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“É uma tradição que merece ser preservada e valorizada”

Ao longo de vários anos, Fabiana Ourique registou em fotografia altares em honra do Divino Espírito Santo nos Açores e na Diáspora. Reúne-os agora em livro para divulgar e preservar a tradição.

É autora do livro “Altar ao Divino Espírito Santo – Tradição e Modernidade”. Como surgiu esta obra e que abordagem faz a este tema?
“Este livro nasceu da minha fé pela tradição do Divino Espírito Santo. Desde há vários anos que gosto de juntar fotografias de altares ao Divino Espírito Santo e de registar o nome dos seus autores, familiares, data e localidade. Isso traduz hoje um grande acervo fotográfico e vejo que cada um tem a sua identidade e conta uma história. Com o tempo percebi que seria importante reunir parte desse trabalho num livro para que ficasse como um registo desta tradição tão especial. É um livro de fotografia, onde procurei mostrar a beleza, a diversidade e a evolução dos altares, desde os mais tradicionais aos mais modernos, valorizando o trabalho e a dedicação de todas as pessoas que mantêm esta tradição viva”.

Este livro tem como subtítulo “Altares ao Divino Espírito Santo da Ilha Terceira, dos Açores e da Diáspora Açoriana”. É uma tradição que está também muito presente nas comunidades? Quem saiu dos Açores mantém esta devoção?
“Sim. Quem nasce nas ilhas fica com essa marca cultural. Fiquei muito feliz por incluir também altares da diáspora açoriana. Os açorianos que emigraram levaram consigo a fé e as tradições da sua terra e continuam a celebrar o Divino Espírito Santo com muito orgulho. Em muitos países existem irmandades e festas que mantêm vivo este legado. Apesar da distância, continuam ligados às suas raízes e fazem questão de transmitir esta tradição aos filhos e aos netos. Isso demonstra a força que o Divino Espírito Santo continua a ter na vida de muitos açorianos espalhados pelo mundo”.

O que representa para si a tradição do Divino Espírito Santo?
“Para mim representa fé, união, partilha e esperança. É uma tradição que junta famílias, amigos e comunidades inteiras. Os altares e as festas são acções que visam mostrar a alegria da fé, da cultura, da antiguidade; também gosto do espírito de entreajuda que existe nesta época e da dedicação de tantas pessoas que trabalham durante semanas para que tudo aconteça. É uma tradição que faz parte da nossa identidade enquanto açorianos e que merece ser preservada e valorizada. Foi precisamente esse sentimento também que me motivou a publicar o livro”.

“Considera que esta tradição tem continuidade assegurada? As novas gerações mantêm uma ligação ao Divino Espírito Santo?
Acredito que sim. A identidade de um povo insular não surge do nada; surge de séculos de tradição e fé. E, felizmente, vejo muitas crianças e jovens envolvidos nas festas, a ajudar as famílias e a integrar as diferentes actividades. Quando conhecem o significado desta tradição, acabam por criar uma ligação muito especial a ela. Cabe também às gerações mais velhas transmitir estes valores culturais de antiguidade dos nos antepassados e garantir que esta herança cultural e de fé continue viva. Tenho esperança de que o Divino Espírito Santo continuará a fazer parte da vida dos açorianos durante muito tempo”.
Falta uma maior divulgação desta tradição açoriana fora de portas?
“Penso que sim; mas mais importante é a preservação através do seu estudo. O Divino Espírito Santo é uma das tradições mais marcantes dos Açores e merece ser mais conhecido, tanto em Portugal como no estrangeiro. Há muito trabalho, dedicação e riqueza cultural por detrás desta celebração. O meu livro pretende ser um pequeno contributo para essa divulgação, mostrando através da fotografia a beleza dos altares e ajudando a preservar esta memória para as gerações futuras. Se mais pessoas conhecerem esta tradição, maior será também o reconhecimento pelo património cultural e humano que ela representa”.

DI/CA

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