntam como vai o desporto nos Açores, respondo: “se um órgão consultivo não tem um representante do desporto, prova a forma como os políticos olham para uma área que reúne milhares de praticantes. Vale muitíssimo pouco. Por isso, o nível é o espelho da sociedade desarreigada, que abrange a maioria das áreas e esquece-se desta.”
Nem por uma única vez uma entidade ou personalidade desta ilha ligada ao desporto foi convidada a marcar presença nas reuniões, em função das matérias em apreciação. O regime jurídico permite a chamada de elementos que possam dar contributos para as melhorias de vida, da actividade e do progresso de cada ilha.
A pluralidade que marca a principal acção dos Conselhos de Ilha é só no papel.
Não há um partido político regional, com assento na Assembleia Regional, que apresente uma proposta para alterar o regime jurídico, permitindo a entrada dos representantes do desporto nos Conselhos de Ilha? Estão preocupados com as tricas.
José Silva
