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Crónica de Verão

Muito embora não pareça, estamos já a meio do verão. Isto sem que tivéssemos tido muitos dias solarengos de manhã à noite, como costumavam ser antes das chamadas alterações climáticas.
No passado sábado dei “um pulo” à minha freguesia de nascimento – Água Retorta, da qual saí aos 3 anos de idade – para provar as iguarias que a mostra gastronómica que lá estava a decorrer proporcionava.
Gostei do que comi, pese embora tivesse estranhado que a açorda de lapas não tivesse pão. Indaguei junto de quem sabia e fui informado que era assim mesmo, ou seja, aquela açorda não leva pão.
Ao longo do passeio fomos apreciando as paisagens deslumbrantes que algumas das nossas estradas nos proporcionam, fazendo justiça ao slogan publicitário de nos chamarem ilha verde e, ao concelho da Povoação, o mais lindo da ilha.
Porém, minha Mulher e eu próprio, demos por alguns desleixos aqui e acolá, fruto da ausência prolongada dos antigamente chamados cantoneiros, mas que agora, no tempo das novas tecnologias, devem chamar-se técnicos de qualquer coisa, provavelmente porque a classificação de cantoneiro tenha, agora, um sentido depreciativo.
Não é de admirar porque, já há muitos anos, o título de contínuo nas escolas passou, salvo erro, para técnico de acção educativa. Mas, isto são outros quinhentos!
Voltando às estradas, devo dizer que em quase toda a ilha (exceptuando o concelho da Povoação que só pontualmente aparece descuidado) está necessitada da mão dos cantoneiros.
As ervas crescem a esmo, quase tapando as hortências e os agapantos que embelezam as nossas estradas, para desgosto nos nossos “ambientalistas” que as classificaram de plantas “invasoras”.
Pretendendo ser uma ilha virada para o turismo, mesmo “sacrificando” a população residente, as entidades competentes deixam ao abandono aquilo que mais nos distingue, que é a nossa paisagem e, nomeadamente, as nossas estradas.
Aquilo que seria suposto ser um bem cuidado jardim, transforma-se em vulgares estradas com altas ervas a ladeá-la.
Em contraponto, estranho a facilidade com que certas empresas de publicidade obtêm(?) autorização para deitar abaixo árvores adultas para implantarem os seus painéis publicitários.
Como todos sabemos os painéis são de grandes dimensões, fazendo publicidade de tudo e mais alguma coisa, nomeadamente a realização de eventos.
A este propósito e no regresso a Ponta Delgada, ao sair das Furnas, apanhei um cortejo com mais ou menos sete tractores e mais um atrelado “puxado” por uma moto 4 com pessoas lá dentro.
O que era o cortejo? Pura e simplesmente um casamento que eu julgava se dirigir para as caldeiras junto à lagoa.
Mas não! O cortejo, com os noivos no último tractor, dirigiu-se para um pasto situado no lado direito da estrada (no sentido Furnas Vila Franca) e depois de se passar a mata das camélias junto à ermida de Nossa Senhora das Victórias.
Ora, que se faça o evento acho muito bem. Que teve piada, teve. Agora… quem pensa neste tipo de percursos, deve ter em linha de conta que a interrupção do trânsito não pode ser tão prolongada.
É porque, a fila de carros que saía das Furnas não podia ultrapassar os tractores, por causa do trânsito que vinha em sentido contrário.
Assim, aquilo que deveria ter só imensa piada, acabou por ser um transtorno para quem por lá passou naquela altura.
Que, ao programar este tipo de eventos, se pense melhor nos incómodos que se possa causar a quem se cruzar com eles. Para bem de todos.

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
26JULHO2026
Por: Carlos Rezendes Cabral

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