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Minutos que mudam destinos: a importância de um enfermeiro de prevenção no Verão da Piedade

A Piedade é um dos refúgios mais bonitos e autênticos da Ilha do Pico. No verão, a nossa população de cerca de 750 habitantes multiplica-se com a chegada de familiares, emigrantes e veraneantes que escolhem a ponta da ilha para descansar. No entanto, o isolamento geográfico que nos garante paz também nos traz um risco silencioso e severo: a distância dos socorros médicos em caso de emergência extrema.
Quem vive ou passa férias na Piedade sabe que, em caso de alguma enfermidade repentina mais grave, o relógio corre cruelmente contra nós. Uma ambulância dos Bombeiros Voluntários das Lajes do Pico pode demorar, no mínimo, 20 a 30 minutos a chegar à nossa freguesia. Na medicina de emergência, existe a “regra de ouro” dos 4 minutos, que dificilmente, nos actuais moldes, será respeitada.
É por isso que urge discutir uma solução comunitária pioneira para a nossa terra: a contratação de um Enfermeiro de Prevenção (em regime de piquete) para os três meses de verão, equipado com um Desfibrilhador Automático Externo (DAE).
Este profissional não teria de estar num posto médico fixo a tempo inteiro. O modelo proposto baseia-se na disponibilidade: o enfermeiro estaria alojado na freguesia, faria a sua vida normal na comunidade, mas estaria contactável 24 horas por dia, com o equipamento de reanimação e malas de trauma sempre prontos no carro. Em menos de 5 minutos, conseguiria chegar a qualquer casa, canadiano ou zona balnear da Piedade, iniciando as manobras de suporte básico de vida e aplicando o choque do desfibrilhador muito antes de a ambulância sequer dobrar a Ribeirinha. Além disso, saberia reportar a gravidade exata ao CODU, acelerando o acionamento de meios de evacuação prioritários.
Deixamos, por isso, um apelo direto à Exma. Sra. Presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico e ao Exmo. Sr. Presidente da Junta de Freguesia da Piedade. É nas vossas mãos, enquanto líderes e defensores desta comunidade, que reside a capacidade política e logística de liderar este projeto de salvaguarda da nossa população, porque somos todos picoenses, e, mais que, isso, todos filhos de Deus.
O Plano Financeiro: Falemos de Números Claros
Para tirar as dúvidas e colocar a hipótese de vez em cima da mesa, falemos de dinheiro, que é conversa que todos entendem. Quanto custa, afinal, salvar uma vida na Piedade?
As estimativas de mercado para assegurar um enfermeiro certificado em Suporte Básico de Vida e DAE, em regime de prevenção local durante os 3 meses de verão, rondam os €4.700 no total (incluindo o valor diário de piquete, o aluguer do desfibrilhador e o material clínico de emergência).
Olhando para a realidade oficial da nossa terra, que conta com 757 habitantes fixos (sem contar com as dezenas de turistas e emigrantes que triplicam este número no verão), as contas são matemáticas e surpreendentes:
Se dividirmos o custo por todos os habitantes: Estamos a falar de apenas €6,21 por pessoa para estar protegida durante os 3 meses de verão.
Se organizarmos o esforço por agregados familiares: assumindo uma estimativa conservadora de 250 famílias na freguesia, o custo seria de sensivelmente €18,80 por família para todo o verão. Ou seja, pouco mais de €6 por mês por casa.
Os cidadãos da Piedade, os nossos emigrantes e os veraneantes que tanto estimam esta terra com certeza que não se importariam de colaborar financeiramente através de uma quota voluntária ou de um fundo comunitário para cobrir este valor. O esforço individual é irrisório: é o preço de dois maços de tabaco ou de três cafés por mês para garantir que nenhum familiar nosso perecerá por falta de assistência atempada.
Para viabilizar isto, o poder político só precisa de dar a estrutura: a Junta de Freguesia pode apoiar com a cedência de um alojamento gratuito para o profissional (reduzindo os custos logísticos a zero) e a Câmara Municipal pode gerir a contratação institucional e o suporte técnico.
Ter um enfermeiro e um desfibrilhador na Piedade no verão não é um capricho; é um seguro de vida comunitário. É a garantia de que a nossa distância geográfica deixará de ditar o nosso destino. Cuidar de quem cá vive e de quem nos visita é, acima de tudo, valorizar a vida na nossa terra. Os números provam que é possível; falta apenas a vontade de fazer acontecer. E não é para amanhã: é para ontem!
Cristina Monteverde
Empresária

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