Meus Queridos! A minha amiga Imaculada convenceu-me a ir almoçar ao Restaurante das Caldeiras, porque, segundo ela diz, lá come-se que nem uma rainha. Lá fui eu e confirmei que ela tinha razão, já que comi tão bem que até pensei que ia sair de lá a cantar o fado da barriga cheia. Mas… havia um pequeno grande problema… era o regresso, até à minha cidade -norte, pois só de olhar para a estrada das Caldeiras da Ribeira Grande, o meu velho popó começou logo a chiar sozinho. Aquilo já não é uma estrada… é um teste de resistência para carros, pneus, amortecedores e até para as dentaduras. Cada metro de calçada é uma surpresa e uma aventura. Em vez do volante, quase que precisava era de um capacete. Cheguei a pensar que não estava a conduzir… estava era a participar num Rali, pois o carro abanava tanto que o almoço, que estava muito bem acomodadinho, começou logo a dar de si. No fim, lá cheguei inteira a casa… mas o popó veio a pedir um alinhamento, duas molas novas e uma consulta de fisioterapia. Por isso, deixo aqui um conselho amigo: vão ao Restaurante das Caldeiras, porque a comida merece cinco estrelas. Mas, para enfrentar aquela estrada, levem coragem, e um mecânico no banco de trás… e, se puderem, peçam a quem de direito … uma equipa de obras públicas logo atrás, a fim de se aperceberem do estado em que se encontra aquela estrada regional. A minha amiga Imaculada disse-me que vai convidar o Presidente Bolieiro e a Secretária das Infra-estruturas Berta Cabral para um almoço no Restaurante das Caldeiras para que conheçam a “cruz” que leva cada pessoa quando tem de subir aquele Calvário… e convém que de permeio vaiem fazendo o cálculo dos custos de quem tem de ir todos os dias às Caldeiras da Ribeira Grande…. E depois queixem-se da falta de turistas!
Ricos: A minha prima Natália resolveu levar os netinhos ao Parque Urbano de Ponta Delgada para brincarem neste período de férias escolares. Contudo, ela ficou de boca aberta ao ver tantos coelhinhos a saltitar. É bonito de se ver ninguém pode negar, mas aquilo parece um conto de fadas, com coelhos por todo o lado, a pular felizes, como se fossem os verdadeiros donos do parque. Mas quando chegou a hora de voltar para casa… ai Jesus, dado que nas estradas circundantes era coelho para a esquerda, coelho para a direita, coelho à frente e, se calhar, até um a fazer sinal para atravessar na passadeira. A minha prima Natália já não conduzia… porque ia em estado de alerta máximo. O pé ora carregava no travão, ora largava, e os netos atrás gritavam: “Olha outro! Olha mais um! Avó, trava! Não, acelera! Ai, que fofinho!” Ao fim de cinco minutos, a Natália já dizia se aquilo continuasse assim, ainda chegaria a casa com um coelho sentado no banco do pendura a pedir boleia. Não me interpretem mal…porque a visita torna-se um espectáculo ao ver-se tantos bichinhos felizes… Mas, valha-me Santo António, há alturas em que parece que os coelhos combinaram fazer a reunião geral no Parque Urbano da cidade. Por isso, quem for visitar o Parque leve a máquina fotográfica para guardar belas recordações… e, na hora de regressar, conduza devagarinho. Afinal, aqueles coelhinhos também parecem achar que a estrada faz parte do parque…
Ricos: Eu já vi de tudo nesta vida… mas confesso que as trotinetas eléctricas continuam a conseguir surpreender-me… Agora é uma moda pegada, pois vê-se trotinetas por todo o lado. Até parece que nasceram do chão durante a noite… Mas, o que me deixa de cabelos em pé é ver tanta gente andar nelas sem capacete e sem regras nas passadeiras. Valha-me Nossa Senhora da Agrela. Basta uma distracção, e um buraco na estrada ou uma travagem mais apertada para a aventura acabar mal…. Mas o maior susto da minha vida foi quando vi uma trotineta a circular numa das nossas vias rápidas, porque eram carros a passar de um lado, carrinhas do outro e, no meio daquela confusão, lá ia a trotineta, toda contente, como se estivesse a passear pelo jardim…. Só faltava ligar o pisca e pedir passagem aos camiões. O meu velho popó até ficou envergonhado e com a minha idade ainda sei distinguir uma via rápida de uma ciclo via. Eu percebo que as trotinetas dão jeito porque não gastam muita energia e ajudam a fugir ao trânsito. Mas há uma grande diferença entre passear com cuidado e andar por aí ao Deus-dará, como se as estradas fossem um parque de diversões. Por isso, meus queridos, usem a trotineta, mas usem também a cabeça… e, de preferência, com um bom capacete em cima dela. Porque o cabelo volta a crescer… mas o juízo, quando se perde, nem sempre aparece outra vez.
Meus Queridos! Há uma certa nuvem que apanha o Ministro da Administração Interna, que tem demorado a sacudir “o pó” que lhe têm aturado enquanto falta uma declaração do próprio Ministro para pôr o caso em pratos limpos… Não conheço as relações entre o antigo Presidente da Policia Judiciária e o empreiteiro que parece ter um fio de amizade
A nuvem que tarda em passar! Meus queridos, há nuvens que passam depressa com um ventinho encanado e há outras que se agarram ao céu como lapas ao calhau. Esta que anda por cima do senhor Ministro da Administração Interna já vai demorando mais do que era desejável. E, quanto mais tempo passa sem uma explicação clara, mais cresce a apoquentação e mais coriscos mal amanhados aparecem por aí a fazer contas e a tirar conclusões.
Eu, que já tenho idade para desconfiar de muita coisa, aprendi que, na política, o silêncio raramente é bom conselheiro. Quando surgem dúvidas sobre relações, amizades ou contactos entre figuras públicas e pessoas envolvidas em casos que despertam interesse público, o melhor remédio costuma ser uma explicação simples, completa e transparente. Porque, quando essa explicação tarda, o povo começa logo a encher os vazios com palpites, e esses meus queridos, multiplicam-se mais depressa do que coelhos no Parque Urbano.
Não conheço, nem faço ideia, quais eram as relações entre o antigo presidente da Polícia Judiciária e o empreiteiro de quem tanto se fala. Também não me compete fazer julgamentos, porque para isso existem as autoridades e os tribunais. Mas uma coisa sei: quem exerce funções públicas deve perceber que a confiança conquista-se todos os dias e também se protege com palavras claras quando surgem dúvidas legítimas. Por isso meus queridos, deixo apenas este conselho de amiga. Que se ponham os pratos limpos em cima da mesa e que se esclareça tudo o que houver para esclarecer. Porque o pior que pode acontecer não é uma nuvem aparecer. O pior é deixá-la tanto tempo no céu que o povo comece a acreditar que nunca mais faz sol. E isso, meus queridos, nem o vento mais teimoso dos Açores consegue varrer facilmente.